Relatório OFAP 2020
67 Se, em termos globais, a cobertura é satisfatória, tendo 89% dos concelhos do Continente (248 em 278) alcançado a meta de Bolonha de 33% em 2018 é, no entanto, de referir a persistência das assimetrias territoriais já mencionadas em relatórios de anos anteriores: as áreas mais populosas de Lisboa, Porto e Setúbal encontram-se ainda aquém desse valor de cobertura face à população residente; já os territórios do interior, menos populosos, nomeadamente os distritos da Guarda, Castelo Branco e Portalegre, eram os que registavam as taxas de cobertura mais elevadas de repostas para a 1.ª infância 98 . No que diz respeito à taxa de utilização das creches, esta tem vindo a ter uma evolução positiva desde 2016, em consonância com o aumento da população residente nesse escalão etário. Em 2018 a taxa de utilização média das respostas para a 1.ª infância alcança os 85,5%, valor mais elevado dos últimos 7 anos (dados referentes a Portugal Continental). No que diz respeito ao tempo de utilização, de acordo com o Relatório da Carta Social de 2018, 45% das crianças permanecem na creche até oito horas por dia, enquanto 46% registam uma frequência média de oito a dez horas diárias. Quer isto dizer que existem 9% de crianças que frequentam a creche mais de 10 horas por dia. No relatório sobre o Estado da Educação em 2018 99 , é observado que o aumento das horas de abertura das creches, e sua progressiva maior utilização em termos de horas diárias pelas crianças, embora com óbvias e importantes vantagens para a gestão dos compromissos profissionais e familiares dos pais, revela uma tendência preocupante. A necessidade de as famílias utilizarem os recursos das creches na sua oferta horária máxima promove, segundo as autoras, uma excessiva institucionalização que “pode comprometer a qualidade de vida das crianças, 98 Carta Social. 2018. IGFSS-ESS. 99 CNE. 2019.
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