ICS Policy Briefs 2020 - Observatório de Ambiente, Território e Sociedade

6 Em contrapartida, cidadãos com escolaridade mais elevada consomem menos carne. Quanto ao consumo de frutas e vegetais, assinala-se que quase 20% dos inquiridos afirmam não comer fruta (18,8%) ou vegetais (23,6%) pelo menos uma vez por dia. Por sua vez, o número de consumidores muito frequentes – que comem fruta/vegetais 3 vezes ou mais por dia – é de 27,8% e 12,1%, respetivamente. Ao considerar o consumo de frutas e vegetais em conjunto, verificamos que 13,8% dos portugueses afirma não comer nem frutas ou vegetais pelo menos uma vez por dia. Em contrapartida, o número de consumidores mais fre- quentes – que comem fruta ou vegetais 5 ou mais vezes por dia – é de 26,3%. São os homens e os que vivem em meio rural com nível secundário de escolaridade que menos consomem frutos e legumes regularmente. Figura 2 - Valores médios das orientações de consumo alimentar (1: Discordo totalmente - 5: Concordo totalmente) Fonte: 2º Grande Inquérito sobre Sustentabilidade, 2018 No que respeita às principais motivações e justificações dos inquiridos em relação aos seus hábitos de consumo (i.e., ori- entações de consumo alimentar), salienta-se maior tendên- cia para o consumo de alimentos que são percebidos como ‘saudáveis’, ‘convenientes’ e/ou que ‘dão prazer’ a comer (Fig- ura 2). Os inquiridos do sexo masculino são mais propensos a escol- her alimentos que veiculem uma imagem social favorável de si mesmos, e a valorizar a sociabilidade e comensalidade na alimentação. Através de um estudo da Direção Geral de Saúde no âmbito do PNPAS, cujos resultados foram divulga- dos no Dia Mundial da Alimentação (16 de outubro de 2020), o padrão alimentar da Dieta Mediterânica é mais adotado pelas PRÁTICAS ALIMENTARES DOS PORTUGUESES Segundo os resultados do II Inquérito à Sustentabilidade em Portugal aplicado em 2018 a um amostra representati- va de 1600 indivíduos, os portugueses costumam fazer uma alimentação semanal (ao almoço/jantar) que se distribui sobretudo por refeições com carnes brancas (média de 4,73 vezes por semana), carnes vermelhas (média de 3,65 vezes por semana), refeições com peixe (média de 3,5 vezes por semana) e, em menor grau, refeições sem carne nem peixe (i.e., base vegetal; média 1,95 refeições por semana regularmente mas não sempre). Estes resultados demonstram que os produtos de origem animal (acima de tudo a carne, mas também o peixe) ainda ocupam uma posição central nas refeições típicas ao almoço e ao jantar em Portugal. À escala nacional 51% fazem cerca de duas refeições principais de base vegetal por semana – o que não significa naturalmente que sejam vegetarianos. Acresce que 65% dos participantes no inquérito já fazem pelo menos uma refeição (almoço/jantar) sem carne ou peixe durante a semana. Seja como for, apenas 0.5% declaram optar por uma dieta vegetariana. Figura 1 - Consumo médio de refeições com carne, com peixe, e de base vegetal, numa semana regular (% de inquiridos) Fonte: 2º Grande Inquérito sobre Sustentabilidade, 2018 Em relação às refeições com carnes vermelhas – os homens tendem a comer mais carnes vermelhas do que as mulheres (4,1 vezes contra 3,3). Considerando o contexto residencial, no meio rural os níveis de consumo de carne são mais elevados. 14% 14% 25% 26% 34% 86%

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