A Transição Alimentar na AML_Final
24 25 Sempre que possível, as áreas de produção sustentável deverão ser integradas na Estrutura Ecológica Municipal, podendo-se configurar como parte da infraestrutura verde e azul, através da qual áreas urbanas e rurais de um município poderão estar conectadas com oportunidades de recreio e a produção de serviços de ecossistema que assegurem melhor saúde e bem-estar à população local. A este nível, os espaços de produção urbanos deverão ser parte integrante desta infraestrutura verde. É muito importante que, a par da estratégia de planeamento alimentar local, seja promovida uma alimentação adequada e responsável, investindo não só em ações de literacia alimentar associadas a uma maior consciência ecológica, cultural e cívica, como também em contextos facilitadores da prática de uma alimentação mais saudável, sustentável e inclusiva. Por sua vez, o âmbito regional constitui-se como nível de intermediação de visões e estratégias entre o nacional e o local. O planeamento alimentar para as regiões é, assim, de crucial importância, não só para permitir a organização de iniciativas em rede, mas em especial pela capacidade de dinamização entre áreas urbanas e rurais, podendo responder à valorização do solo rústico e à consolidação de estruturas de proteção ambiental e de conectividade ecológica. A elaboração dos Programas Regionais de Ordenamento do Território constitui-se como uma oportunidade para integrar o planeamento do sistema alimentar nos modelos territoriais e soluções inovadoras que respondam aos desafios societais atuais, ao mesmo tempo que reforçam a coesão territorial regional e nacional. É neste contexto que a RMPA deverá ser definida e implementada. Este planeamento deveria, assim, ser orientado para garantir uma maior segurança alimentar, eficiência económica e energética, qualidade ambiental e paisagística, conservação da biodiversidade, adaptação às alterações climáticas, criação de emprego, promovendo a dinâmica urbano-rural, economia circular e desenvolvimento local, como resultado de uma visão estratégica bem articulada entre os diversos instrumentos de gestão territorial e outros instrumentos de política pública setorial. 2.3. QUEM FAZ A TRANSIÇÃO ALIMENTAR NA AML? Todos os atores do sistema alimentar metropolitano que queiram comprometer-se com os princípios de atuação da RMPA poderão incluí-la. Nem sempre temos a percepção do território e dinâmica socioeconómica e cultural que a AML abarca. Com uma localização extraordinária em relação ao país, ao estuário do Tejo e ao oceano Atlântico, encontram-se aqui excelentes condições para que a RMPA possa ajudar a fazer a transição alimentar, tornando o seu sistema alimentar ainda mais dinâmico, resiliente e sustentável. A Área Metropolitana de Lisboa (AML) ocupa um lugar central no território continental português (Fig.1). Com uma superfície total de 2.994 km2, a AML inclui 18 municípios e corresponde a cerca de 3,3% do território nacional; a sua população de cerca de 2,75 milhões de habitantes representa cerca de 30% da população portuguesa. Considerando as principais características biofísicas, esta área metropolitana é bastante diversificada, com um relevo moderado dominado pela morfologia plana e zonas de baixa altitude que constituem a extensa planície das bacias sedimentares dos rios Tejo e Sado. Na AML, em 2018 (COS, 2018), o solo com ocupação agrícola corresponde a cerca de 38%, onde se incluem as pastagens, seguindo-se as áreas florestais em aproximadamente 32% do território, o que deixa claro que a produção de alimentos e de serviços ambientais tem um significativo papel a desempenhar no sistema alimentar urbano. Visita RMPA. Courela dos Pegos Bio, Palmela. Sintra Cresce Saudável: intervenção para a promoção de estilos de vida saudáveis em contexto escolar. Câmara Municipal de Sintra.
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