ICS Research brief 2019 - Observatório de Ambiente, Território e Sociedade

7 Frequência da abordagem pelas mães Tema Questões colocadas com muita frequência • Que tipo de produtos cosméticos (cremes, perfumes, champô) podem usar nos bebés e crianças pequenas Questões colocadas às vezes • A utilização de produtos cosméticos como tintas para o cabelo, vernizes ou maquilhagem • Se devem consumir produtos alimentares de modo de produção biológico • Se devem evitar ambientes poluídos (locais com maior poluição atmosférica) Questões raramente colocadas • O que são substâncias desreguladoras endócrinas • Peixes que podem conter metais pesados • Se devem evitar produtos que contenham substâncias como: Bisfenol A, Parabenos ou Ftalatos • Que produtos devem evitar utilizar em casa (ambientadores, detergentes, detergentes com perfume, etc.) • Se podem participar em tarefas de reabilitação/renovação da casa, de móveis ou outros produtos • Se devem evitar o consumo de alimentos que contenham organismos geneticamente modificados (OGM) • Se devem evitar produtos que contenham nanopartículas • Se devem ter cuidados com a utilização de embalagens/utensílios de plástico 3. Químicos perigosos em produtos de quotidiano - As preocupações das mães Das entrevistas realizadas a trinta mulheres durante a ges- tação e após o nascimento das crianças, parece ser claro que a perceção partilhada entre os profissionais de saúde de que a preocupação com o tema das substâncias químicas perigosas em produtos do quotidiano ainda não é comum entre as gestantes é confirmada. Denota-se uma perceção social pouco marcada sobre as possíveis implicações de algumas substâncias químicas na sua saúde e na saúde do bebé, parecendo haver ainda um significativo afastamento da realidade observada noutros países europeus sobre este tema. “Não alterei nada e não tenho nenhuns critérios (…) para a loiça acho que o XXX é melhor do que os outros, mas se calhar é uma parvoíce. Para a máquina de lavar loiça uso uma marca qualquer. Máquina de lavar loi- ça, duches, champôs é tudo o que estiver em promoção no supermercado.” Entrevistada 2, Doutorada, 2ª gravidez “A única coisa que se altera com a roupa do bebé é que é lavada à mão e não na máquina. De resto, manteve-se tudo igual. É de supermercado, o detergente para a roupa. Os produtos de limpeza são todos básicos e vêm do supermercado. Tento usar os cheiros mais neutros que eu encontro. Na roupa, a marca que prefiro é aquela que não é marca branca e está em promoção. Na casa, há muitas coisas que são de marca branca (chão, casas de banho). Os detergentes da bancada e da casa de banho são anti- bacterianos. Não sei se me dá mais segurança ou se é o que eu sempre vi. Faz-me sentido.” Entrevistada 15 – 12º ano, 2ª gravidez “Estamos a utilizar os mesmos produtos. Sobre os produtos que usa- mos, nunca nos passou isso pela cabeça e pensar sobre os químicos que contêm. Mantivemos os que utilizávamos.” Entrevistada 12 - Licenciada, 1ª gravidez “A parte horrível é que tem que ser sem amoníaco e a tinta sai em menos de um mês. Isto é terrível porque eu pinto o meu cabelo desde os 13 anos de preto. E eu também fazia alisamento que me durava cerca de um ano, tinha sempre o cabelo arranjado, e agora grávida não posso fazer isso. Não posso fazer nem grávida, nem a amamentar. Vamos ver quanto tempo é que vai ser o sofrimento. Posso alisar com a prancha, mas não é a mesma coisa que estar sempre arranjado. A minha cabeleireira informou-me e eu depois tirei as teimas com o meu obstetra. Disse-me que as tintas só sem amoníaco. O alisamento, nem a amamentar. Se eu soubesse, tinha feito antes.” Entrevistada 6, 12º ano, 1ª gravidez A alimentação Mesmo em áreas mais específicas como a alimentação, o foco tende a ser nas componentes mais vocacionadas para a nutrição adequada durante o período da gravidez para evitar o aumento de peso excessivo ou para prevenir infeções por agentes patogé- nicos que podem ser prejudiciais à gestação (toxoplasmose, por exemplo). De qualquer modo, a alimentação é a área onde já se nota uma maior consciência da importância da proveniência dos ali- mentos, seja os certificados como “biológicos”, seja os que são produzidos localmente ou por pessoas conhecidas. No caso dos alimentos em modo de produção biológico, ainda que exista o

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