ICS Portugal Social em Mudança_2021

33 professores com funções de coordenação em escolas públicas confirmava problemas já detetados: por um lado, o 1.º ciclo concentrava particulares dificuldades de aprendizagem; por outro, a falta de equipamentos digitais adequados mantinha-se, afetando o ensino remoto em 80% das escolas inquiridas (CNE 2021). Metade das escolas indicava que até 15% dos seus alunos não dispunham de equipamentos digitais e num quinto das escolas mais de 30% dos alunos não tinham acesso a tais dispositivos. Pior: cerca de 5% dos alunos não tinham participado em qualquer atividade escolar durante o primeiro confinamento. O ensino superior não ficou a salvo de vicissitudes. O governo ditou também recomendações específicas para a sua reabertura após o primeiro confinamento (maio de 2020), bem como para a preparação do ano letivo de 2020/2021 (agosto de 2020). O mesmo ocorreu para o segundo confinamento (janeiro de 2021) e para o posterior desconfinamento (março de 2021), estabelecendo normas gerais em linha com as orientações da Direção-Geral da Saúde. Neste sector, onde a autonomia institucional acabou por ditar uma diversidade de soluções (ensino híbrido, somente à distância ou presencial nas aulas práticas de algumas áreas do saber), as plataformas Colibri e NAU , bem como outras plata- formas institucionais, constituíram o grande suporte de apoio ao ensino à distância. Apesar de a transição para o ensino online ter sido globalmente bem-sucedida (OCDE 2020), a emergência sanitária levou a que a maioria dos conteúdos fosse ministrada em aulas síncronas, que não são a metodologia privilegiada na modalidade de ensino à distância. Importa destacar que as medidas excecionais e temporárias tomadas no ano letivo de 2019/2020 relativamente ao ensino secundário, atrás descritas, não deixaram de ter impacto no acesso ao ensino superior: no concurso desse ano (2020) o número de candidatos aumentou para 62675, o maior volume em 25 anos, tal como o número de vagas disponibilizadas, 56 866 vagas, um aumento de 10,3% face a 2019 (DGES,2020). Perante tais medidas, que afetam o seu quotidiano e o seu futuro, o que têm a dizer os principais visados, ou seja, os jovens estudantes? A transição abrupta do ensino presencial para o chamado «ensino remoto de emergência» atingiu direta e indiretamente um largo espectro da população. Não obstante, de todos os atores implicados, os estudantes terão sido os mais afetados por estas alterações. Num inquérito por questionário online lançado pelo ICS em fevereiro de 2021, que visava conhecer os impactos sociais provocados pela pandemia durante o segundo confinamento, pretendeu-se captar as perceções acerca da experiência do en- sino remoto e os efeitos da pandemia na condição de estudante junto de jovens a estudar, com idades entre os 16 e os 24 anos (Gouveira et. al., 2021). Convidados a avaliar a frequência de aulas a partir de casa, uma proporção bastante significativa dos 1009 respondentes afirma sentir-se desagradada com a experiência (75,6% estão «menos» e «muito menos» satisfeitos com o ensino à distância), Figura 2.5 Grau de satisfação com a experiência de frequentar as aulas a partir de casa Fonte: Inquérito ICS 2021, Os Impactos Sociais da Pandemia: o Segundo Confinamento. Menos 75,8 Mais 24,2 apesar de um quarto (24,2%) dos inquiridos não ser da mesma opinião (figura 2.5). A insatisfação com o ensino à distância é traduzida nas res- postas a uma pergunta aberta do inquérito que solicita aos jovens que escrevam sobre o impacto destas novas restrições no seu dia a dia. As aulas online e a vida estudantil, de uma forma global, são elementos omnipresentes nas suas respostas: Olhar de jovens estudantes sobre o ensino remoto III

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