ICS Portugal Social em Mudança_2021

53 2020, possivelmente devido a uma «normalização» da situação de emergência e de confinamento. Tal poderá ser atribuível à maior disponibilidade e habituação ao uso de equipamento de proteção individual e à rotinização de práticas de distanciamento social, que permitirammais saídas em segurança do que em 2020. A queda nos consumos não domésticos resulta fundamen- talmente da redução de atividade na indústria e, sobretudo, nos Figura 4.6 Variação do consumo de eletricidade na indústria e nos serviços desde o início da pandemia face ao mesmo mês de 2019 (%) Fonte: DGEG, Estimativas Rápidas de Consumo Energético (2020-2021). % Indústria % Serviços -1,5 -12,3 -17,2 -43,4 -19,5 -39,7 -10,3 -29,5 -2.3 -13,2 -0,3 -6,7 -0,2 -5,7 -0,2 -10,9 -5,9 -15,3 1,7 -8,0 -6,8 -20,4 -10,0 -17,3 MAR/20 ABR/20 JUN/20 MAI/20 DEZ/20 JAN/21 FEV/21 MAR/21 ABR/21 AGO/20 SET/20 JUL/20 NOV/20 OUT/20 serviços (figura 4.6). Ambos os setores apresentam um perfil semelhante da taxa de variação mensal face ao mesmo mês de 2019, mas com quedas sempre mais profundas nos serviços, que recorreram muito ao teletrabalho, ao contrário do que aconte- ceu na indústria. Neste setor terá havido alguns trabalhadores de escritório em teletrabalho, mas a grande maioria continuou ativa nas instalações fabris e afins. Aliás, na indústria as quebras de consumo energético estarão associadas também a reduções da produção devido a quedas na procura ou a rompimento nas cadeias internacionais de abastecimento de componentes e bens intermédios. Em simultâneo com as alterações no consumo de eletrici- dade houve também alterações importantes no consumo de combustíveis fósseis. Num primeiro momento, tal resultou da drástica redução da mobilidade decorrente da imposição de fortes limites ao contacto social e a muitas atividades económicas. Por este motivo, há uma forte coincidência temporal entre as alterações de consumo de combustíveis e as alterações do consumo de eletricidade. Em março de 2020, com o início do primeiro confinamento geral, registou-se já uma forte queda nos consumos de gasolina, gasóleo e combustíveis para o transporte aéreo e marítimo, que tiveram o seu ponto mais baixo em abril (figura 4.7). Houve depois uma recuperação até ao verão, seguindo-se alguns meses com oscilações, prevalecendo desde o outono a dinâmica de queda, com o ponto mais baixo em fevereiro de 2021 e recuperações em março e abril, à medida que o confinamento geral foi sendo gradualmente revertido. Restrições na mobilidade e queda no consumo de combustíveis III

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