ICS Portugal Social em Mudança_2021

52 Figura 4.5 – Variação do consumo de eletricidade desde o início da pandemia face ao mesmo mês de 2019 (%) Fonte: DGEG, Estimativas Rápidas de Consumo Energético (2020-2021). Nesta perspetiva, tendo o primeiro confinamento começado na segunda metade de março de 2020, os valores desse mês ainda não traduzem plenamente o que aconteceu nesse período (figura 4.5), registando-se, apesar disso, uma subida próxima de 15% do consumo doméstico relativamente a março de 2019 e uma queda de 6,2% nos consumos dos outros setores. Esta subida mais intensa do consumo doméstico em março (face a uma queda moderada no dos restantes setores) pode ter decorrido da apreensão que se instalou entre os portugueses no início da pandemia. Na sequência das notícias sobre os primeiros casos em Portugal, muitas pessoas terão restringido as suas saídas por iniciativa própria, mesmo antes de o confinamento se tornar obrigatório, o que veio a acontecer no dia 22 de março. Este comportamento cauteloso, justificado pelo desconhecimento e pela relativa novidade pandémica, afetou atividades de lazer e restauração e, por vezes, também as deslocações para os locais de trabalho, tendo ocorrido algumas iniciativas de teletrabalho sem que este tivesse já adquirido obrigatoriedade. O mês seguinte – abril de 2020 – foi o único abrangido integralmente pelo confinamento geral nesse ano e, certamente por esse facto, foi também o mês em que, comparando com 2019, se assistiu ao maior aumento do consumo doméstico de eletricidade (30%), ao mesmo tempo que o consumo nas outras atividades decresceu quase na mesma proporção (28,4%). Nos meses seguintes, à medida que as medidas restritivas do contacto social foram progressivamente retiradas, esses valores foram-se reduzindo, tornando-se bemmenos expressivos a partir do verão. No outono houve alguns conjuntos de dias (fins-de-semana e feriados) com confinamentos mais ou menos intensos, pelo que houve um primeiro aumento das diferenças de consumo face ao que acontecera em 2019, mas um confinamento mais continuado e apertado só voltou a partir de janeiro, com várias fases de intensificação. Finalmente, a partir de 15 de março de 2021 houve uma normalização progressiva das atividades sociais. Com esta normalização, como se pode constatar na figura 4.5, assistimos a um regresso, também ele progressivo, a um padrão de consumo de eletricidade mais regular. Registe-se ainda que a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) só divulgou dados mensais dos consumos energéticos a partir de março de 2020, com informação a remontar a março de 2019, pelo que não foi possível calcular a variação dos con- sumos de janeiro e fevereiro de 2021 face aos mesmos meses de 2019 – aquela que nos permite perceber as alterações em relação à normalidade pré-pandémica. Atendendo aos calendários de confinamento, é de admitir que, em 2021, a alteração mais intensa dos consumos, tendo por base 2019, tenha ocorrido em fevereiro, mas talvez sem ser tão intensa quanto foi em abril de 2020. Isto porque a figura 4.6 deixa perceber que as variações de consumo em março e abril de 2021 foram menos intensas do que em maio e junho de Doméstico Outros 14,3 -6,2 30,7 24,8 20,6 18,5 8,9 7,0 7,8 6,0 11,6 0,0 0,0 21,4 10,4 mar/ 20 abr / 20 mai / 20 jun / 20 jul / 20 ago / 20 set / 20 out / 20 nov / 20 dez / 20 jan / 21 fev / 21 mar/ 21 abr / 21 -28,4 -27,8 -18,1 -7,1 -3,3 -2,6 -5,9 -9,9 -2,7 -12,5 -12,7

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