ICS Policy Brief 2021 - Observatório de Ambiente, Território e Sociedade
8 • Custo da energia O custo da energia pode condicionar fortemente o consu- mo. Nos últimos anos, os preços da eletricidade para os consu- midores domésticos em Portugal têm sido dos mais elevados da UE. Tomando em consideração as diferenças de poder com- pra dos diversos países, na segunda metade de 2018 Portugal foi o país em que a eletricidade foi mais cara para as famí- lias, tendo os preços do gás estado também entre os mais altos da UE (Eurostat, 2019). Nesse ano os impostos e taxas incluídos nas faturas da eletricidade dos portugueses consti- tuíram 55% do preço final. Assim, num contexto sociocultu- ral em que se considera normal ter frio em casa no inverno, muitos portugueses optam por reduzir ao mínimo os custos com aquecimento. • Níveis de rendimento EmPortugal persistem elevados níveis de pobreza mone- tária que se têm mantido acima da média da UE. Apesar da evolução positiva na redução da desigualdade económica do país entre meados da década de 1990 e final da década de 2010, a crise económica e as políticas de austeridade que se seguiram inverteram esta tendência, tendo tido como con- sequência um claro agravamento das condições de vida e o empobrecimento de grande parte da população, inclusiva- mente de setores que até então não estavam em situação de pobreza (Rodrigues et al., 2016). A pandemia de Covid-19 e os seus graves impactos económicos veio agravar as condições de vida de muitos portugueses, sobretudo os que já eram mais vulneráveis. Os rendimentos baixos podem não só impedir as famílias de aceder aos serviços energéticos de que neces- sitam, como afetar mais ainda a sua capacidade de acesso a habitação adequada, de realização de obras de manutenção e de aquisição ou reparação de equipamentos domésticos. Tem-se alturas em que se tem e outras em que não se tem. Mas não vou pedir nada a ninguém. Fecho-me em copas. Ninguém sabe se eu tenho fome, se tenho fartura. (…) Faço conforme posso, quando não tenho.” (Entrevista E11, mulher, 68 anos) Fonte: Ligar Entrevistador: Evita usar algum aparelho por gastar demasiada energia? Entrevistada: O aquecedor a óleo!” (Entrevista E19, mulher, 43 anos) Fonte: Ligar Em 2019, 4,3% dos portugueses tinham pagamentos aos serviços de utilidade pública (como energia) em atraso, enquanto a média na UE era 6,1%. Fonte: Eurostat Em 2019, 21,6% dos portugueses estavam em risco de pobreza ou exclusão social, sendo a média da UE 21,4%. Fonte: Eurostat Em 2019, 18,9% dos portugueses foi incapaz de manter a casa adequadamente quente por razões financeiras, sendo a média da UE 7%. Fonte: Eurostat Em 2018, para 56% dos portugueses devia ser uma prioridade garantir preços razoáveis da energia para os consumidores, sendo a média da UE 36%. Fonte: Eurobarómetro Usar mais [o aquecedor]? Não se usa mais porque a eletricidade já é… é assim, basta a TV, a máquina de lavar, frigorífico e pouco mais, só o aumento do termoacumulador, as TV’s, já é assim um bocadinho puxado… portanto…” (Entrevista E41, mulher, 41 anos) Fonte: Ligar
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