ICS Policy Brief 2020 - Instituto do Envelhecimento
5 4 População residente Desde a década de 1980, a população residente no município de Lisboa tem vindo a decrescer, tendência que parece man- ter-se na atualidade ainda que a um ritmo mais moderado. Para essa perda populacional tem contribuído o processo de expansão urbana na Área Metropolitana de Lisboa, bem como uma maior especialização das atividades económicas do município (Guimarães et al. 2015). Já o centro histórico da cidade de Lisboa e seu entorno geográfico, conforme aqui definido, segue essa mesma tendên- cia. Entre 1991 e 2011, a população residente neste território decresceu 32,4%, o que nos mapas relativos aos três períodos se reflete na alteração das tonalidades predominantes, mais escu- ras em 1991 e mais claras em 2011, ou seja, indicativas de um menor número de residentes por unidade territorial (figura 2). Em 1991, predominam as secções entre os 500 e os 749 resi- dentes, seguidas das que se situam entre os 750 e os 999 res- identes. O mapa mostra ainda algumas secções com 1000 e mais residentes, sobretudo localizadas na atual freguesia de São Vicente, e a quase inexistência da tonalidade mais clara correspondente ao intervalo entre 0 e 249 habitantes. O mapa de 2001 apresenta tonalidades menos carregadas em relação ao mapa precedente. Excetuando um ou outro caso em que parece haver um crescimento populacional, todas as unidades territoriais perdem residentes de uma forma mais ou menos homogénea. As secções com 750 e mais residentes tornam-se exceções, mas as áreas abaixo de 250 habitantes ainda não emergem. Chegando a 2011, as tendências da década anterior acen- tuam-se. O mapa recobre-se de tonalidades claras e as mais escuras desaparecem. Predominam as secções com 250 a 499 residentes. O intervalo acima, entre 500 e 749, ainda surge em todas as freguesias, embora com escassa representação, o mesmo não acontecendo com o intervalo superior que desa- parece por completo. O dado novo é a emergência de secções com menos de 250 residentes, principalmente nas fregue- sias de Santa Maria Maior e de Santo António. É bem visível a formação de um corredor de baixa densidade populacion- al ao longo dessas duas freguesias, indiciando que algumas secções estão sujeitas a um processo muito intenso de declí- nio populacional. Os contrastes entre as tonalidades dos mapas traduzem espacialmente a evolução do número de residentes de 98 014, em 1991 para 86 229, em 2001 e 66 279, em 2011. O que eles acrescentam é que esta diminuição não é uniforme, reve- lando uma diferenciação entre as freguesias de Santa Maria Maior e de Santo António, mais sujeitas ao processo de declí- nio populacional, e as outras três que, embora dele não com- pletamente isentas, se revelam mais resistentes à perda de residentes. EVOLUÇÃO DA POPULAÇÃO E DA HABITAÇÃO NO CENTRO DE LISBOA Figura 2. População residente, por secção estatística (n.º) Fonte: Censos 1991, 2001 e 2011, INE. População com 65 e mais anos Do ponto de vista do envelhecimento demográfico, o cen- tro de Lisboa conheceu uma trajetória não linear. Com efeito, comparando os mapas relativos a 1991 e a 2001 observa-se um acentuado escurecimento das tonalidades, que expressam o envelhecimento da população residente (figura 3). Em 2001, em quase todas as divisões espaciais predominam as cores mais carregadas a que correspondem percentagens iguais ou superiores a 25%, quando dez anos antes a maior parte das áreas que compõem o centro estava claramente abaixo deste limite. O envelhecimento ocorre por todo o território, embo- ra pareça manifestar-se mais acentuadamente na freguesia de Santa Maria Maior e nas duas freguesias pericentrais a ori- ente e a norte, ou seja, São Vicente e Arroios, respetivamente. De 2001 a 2011, assinala-se uma inversão de tendência, com o mapa a apresentar tonalidades mais claras, indicando que o peso da população de 65 e mais anos recuou em muitas secções. Este decréscimo está particularmente bem represen- tado na freguesia de Santa Maria Maior com a maior parte das suas secções a apresentar valores abaixo de 20%, e em alguns casos mesmo inferiores a 15%, revelando valores que não se registavam pelo menos desde 1991. Apesar desta evolução, há também sinais de alguma continuidade sobretudo no que diz respeito às freguesias pericentrais supracitadas (Arroios e São Vicente) que tendem a mostrar uma concentração mais elevada de população envelhecida do que as freguesias do lado ocidental, ou seja, Misericórdia e Santo António, que se apresentam, deste modo, relativamente mais rejuvenescidas. Atendendo ao decréscimo da população, a redução do peso da população acima de 65 anos na maior parte das secções ter- ritoriais significa que esta última diminuiu a um ritmo mais acelerado comparativamente à mais nova, podendo para isso ter contribuído a entrada de novos residentes que ajudaram a rejuvenescer um pouco a composição etária existente sem, contudo, contrariar a tendência de declínio. A evolução para o conjunto do território mostra também que o pico do envelhecimento foi atingido em 2001 (28,1%) e que, em 2011, o centro da cidade se apresenta menos envelh- ecido (25,3%), embora o peso da população de 65 e mais anos esteja ainda um pouco acima do registado em 1991 (24,5%). A evolução para o conjunto do território mostra também que o pico do envelhecimento foi atingido em 2001 (28,1%) e que, em 2011, o centro da cidade se apresenta menos envelhecido (25,3%), embora o peso da população de 65 e mais anos esteja ainda um pouco acima do registado em 1991 (24,5%). Figura 3. População residente com 65 e mais anos, por secção estatística (%) Fonte: Censos 1991, 2001 e 2011, INE.
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy MTY4OTk1