ICS Portugal Social em Mudança_2021
49 A crise de saúde pública desencadeada pela COVID-19 teve impli- cações significativas no setor energético, refletindo-se na diminuição do seu consumo total e das emissões de gases de efeito de estufa. Em contrapartida, as famílias, forçadas a uma maior permanência em casa, viram aumentados os seus consumos domésticos. Neste capítulo ana- lisam-se as consequências da pandemia sobre os padrões de consumo energético, enquadrando o caso português nas tendências gerais. O surto de coronavírus detetado em dezembro de 2019 emWuhan, uma cidade longínqua na China, disseminou-se por todos os cantos do globo com uma grande rapidez, infetando milhões de pessoas e induzindo como resposta uma forte limitação do contato social, que levou à paragem de muitas atividades e à relocalização de outras nos locais de residência. Isto afetou brutalmente as atividades quotidianas de transporte e induziu grandes alterações nos consumos energéticos. A recessão generalizada que se seguiu teve efeitos contraditórios, contribuindo para uma redução momentânea nos preços da energia (e. g., petróleo), mas reduzindo os incentivos económicos para as energias renováveis. Neste contexto, uma crise de saúde pública acabou por originar um conjunto de crises interligadas de cariz social, económico, político e até ambiental. Do ponto de vista da Agenda 2030, o mundo terá regredido de forma desigual, emergindo as maiores taxas de retrocesso onde a necessidade de avançar mais se fazia sentir (Schmidt e Guerra, 2018). Este capítulo procurará abordar estas questões, focando-se em particular nas consequências da pandemia sobre o ODS 7 – Energias Renováveis e Acessíveis, nomeadamente nas mudanças nos padrões de consumo energético decorrentes da resposta à crise pandémica. PORTUGAL SOCIAL EM MUDANÇA IMPACTOS SOCIAIS DA PANDEMIA COVID-19 4 Madalena Duque dos Santos, Paulo Miguel Madeira, João Guerra, Luísa Schmidt MOBILIDADE LIMITADA E CONSUMOS DE ENERGIA
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy MTY4OTk1