ICS Portugal Social em Mudança_2021

39 Numa primeira aproximação à informação, é possível desta- car duas tendências gerais que salientam, desde logo, o impacto diferenciador da idade e do género na pandemia Covid-19. A primeira, que recobre o que é do conhecimento público, mostra que, em termos absolutos, os casos confirmados de infeção são bastante mais numerosos nos escalões etários mais novos, enquanto o número de óbitos atinge sobretudo os mais velhos (figura 3.1). Com efeito, cerca de 80% dos 846 245 casos confirmados acontecem abaixo dos 65 anos, verificando-se o oposto, e de uma forma ainda mais concentrada, em relação aos óbitos, ou seja, mais de 93% dos 16 397 óbitos reportados ao longo do período coberto pelos dados, entre os que têm 65 e mais anos. Figura 3.1 Casos confirmados e óbitos acima e abaixo dos 65 anos, Portugal, semanas 11 de 2020 a 25 de 2021 (%) Fonte: DGS, microdados Covid-19. Figura 3.2 Casos confirmados e óbitos por género (%), Portugal, semanas 11 de 2020 a 25 de 2021 (%) Fonte: DGS, microdados Covid-19 < 65 anos > 65 anos Casos confirmados Óbitos Homens Mulheres A segunda tendência coloca em evidência o género, na medida em que as mulheres são mais infetadas pela Covid-19 e os homens estão mais representados na mortalidade. Consi- derando os valores absolutos, as infeções femininas confirmadas dizem respeito a 55% do universo em causa, enquanto os óbitos masculinos representam 52,7% do total (figura 3.2). Idade e género na pandemia I Porém, estas tendências gerais encobrem variações impor- tantes que ocorrem ao longo das idades, mas sobretudo nos escalões etários mais velhos, donde resultam, aliás, os contornos e as especificidades que caracterizam o alastramento epidémico atual. É por isso conveniente considerar um elenco etário mais alargado, acima e abaixo de 65 anos, repartido pelo género. À luz desta segmentação, no que respeita ao número de casos confirmados, verificam-se ligeiras flutuações entre os perfis masculino e feminino (quadro 3.1). A principal diferença reside no facto de o primeiro assumir valores um pouco mais altos nos escalões mais jovens e o segundo perfil nos escalões acima dos 75 anos. Poder-se-ia assim dizer que nos homens a exposição à infeção por Covid-19 tende a ser mais acentuada nos grupos etários mais jovens, enquanto nas mulheres se manifesta mais intensamente a partir dos 75 e mais anos. Perfis semelhantes surgem também no plano da mortalidade, ainda que com contornos distintos. A mortalidade manifesta-se mais prematuramente no género masculino, que regista 8,6% dos óbitos entre os 40 e os 64 anos, e mais tardiamente no género feminino, que regista uma concentração de óbitos nos escalões etários mais elevados. Com efeito, o grupo dos 85 e mais anos representa nas mulheres mais de metade dos óbitos (58,6%), contrastando com os 39,7% nos homens. Uma razão que contribui para explicar esta última disparidade numérica reside na maior longevidade feminina, que faz com que este grupo etário seja bastante mais numeroso, representando mais do dobro do grupo dos homens, e registe, por isso, um número de óbitos mais elevado. Casos confirmados Óbitos 80,54 19,46 93,17 6,83 45,45 54,55 52,63 47,37

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