ICS Research Brief 2019 - Observatório de Ambiente, Território e Sociedade
9 embrulhar feijão num pano húmido e guardá-lo na última gaveta do frigorífico. Em alguns casos, essas estratégias mantêm os produtos “mais frescos do que quando se compraram”. Outras técni- cas de conservação, mais antigas e feitas pelos mais velhos, evocam uma época em que não havia frigorífico. No Reino Unido, encontrámos exemplos de legumes armazenados no exterior (quando está frio), debaixo das escadas, em abrigos de jardim ou em velhos pares de meias. Seja por escolha ou por falta de espaço no frigorífico, os consumidores acredi- tam que estas estratégias garantem a conservação dos ali- mentos durante mais tempo. Muitos consumidores portugueses “olham com os dedos”, tocando nos produtos para atestar o seu grau de maturaç o e qualidade. Por m, v rios tamb m relataram ter uma relaç o de confiança com os vendedores nos mercados, delegando a escolha dos frescos a estes. As formas mais convencionais de pensar a frescura alimentar entendem-na como uma qualidade que é autoexplicativa, o que torna invisíveis os potenciais problemas que advêm da manutenção de uma cadeia de frio todo o ano. No entanto, é cada vez mais manifesto que a garantia da frescura alimentar está relacionada com a sustentabilidade social e ambiental. Nesta pesquisa sugerimos dar atenção a esta questão compreendendo de que forma a frescura é “praticada”, que expectativas cria e que efeitos provoca. A frescura exige uma vasta coordenação entre produtores, fornecedores, distribuidores, tecnologias, inspetores, consumidores, decisores políticos entre outros. Por um lado, isto torna o processo de mudança difícil, com múltiplas escalas (e.g. global-local) e sectores de atividade. Por outro lado, torna evidente que a manutenção do estado de coisas também solicita por seu lado muito trabalho, sendo igualmente complexo. Contudo, o nosso estudo também mostrou que a “frescura” é inerentemente instável, dinâmica e múltipla, podendo ser “feita” de diferentes formas, sendo possível encontrar aquela que resulta em maior sustentabilidade social e ambiental. Sugerimos alguns caminhos para alcançar este objetivo: PRINCIPAIS CONCLUSÕES Figura 8 – Alface numa tigela com água para conservar mais tempo no frigorífico. Foto: J. Baptista, 2017.
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