ICS Research Brief 2019 - Observatório de Ambiente, Território e Sociedade
3 METODOLOGIA DO PROJETO O trabalho de campo foi realizado por equipas das Univer- sidades de Sheffield (Reino Unido) e de Lisboa (Portugal). A pesquisa envolveu entrevistas e visitas aos centros de distri- buição alimentar de algumas das principais cadeias de super- mercados nos dois países. Também envolveu entrevistas com pequenos produtores e vendedores, alguns especializados no comércio de proximidade (e.g. talhos, peixarias, frutarias, ini- ciativas de cabazes alimentares). Com os consumidores realizámos entrevistas e acompa- nhámo-los nas compras alimentares, armazenamento dos alimentos (e.g. frigorífico, armários, despensa), preparação e ingestão de refeições, e o seu descarte. Pudemos assim observar e analisar os significados e as atividades em torno da frescura ao longo de todo o processo de aquisição, apro- priação, apreciação e descarte dos alimentos (“deitar fora”). Analisámos também de que forma os significados de “fresco”/ "frescura” se combinam, justapõem, ou são postos em causa por outras qualidades (e.g. sabor, preço, origem de produção, segurança alimentar); e, finalmente, como esses significados são interpretados através de diferentes tipos de conhecimento (e.g. especializado, profissional, mais experiencial/sensorial). Na fase final do projeto promovemos uma série de “eventos de degustação” nos quais observámos e registámos em vídeo a preparação e ingestão à mesa de uma refeição feita pelos próprios participantes e acompanhada por familiares e/ou amigos. PARTE I FRESCURA E SISTEMAS ALIMENTARES A frescura é uma qualidade fundamental dos sistemas agroalimentares contemporâneos. Para entender a sua impor- tância, basta olhar para os dados do Primeiro Grande Inqué- rito à Sustentabilidade em Portugal realizado em 2016 onde o principal critério de escolha alimentar dos portugueses foi a frescura ou “ser [um alimento] fresco” (Figura 1). Mas esta relevância da frescura não é só de agora. Num inquérito do Eurobarómetro realizado há quase uma década (2010) dois terços dos europeus (68%) referiam estar preocupados com a qualidade e a frescura dos alimentos, sendo os portugue- ses os que mais preocupados estavam (86%). Estas preocupa- ções com a frescura foram especialmente observadas entre os cidadãos da Europa do Sul e de Leste. Curiosamente, a preo- cupação com a qualidade e a frescura dos alimentos surgiu um pouco mais alta do que as preocupações com os organis- mos geneticamente modificados (66%), que tanta controvérsia levantaram na opinião publica europeia nas décadas de 1990 e de 2000. Figura 1 - Critérios na escolha de produtos alimentares (média). Escala entre 1 e 5, sendo o 1 o menos importante e o 5 o mais importante. Fonte: Primeiro Grande Inquérito sobre Sustentabilidade, 2016 Ser fresco Ter um preço justo Ser saboroso Ter em atenção o prazo de validade Ter bom aspeto Ser um produto fabricado em Portugal Ser um produto local A informação de determinados ingredientes A informação nutricional A forma de produção Não ser um produto de origem longínqua… A marca do produto 0 1 2 3 4 5 4.33 4.28 4.25 4.11 4.1 3.78 3.74 3.6 3.59 3.57 3.41 3.4 Lorem ipsum Lorem ipsum
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