ICS Portugal Social em Mudança_2021

17 aos casais com filhos onde não residiam menores, estes eram constituídos por indivíduos mais velhos, pertencentes aos escalões de 45-54 anos (45,1%) e, sobretudo, 55-64 anos (51,5%). Eram, portanto, casais na segunda metade da vida ativa e que residiam com filhos jovens ou adultos. Os casais sem filhos eram mais heterogéneos do ponto de vista etário. Caracterizavam-se por estarem sub-representa- dos nos escalões intermédios e sobrerrepresentados nos dois escalões mais jovens, mas também no mais velho. No caso dos casais sem filhos onde não residiam menores, tratava-se, provavelmente, de jovens casais que ainda não tinham filhos e de casais mais velhos cujos filhos já eram autónomos. No caso dos casais sem filhos onde residiam menores (o grupo mais residual desta subamostra), podemos equacionar agregados domésticos de jovens casais sem autonomia do ponto de vista residencial, que ainda viviam com pais e irmãos mais novos, mas também casais mais velhos que, não vivendo com filhos, tinhammenores com eles, como, por exemplo, netos. Figura 1.3 Indivíduos em idade ativa e a viver em casal, segundo o tipo de agregado doméstico e o escalão etário (%), março de 2020 Fonte: Inquérito do estudo ICS/ISCTE COVID-19 ( 1ª vaga). 0,0% 25,0% 50,0% 75,0% 100,0% 18-24 25-34 35-44 45-54 55-64 Teletrabalho (artigo 6. o ); encerramento de instalações e estabeleci- mentos (artigo 7. o ); suspensão de atividades no âmbito do comércio a retalho (artigo 8. o ); suspensão de atividades no âmbito da presta- ção de serviços (artigo 9. o ). Decreto n.º 2-A/2020, de 20 de março No início do primeiro confinamento, a situação profissional da população em idade ativa e a viver em casal do estudo ICS/ ISCTE COVID-19 traduzia já o impacto das medidas do estado de emergência no mercado de trabalho. O teletrabalho, exercido quer em exclusivo, quer combinado com trabalho presencial ou estudos, representava 67% das situações reportadas (figura 1.4), o que não será alheio à especificidade das elevadas qualificações da amostra, compatível com a adoção dessa medida em concreto. Com efeito, constituía uma realidade largamente maioritária entre os indivíduos em idade ativa e a viver em casal, bem distante dos 9,5% de inquiridos que se mantinham a trabalhar só em regime presencial, com ou sem alteração de horários. As férias forçadas, o lay-off e a suspensão ou o termo da atividade – desemprego no caso dos empregados, encerramento de negócio no caso de empregadores –, situações mais penalizadoras do ponto de vista económico e mais geradoras de incerteza quanto ao futuro profissional (Magalhães et al. 2020), representavam já 8,6% dos casos. Outras situações de ausência temporária ou permanente do mercado de trabalho – anteriores à pandemia, por motivo de licença, baixa ou férias programadas e em contexto de estudo ou formação – representavam, globalmente, 13,2%. Agregados domésticos de casais em idade ativa: situação na atividade profissional em março de 2020 III 13,3 31,4 31,8 21,6 Total 1,9 AD casal com filhos onde não residem menores 45,1 51,5 0,1 0,7 2,5 46,5 39,9 AD casal com filhos onde residem menores 6,2 0,2 7,2 27,2 22,4 15,3 30,4 AD casal sem filhos onde não residem menores 4,6 AD casal sem filhos onde residem menores 11,7 20,2 30,9 14,9 22,3

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