Relatório OFAP 2020
8 NOTA INTRODUTÓRIA Neste ano de 2020, a Pandemia de COVID-19 tomou conta das vidas individuais e coletivas a uma escala global sem precedentes. Desde o início do ano que já foram infetadas mais de 10 milhões de pessoas em todo o mundo e contabilizam-se mais de meio milhão de mortes. E o pior ainda está para vir … alertava, ainda ontem, o Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. Simultaneamente protagonistas e espetadores deste momento dramático da História, temos acompanhado o imenso teatro de operações, onde cientistas, decisores políticos e profissionais no terreno, dos mais diferentes setores de atividade, trabalham “a contra-relógio” para fazerem face a uma crise global, multidimensional e com impactos ainda inimagináveis e incalculáveis. As ciências sociais, nomeadamente à escala nacional, também têm procurado responder ao imenso desafio que é o de conhecer e dar a conhecer “a quente” uma realidade em incessante mutação. A este nível destaco o estudo O Impacto Social da Pandemia – Estudo ICS/ISCTE Covid- 19 , desenvolvido por uma equipa de investigadores das duas instituições e baseado em duas vagas de inquirição online à população residente em Portugal com 16 e mais anos 1 . Apesar de a auscultação ter decorrido logo no início deste contexto pandémico (entre 25 e 29 de março e entre 24 de abril e 4 de maio), os efeitos nas vidas de indivíduos e famílias eram já notórios, não escapando às expectáveis regularidades e desigualdades sociodemográficas. No entanto, vai demorar para que possamos observar a extensão destes efeitos nas estatísticas oficiais, aquelas que alimentam o trabalho dos Observatórios, como é exemplo o OFAP, de monitorização da evolução de indicadores e de identificação de tendências. O presente Relatório do OFAP, relativo a 2018, retrata, então, uma realidade pré-Pandemia que já nos parece distante. No entanto, esta é, sem dúvida, uma missão central do OFAP e um dos seus principais compromissos: mapear os desenvolvimentos das políticas de família em Portugal. Desde 2010, há precisamente 10 anos, que o fazemos de forma rigorosa e sistemática, procurando não perder o fio-da- meada das mudanças legislativas com potenciais impactos na vida das famílias, assim como da evolução de indicadores-chave que retratam esses impactos. Acalentando os mesmos objetivos e não descurando o rigor e a clareza a que os Relatórios do OFAP já nos acostumaram, o presente Relatório contém uma novidade: foi preparado e é da autoria de Rita B. Correia, a quem agradeço publicamente todo o trabalho desenvolvido ao longo de muitos meses para termos, hoje, esta publicação de grande qualidade e, esperamos, de ampla divulgação. A Rita B. Correia tem vindo a colaborar ativamente com o OFAP, participando ou assumindo várias atividades ao longo dos anos. Para além da produção deste Relatório, 1 Relatórios disponíveis em: https://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/42911/1/RelatorioInqueritoICSISCTE.pdf; https://www.ics.ulisboa.pt/docs/RelatorioInqueritoICSISCTE2Vaga.pdf.
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