IE-PolicyBrief-AgeingReport-online

3 projeções são também calculados de forma agregada, propor- cionando uma projeção global da despesa pública associada à idade em sentido lato e em sentido restrito (que exclui a com- ponente do desemprego). Contudo, os números que resultam das projeções são, conforme sublinha o AR, fortemente deter- minados pelos pressupostos subjacentes, razão pela qual são também realizadas análises de sensibilidade para verificar até que ponto as projeções da despesa pública se conformam aos principais pressupostos. Com base nestas análises, são consi- derados cenários alternativos ao cenário de referência ( baseli- ne scenario ), dois dos quais assumem maior protagonismo ao longo do AR, o cenário de risco da produtividade total dos fatores ( TPF risk scenario ) e o cenário de risco do grupo de tra- balho do envelhecimento ( AWG Risk scenario ). Feita a apresentação da estrutura do AR, basta referir que os dados a seguir apresentados dizem apenas respeito à segunda parte do mesmo. Este policy brief começa por expor, em primeiro lugar, a projeção global da despesa pública asso- ciada ao fator etário, passando em seguida a comentar as pro- jeções dos cuidados de saúde, dos cuidados de longa duração e das pensões, por se considerar que são estas as componentes da despesa global mais relacionadas com a questão do enve- lhecimento, que constitui o tópico privilegiado de análise. A PROJEÇÃO GLOBAL DA DESPESA PÚBLICA ASSOCIADA AO FATOR ETÁRIO De acordo com o cenário de referência ( baseline scenario ), a despesa associada ao envelhecimento no conjunto dos países europeus representa, em 2016, 25% do PIB, e estima-se um agravamento da ordem de 1,7 p. p. no período da projeção (2016-2070). O pico do agravamento é, no entanto, atingido sensivelmente no meio do período, refletindo, por um lado, o tempo que demora a fazer-se sentir na despesa o efeito das reformas, e, por outro, o peso demográfico da população com 65 e mais anos, cujo pico é atingido, na maior parte dos paí- ses, bem antes de 2070. Deste modo, a tendência de diminui- ção do peso das pensões só começará a fazer-se sentir após três décadas de crescimento contínuo. Os dados relativos a Portugal corroboram a tendência geral ainda que com números distintos. Assim, o custo total do envelhecimento manter-se-á praticamente inalterado (o agravamento estimado é de 0,1 p. p.), representando 25,5% do PIB em 2070. No entanto, verifica-se, como para a maio- ria dos países, um agravamento da despesa da ordem de 2 p. p. no meio do período da projeção. Mesmo considerando este agravamento, Portugal mantém-se no grupo de países com um crescimento moderado da despesa (até 3 p. p. do PIB). Des- te modo, só a partir de meados do século o país começará a registar uma redução da despesa com o envelhecimento. Apesar de a despesa global não se alterar no final do perío- do, isso não significa que não haja variações ao longo do mes- mo período no que respeita às diferentes componentes da des- pesa associadas ao envelhecimento. Saúde e cuidados estão do lado do agravamento dos custos, representando, respeti- vamente, 2,4 e 0,9 p. p. no final do período, após uma traje- tória de crescimento contínuo. Do lado do desagravamento, encontram-se as pensões, a educação e o desemprego, sendo o contributo das pensões de longe o mais importante (-2,2 p. p.), embora esta diminuição só comece a fazer-se sentir a partir de meados deste século. O panorama da despesa com o envelhecimento também se altera se forem assumidos riscos acrescidos aos que o cenário de referência contempla. Referindo apenas os dois cenários alternativos a que o Relatório dá mais destaque, ou seja, a) O cenário de risco da produtividade total dos fatores ( TPF risk scenario ): Este cenário equaciona o risco de um cresci- mento mais reduzido do PIB em virtude de um crescimento menos dinâmico da produtividade em relação ao cenário de base, mas mais alinhada com a taxa de crescimento regista- da nos últimos 20 anos (0,8%). Neste caso, o PIB cresceria na UE e nos países do euro, em média 1,1% até 2070, em vez de 1,4% como se assume no cenário de base. Os dados relativos a Portugal corroboram a tendência geral ainda que com números distintos. Assim, o custo total do envelhecimento manter-se-á praticamente inalterado (o agravamento estimado é de 0,1 p. p.), representando 25,5% do PIB em 2070. No entanto, verifica-se, como para a maioria dos países, um agravamento da despesa da ordem de 2 p. p. no meio do período da projeção.

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