ICS Research Brief 2019 - Observatório de Ambiente, Território e Sociedade
10 Dar mais atenção ao consumo e aos consumidores “Fazer” frescura alimentar de forma diferente implicará a mudança dos atuais padrões de consumo. No entanto, a responsabilidade por essas mudanças não deve recair apenas nos indivíduos. São necessárias mudanças na organização social do consumo, o que implica alterações tecnológicas, legais e sociais tanto na própria cadeia alimentar como no comportamento do consumidor. Os esforços de efetivar mudanças positivas nos sistemas alimentares precisam de encontrar maneiras de alinhar a frescura com padrões de consumo mais desejáveis a nível da saúde e sustentabilidade. Não limitar o debate ao local e à sazonalidade Para além de ser necessária evidência científica mais clara sobre as vantagens da produção local para a saúde e o ambiente, a nossa pesquisa indica que estes produtos não podem ser considerados mais “frescos” do que os produtos longínquos. Não há uma resposta objetiva do que é a frescura por isso defender o retorno a sistemas agrícolas do passado anteriores à industrialização e globalização alimentares só em nome da frescura pode tornar-se num equívoco. Há outras opções para se “praticar” a frescura de forma diferente, protegendo o ambiente e a sociedade. E se abandonássemos a ideia de frescura? Há boas razões para ‘mudar de conversa’ no que concerne a ‘frescura’ alimentar. As várias maneiras de “fazer frescura” indicam que isso é menos importante do que as qualidades que lhes estão subjacentes. Entender o que a ideia de “frescura” oferece – saúde, sabor, natural, autêntico – pode ajudar a direcionar esforços para reorganizar o sistema alimentar de maneira a apoiar o que realmente importa para os consumidores. Antecipar as tensões e contradições do sistema alimentar As relações entre as várias versões de frescura revelam as contradições inerentes aos sistemas alimentares sustentáveis. Por exemplo, promover produtos congelados pode ter vários benefícios: segurança alimentar, nutrição, sabor, e redução do desperdício alimentar. Porém, tal aposta pode resultar em mais gastos energéticos. Estar ciente destas contradições pode orientar o olhar para novas sinergias que minimizam estes resultados. Aposta na reconfiguração do sistema alimentar É necessário apostar na reconfiguração do sistema alimentar que envolvamudanças tecnologicamente viáveis, culturalmente apropriadas e economicamente exequíveis orientando-a para a saúde e sustentabilidade. A emergência da frescura industrial no século XX envolveu uma grande reconfiguração dos sistemas alimentares da altura. Também será possível fazer o mesmo no século XXI com uma coordenação integrada de vários atores.
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