OFAP-HOMO_Digital

4 Figura 2. Percentagem de inquiridos que mencionaram não querer ter homossexuais como vizinhos - Brasil e Portugal, início e final dos anos 90 e final dos anos 2000 Figura 2. 52,4 25,6 27,7 30,2 26,1 21,6 0 20 40 60 80 100 início dos anos 90 final dos anos 90 final dos anos 2000 portugal brasil No que toca à perceção da distância social a “homossexuais”, verificamos que houve uma redução da percentagem de inquiri- dos que mencionaram não querer ter indivíduos homossexuais como vizinhos ao longo do tempo. Se em Portugal, no início dos anos 90, praticamente metade da população portuguesa reportava não desejar ter indivíduos homossexuais como vizi- nhos, esta percentagem reduziu para metade no final dos anos 90, mantendo a mesma percentagem no final dos anos 2000. No Brasil, também se assistiu a uma queda na percentagem de indivíduos desfavoráveis à presença de pessoas homossexuais como vizinhos, porém de forma mais subtil. Note-se que ape- sar de a descida ser mais discreta, a representatividade de indi- víduos que manifestavam não desejar ter homossexuais como vizinhos foi sempre inferior neste país. Enquanto no início dos anos 90, 30% da população brasileira (em contraste com 52% da população portuguesa) manifestava não querer homossexuais como vizinhos, no final dos anos 90 e dos anos 2000, apenas 26% e 22% dos inquiridos assumiam essa posição, respetivamente. 2. O papel das características sociodemográficas Nesta secção, analisamos a variação dos indicadores de acei- tação social da homossexualidade e de perceção da distância social a indivíduos homossexuais segundo o sexo, a idade, a reli- giosidade e a escolaridade. 2.1 Sexo Tanto em Portugal, como no Brasil, homens e mulheres diferem no nível de aceitação social da homossexualidade e essas diferenças têm-se expressado segundo o mesmo padrão ao longo do tempo. Os dados revelam que as mulheres apre- sentam níveis médios de aceitação da homossexualidade mais elevados do que os homens em todos os anos considerados. No entanto, essa clivagem de género é maior no Brasil do quem Portugal. Por exemplo, no final dos anos 2000, os níveis de aceitação médio entre homens e mulheres em Portugal con- vergem significativamente (Mmulheres=3.85 e Mhomens=3.41). Figura 3. Nível médio de aceitação social da homossexualidade, por sexo ao longo do tempo (escala de 1-nunca se justifica a 10- sempre se justifica) - Brasil e Portugal, início e final dos anos 90 e final dos anos 2000 1. Evolução temporal das atitudes sociais face à homossexualidade Começamos por comparar os níveis de aceitação social da homossexualidade e a perceção da distância social a indivíduos homossexuais nos dois países, no início dos anos 90, no final dos anos 90 e no final dos anos 2000. Um primeiro aspeto que deve ser salientado prende-se com o facto de as respostas dos inquiridos relativamente à aceitação social da homossexualidade, tanto em Portugal como no Brasil, se situarem abaixo do ponto médio da escala (5) em todos os momentos considerados, inclusivamente no final da década de 2000. Estudos comparativos baseados nos mesmos dados do EVS 2008 indicam que, no contexto Europeu, Portugal se situa num nível médio baixo de aceitação da homossexualidade. É nos paí- ses do norte da Europa, tais como a Suécia, a Finlândia, a Norue- ga, a Dinamarca e os Países Baixos, onde encontramos níveis mais elevados de aceitação (Takács & Szalma, 2013). Não obstante, se considerarmos a evolução da aceitação social da homossexualidade entre o início dos anos 90 e o final da década de 2000, verificamos uma tendência positiva de cres- cente acolhimento público da homossexualidade nos dois paí- ses. Se no início dos anos 90, os valores médios se situavam em redor dos 2.50 (2.18 em Portugal e 2.43 no Brasil), no final da década de 90, esses valores subiram em mais do que 1 ponto médio. Contudo, enquanto no Brasil essa aceitação seguiu uma trajetória ascendente linear entre os três momentos em análi- se; em Portugal, apesar de a tendência ser também positiva, ela ocorreu a dois ritmos. Entre o início e o final da década de 90, o crescimento foi muito pronunciado, chegando mesmo a atin- gir níveis de aceitação mais elevados do que no Brasil. Já o salto entre o final da década de 1990 e o final da década de 2000 foi mais subtil. Acreditamos que face às medidas legislativas introduzidas a partir de 2010 na sociedade portuguesa, esta evolução positiva da aceitação da homossexualidade tenha sido reforçada ao lon- go da última década. Teremos oportunidade de avaliar a direção e a intensidade dessa evolução entre 2008 e 2019 em Portugal, através dos dados provenientes da próxima edição do EVS , cuja recolha acontecerá no final deste ano. Dados da ronda de 2014 do WVS no Brasil revelam que a aceitação social da homosse- xualidade neste país continuou a aumentar, representando uma média de 4.58 (ver secção sobre a atualidade). Figura 1. Nível médio de aceitação social da homossexualidade ao longo do tempo (escala de 1-nunca se justifica a 10- justifica-se sempre) - Brasil e Portugal, início e final dos anos 90 e final dos anos 2000 2,18 3,36 3,68 2,43 3,17 4,24 1 2 3 4 5 início dos anos 90 final dos anos 90 final dos anos 2000 Portugal Brasil

RkJQdWJsaXNoZXIy MTY4OTk1