ICS Portugal Social em Mudança_2021
16 2 Importa sublinhar que a amostra deste estudo é particularmente qualificada do ponto de vista da escolaridade e das competências digitais, não constituindo um retrato da população portuguesa. Como alertam os autores do estudo no relatório, trata-se de «uma amostra de conveniên- cia, restrita a inquiridos que têm acesso à internet, e que não permite que se façam inferências sobre qualquer população, como, por exemplo, a população portuguesa» (Magalhães et al. 2020, 5). 3 O inquérito não tem elementos que permitam caracterizar os filhos residentes quanto à idade; no entanto, há uma pergunta que permite perceber se há menores de idade no agregado doméstico. Embora nos agregados domésticos em que há filhos e em que que há pelo menos um menor de idade o mais provável seja esse menor ser um filho, não é necessariamente assim, pois o menor em questão pode ser outra criança ou adolescente residente, como, por exemplo, um irmão mais novo ou mesmo um neto. Para esta análise optámos por não entrar nesse detalhe, que levaria ao aumento do número de categorias da variável. população em idade ativa, analisam-se em seguida alguns resultados do inquérito para a subamostra de 5575 indivíduos com idades compreendidas entre os 18 e os 64 anos e que viviam em casal (48,8%da amostra total), ou seja, com cônjuge ou companheiro/a, durante o primeiro confinamento geral da população. Em termos sociodemográficos (figura 1.1), esta subamostra de indivíduos em idade ativa e a viver em casal é constituída por mais mulheres (56,8%) do que homens (43,2%), entre os 35 e os 44 anos (31,4%) e entre os 45 e os 54 anos (31,8%), ou seja, no pico da vida ativa e em idades em que é comum estar a viver com filhos menores de idade, e com ensino superior (86,7%). 2 Estes indivíduos em idade ativa e a viver em casal residiam, então, em agregados domésticos com ou sem filhos (figura 1.2). No caso dos casais com filhos (praticamente dois terços), a maioria tinha pelo menos um menor de idade 3 residente (49,1%). Já no caso dos casais sem filhos (pouco mais de um terço), é interessante verificar que um pequeno número (1,7% do total) vivia pelo menos com um menor de idade. Figura 1.1 Indivíduos em idade ativa e a viver em casal, segundo o sexo, o escalão etário e o nível de escolaridade (%), março de 2020 Fonte: Inquérito do estudo ICS/ISCTE COVID-19 (1.ª vaga). Figura 1.2 Indivíduos em idade ativa e a viver em casal, segundo a existência de filhos/menores no agregado doméstico (%), março de 2020 Fonte: Inquérito do estudo ICS/ISCTE COVID-19 (1.ª vaga). O sexo e o nível de escolaridade não influenciam significa - tivamente a composição dos agregados domésticos de casais em idade ativa, seguindo de perto a distribuição das variáveis na subamostra, mas o escalão etário constitui uma variável diferen- ciadora dos agregados domésticos (figura 1.3). Os agregados de casais com filhos onde residiam menores concentravam-se nos escalões mais prevalentes na subamostra 35-44 anos (46,5%) e 45-54 anos (39,9%), justamente nas idades em que é mais frequente ter crianças ou adolescentes. Eram poucos os casais mais jovens ou mais velhos nas mesmas circunstâncias. Quanto IDADE 21,6 31,8 31,4 13,3 1,9 18-24 25-34 35-44 45-54 55-64 MULHERES 56,8 HOMENS 43,2 SEXO AD casal sem filhos onde residem menores AD casal sem filhos onde não residem menores AD casal com filhos onde residem menores AD casal com filhos onde não residem menores 49,1 15,0 34,2 1,7 SECUNDÁRIO OU BÁSICO 13,3 SUPERIOR 86,7 ESCOLARIDADE
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