ICS Policy Brief 2019 - Instituto do Envelhecimento

6 Considerando a população com 65 e mais anos residente em Portugal, verifica-se que, entre 2001 e 2011, o peso do arrendamento (privado e social) 8 diminuiu 5,3%. No caso dos municípios de Lisboa e do Porto há uma redução mais sig- nificativa, acima dos 10%. Apesar de a tendência ser no sen- tido decrescente, em 2011, o peso do arrendamento privado permanece muito elevado. Em Lisboa, 37,1% dos seniores representantes do alojamento 9 vivem em arrendamento, e no Porto, 31,9% (figura 5), contrastando fortemente com a média nacional em que o arrendamento privado entre a população sénior representa 16,5%. De salientar ainda o peso do arrenda- mento social na população sénior em contextos urbanos, em 2011, ano para o qual existe registo censitário, de 16,9% no Porto e 11,6% em Lisboa, quando a proporção a nível nacional se situa nos 3,1%. Quanto aos perfis dos arrendatários com 65 e mais anos, em Portugal, entre 2001 e 2011, os seniores arrendatários reproduzem, em traços largos, a tendência e a estrutura da população residente em Portugal. 10 Deste modo, o número de seniores com 75 e mais anos por cada 100 seniores com 65 e mais anos 11 é mais elevado em 2011 (46%) do que em 2001 (37,2%), revelando que o envelhecimento entre a população sénior se acentuou, ainda que se mantenha estável a sobrerre- presentação do sexo feminino (ligeiramente acima dos 59%), atendendo à sua esperança de vida mais elevada. Do ponto de vista da escolaridade, predominam os baixos níveis de escolaridade. Não se registando progressos entre os dois momentos censitários, 78% da população sénior detém o nível de escolaridade mais baixo (até ao 1.º ciclo do ensino básico). Referindo a tipologia de agregados domésticos, o casal sem filhos é a categoria mais frequente (43,1%), que permanece inalterada entre 2001 e 2011. Já os agregados constituídos por um casal com filhos (ou família monoparental com filhos) e agregados domésticos de famílias complexas perdem expres- são de 2001 para 2011 (8,4% e 24,4%, respetivamente). Tendên- cia inversa, de crescimento, é observada na proporção de senio- res a residirem sós, que passam de 28%, em 2001, para 32,5% em 2011. Este aumento, de 16,1%, pode traduzir-se num risco mais elevado de isolamento e de vulnerabilidade dos seniores. No que respeita à ocupação dos alojamentos, que traduz em certa medida a adequação do alojamento à dimensão fami- liar, a média de quartos por pessoa aumenta de 1,9 em 2001 para 2,6 em 2011. Conjugando este aumento com a tendên- cia de crescimento da proporção de seniores que vivem sós, deduz-se que a saída de elementos do agregado, por dissolução familiar ou morte se traduziram num desajustamento entre a dimensão do alojamento e a do agregado doméstico. TENDÊNCIAS E PERFIS DOS SENIORES EM ARRENDAMENTO PRIVADO, PORTUGAL 8 Tendo em conta que os microdados do Censos 2001 não distinguem arrendamento privado de arrendamento social, a análise da evolução 2001- 2011 concentra-se no sector do arrendamento lato sensu. 9 Adotando a terminologia utilizada pelo INE, o representante do alojamento é o elemento que representa a família residente no alojamento. 10 Consultar Bandeira, et al. 2014 para mais informação sobre a evolução e estrutura da população residente em Portugal. 11 Esta relação é denominada por índice de longevidade. Quanto mais elevado o índice, mais envelhecida é essa população sénior, nesse período. Figura 5 - Alojamentos clássicos ocupados como residência habitual cujos representantes têm 65 e mais anos, segundo o regime de ocupação, Portugal, Lisboa e Porto, 2001-2011 Fonte: Microdados dos Censos 2001 e 2011, INE. Cálculos dos autores. Figura 5 Alojamentos clássicos ocupados como residência habitual cujos representantes têm 65 e mais anos, o regime de ocupação, Portugal, Lisboa e Porto, 2001-2011 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Portugal Lisboa Porto Portugal Lisboa Porto 2001 2011 % Arrendamento privado Propriedade Arrendamento social Outra situação

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