A Transição Alimentar na AML_Final
18 19 2. TRANSIÇÃO ALIMENTAR NA AML A transição alimentar pode ser entendida como o processo de mudança necessária para assegurar dietas mais saudáveis e sustentáveis, baseadas numa diversidade de alimentos, na sua maioria de origem vegetal, e num consumo mais moderado de carne e peixe. A adoção de práticas alimentares mais responsáveis pressupõe também cortes dramáticos nos resíduos envolvidos no fornecimento, distribuição e consumo alimentar. Atualmente, cerca de 30% dos alimentos produzidos não são consumidos, ou porque não chegam aos mercados e apodrecem (a causa predominante das perdas nos países em desenvolvimento), ou porque não são consumidos e são deitados fora (a causa predominante das perdas nos países desenvolvidos). A redução das perdas e desperdícios alimentares traria benefícios substanciais na melhoria do estado de conservação do capital natural, em especial do solo, da água e da biodiversidade, com significativos ganhos em termos energéticos, de descarbonização da economia e da emissão de gases com efeito de estufa. Esta transição reconhece os potenciais benefícios nutricionais dos diversos alimentos e sistemas alimentares de proximidade e a necessidade de reduzir globalmente as pressões impulsionadas pela procura baseada no mercado alimentar global, garantindo ao mesmo tempo a segurança alimentar em todas as suas dimensões. Em Portugal, muitas das iniciativas que têm emergido para responder a este apelo de mudança correspondem a projetos cuja ancoragem espacial e territorial é relativamente circunscrita. A RMPA entende, assim, que para fazer esta transição é fundamental a adoção de novos modelos e comportamentos, pelo menos a três níveis: (i) do ordenamento e gestão do território e suas dinâmicas a partir de modelos de planeamento alimentar inovadores que organizem as diversas componentes do sistema alimentar de modo mais eficiente, assegurando o abastecimento alimentar de proximidade, com garantias para a segurança alimentar e para o ambiente, ao alcance dos consumidores da área metropolitana; (ii) da esfera do cidadão e da sociedade na adoção de hábitos alimentares que permitam restabelecer a ligação ao território e à paisagem através de uma maior literacia alimentar e da adopção de dietas mais saudáveis, resilientes e inclusivas. (iii) da esfera da economia, encorajando as empresas a promover a sustentabilidade através de modelos de negócio inovadores que valorizem as cadeias de abastecimento e o redesenhar de carteiras de produtos. Produção hortofrutícola e venda na exploração - Quinta da Várzea, Setúbal.
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