Portugal Social em Mudança 2019 - Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Figura 4.2 População incapaz de manter a casa adequadamente quente, UE, 2008-18 (%) Fonte: EUROSTAT, 2019. No que diz respeito aos serviços de energia mais utilizados pelas famílias portuguesas, verifica-se um contraste significativo relativamente aos restantes países da UE. Enquanto no contexto europeu a maior proporção do consumo de energia no setor residencial se deve ao aquecimento do ambiente doméstico (64,6%), em Portugal essa parcela limita-se a 21,1% do consumo de energia dos agregados, sendo a maior parte da energia gasta na cozinha (39,4%, enquanto a média europeia corresponde a 5,5%). Estes dados evidenciam uma forte restrição dos portugueses no acesso ao aquecimento. Aliás, um dos indicadores mais usados para estimar a pobreza energética diz respeito ao acesso das populações a este serviço de energia, traduzido na questão do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (EU-SILC) relativa à incapacidade de manter a casa adequadamente aquecida. Em 2017, apesar da evolução positiva verificada desde 2015, Portugal correspondia ao quinto país da UE em que uma maior proporção da população estava (pelo menos em parte) privada deste serviço energético (Figura 4.2). Um outro indicador fundamental para aferir o acesso aos serviços de energia diz respeito aos seus custos para o consumidor. Os índices de níveis de preços na UE que permitem comparar os preços em cada país, tendo em conta os diferentes níveis de poder de compra, mostram que os custos de eletricidade, gás e outros combustíveis para uso doméstico em Portugal estão bem acima da média europeia, tendo em 2017 sido o terceiro país (depois da Dinamarca e da Alemanha) em que foram mais elevados (Figura 4.3). Considerando apenas os preços da eletricidade, medidos em paridade de poder de compra (PPS), na segunda metade de 2018, os mais elevados registaram-se em Portugal (28,2 PPS por 100 kWh), seguindo-se a Alemanha (28,0) e a Espanha (27,4), e os mais baixos na Finlândia (13,7) (Figura 4.4). Também relativamente ao gás os preços para os consumidores domésticos portugueses estão entre os mais altos da UE quando ajustados ao poder de compra de cada país. De facto, os níveis mais elevados registaram-se na Suécia (10,1), em Espanha (9,7) e em Portugal e na Itália (ambos 9,6), enquanto os mais baixos se verificaram no Luxemburgo (3,5), seguido do Reino Unido (4,7) e da Croácia e Estónia (ambos 5,6) (Figura 4.5). 49 5 - 9 <4 10 - 14 15 - 19 20 - 24 >25 PT ES CY FR BE LU NL DK FI IT DE CZ AT SI HR HU SK 0 400Km UK SE EE LV LT PL BG RO EL IE MT Fonte: EUROSTAT, 2018. Figura 4.3 Índice do nível de preços em paridade de poder de compra de eletricidade, gás e outros combustíveis para os consumidores domésticos, 2017, UE=100 89 - 90 <=79 90 - 99 100 - 109 110 - 114 >=115 PT ES CY FR BE LU NL DK FI IT DE CZ AT SI HR HU SK 0 400Km UK SE EE LV LT PL BG RO EL IE MT

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