ICS Portugal Social em Mudança_2021

46 Mesmo numa análise genérica, como esta, não é fácil avançar explicações possíveis para os padrões identificados. Até porque estes estão longe de serem consistentes ou de refletirem critérios de agregação completamente coerentes. Certamente uma análise mais detalhada poderia levantar pistas mais promissoras. No entanto, os padrões referidos não contrariam antes pelo contrário, contribuem para a sustentar a hipótese, adiantada no início do capítulo, de que o impacto da pandemia seria mais significativo nas áreas de estrutura populacional mais envelhecida. O facto de o interior registar níveis de infeção mais elevados corrobora nesse sentido, apesar de esta relação ser bastante mais dúbia noutros casos, como o litoral norte, uma das áreas menos envelhecidas do país, que surge associada a um nível de infeção relativamente elevado. Uma razão que pode ajudar a explicar esta, apesar de tudo, ténue relação entre a estrutura envelhecida da população e o nível de infeção tem a ver com o facto de os níveis de infeção, como anteriormente se analisou, só serem intensos no grupo de 85 e mais anos, enquanto os outros dois grupos mais novos e mais numerosos (65-74 anos e 75-84 anos) apresentavam níveis abaixo da média. Por conseguinte, a relação seria sobretudo visível nas áreas com estruturas etárias bem envelhecidas, algo que os dados comentados se inclinam a admitir. A figura 3.11 referencia os óbitos por Covid-19 na população de 65 e mais anos em função da população do município usando as mesmas fontes e procedimentos estatísticos do mapa anterior. Em comparação com este, apresenta algumas semelhanças, em particular a alta incidência da mortalidade nos municípios fronteiriços do interior do país, bem como em alguns municípios dispersos, refletindo a associação entre mortalidade e infeção. No entanto, há também aspetos em que se afasta, nomeadamente no que respeita a áreas da região metropolitana de Lisboa e a outras que com ela comarcam, em particular as situadas no Alentejo. Contrastando com a figura anterior, em que a área do litoral norte surge com níveis de infeção mais elevados do que a região de Lisboa, no que que respeita à mortalidade as posições invertem-se, assumindo esta última região mais relevo. É certo que se refere uma vasta região, mas o contraste com a área metropolitana do Porto e em redor dela sobressai, sugerindo que a mortalidade atingiu mais intensamente a população mais velha a sul do que a norte. Mais uma vez não é fácil sugerir explicações para este padrão. É certo que algumas áreas em causa, designadamente municípios alentejanos, apresentam uma estrutura etária envelhecida, mas outras, especialmente na área metropolitana de Lisboa, não podem ser classificadas deste modo. A relação entre o envelhecimento populacional municipal e o nível de mortalidade não se ajusta neste caso, embora continue a funcionar no que respeita aos municípios mais afetados do interior do país, sugerindo que, como em relação ao nível de infeções, existem outras razões, além das estruturas etárias, para entender os padrões de dispersão da pandemia. Figura 3.11 Óbitos, população com 65 e mais anos (por 100 000 habitantes), por município Fonte: Cálculos dos autores com base nos microdados de Covid-19 (DGS) e nas estimativas da população residente (INE). 0 50 Km 751 - 750 501 - 750 101 - 500 0 - 100 1001 - 1500 1501 - 2000 2001 - 2778 Mortalidade por 100 mil, + 65 0 50 Km 7501 - 10000 5001 - 7500 1001 - 5000 0 - 1000 10001 - 15000 15001 - 20000 20001 - 22953 Incidência por 100 mil, +65 0 50 Km 751 - 750 501 - 750 101 - 500 0 - 100 1001 - 1500 1501 - 2000 2001 - 2778 Mortalidade por 100 mil, + 65

RkJQdWJsaXNoZXIy MTY4OTk1