A Transição Alimentar na AML_Final

26 27 Fig. 1 – Ocupação do solo na Área Metropolitana de Lisboa em 2018. Da AML provêm 12% do total dos alimentos produzidos em Portugal para consumo nacional, o que implica uma diversidade muito considerável de atores públicos, privados, individuais e coletivos, governamentais e não governamentais. Contudo, este território não se encontra ainda planeado na perspetiva de um sistema alimentar sustentável e resiliente, tendo sido esse o propósito da constituição da RMPA. Assim, a RMPA é definida como um conjunto diverso de territórios, iniciativas e atores da AML que têm como objetivo o planeamento e a gestão do seu sistema alimentar. Funcionará através de uma plataforma colaborativa de entidades públicas e privadas que prosseguem princípios de sustentabilidade relativamente ao nexus solo, água, biodiversidade e energia, com vista a uma alimentação segura, saudável, inclusiva e responsável da população metropolitana. Promove a economia circular, resiliente e de proximidade, atende à adaptação climática, cria emprego, promove a saúde e o bem-estar e respeita a equidade social. Apoia, ainda, a dieta mediterrânica, reforça a identidade cultural, ao mesmo tempo que incentiva a inovação científica e tecnológica nas diversas componentes do sistema alimentar, contribuindo para a formação, capacitação e sensibilização dos agentes ativos do sistema alimentar e empenhando-se no aumento da literacia alimentar e na transição para a digitalização. Como visão, a RMPA, em 2030, poderá assegurar 15% do aprovisionamento alimentar da AML, baseado em modos de produção sustentáveis, redes de distribuição de baixo carbono e em circuitos alimentares de proximidade que cumpram com os critérios de inclusão e segurança alimentar. Os produtos RMPA estarão disponíveis e acessíveis para o consumo alimentar responsável de todos os cidadãos da AML e serão uma mais valia para a promoção de um turismo responsável e ético. A RMPA oferece oportunidades de recreio e de turismo gastronómico e cultural em todo o seu território, constituindo-se como uma iniciativa inovadora que contribui para a valorização sócioecológica e económica da AML e para o fortalecimento das sinergias urbano-rurais. As entidades e os atores que aderirem à RMPA terão que contribuir para a implementação do seu roteiro de ação no decorrer da próxima década, roteiro esse que é estruturado por seis objetivos: 1. Definição de estratégia de planeamento e gestão do sistema alimentar metropolitano na articulação com o ordenamento e a gestão do território; 2. Apoio à organização de circuitos curtos para garantir o abastecimento de proximidade; 3. Criação de uma plataforma colaborativa de entidades públicas e privadas para a operacionalização da estratégia e dinamização da RMPA; 4. Criação de uma marca própria que certifica os produtos RMPA; 5. Promoção de uma campanha de comunicação para a alimentação responsável e promoção da marca RMPA; 6. Definição e implementação de um programa de formação, capacitação e educação.

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