ICS Portugal Social em Mudança_2021

19 Figura 1.5 Proporção de indivíduos em idade ativa e a viver em casal que estavam em teletrabalho, segundo o sexo, o escalão etário e o nível de escolaridade (%), março de 2020 Fonte: Inquérito do estudo ICS/ISCTE COVID-19 (1.ª vaga). (69,1% e 70,9%), idades em que é comum ter filhos menores nos agregados domésticos, como também já tivemos oportu- nidade de observar. Mas é o nível de escolaridade que marca a diferença mais significativa, com uma particular incidência entre os profissionais com ensino superior, por comparação com os que têm o ensino secundário ou básico. Com o intuito de apreender a dimensão experiencial da súbita transformação do contexto e das condições de exercício da atividade profissional no quadro do teletrabalho, o inquérito do estudo ICS/ISCTE COVID-19 tinha um bloco de perguntas específico para a população que se encontrava nessa situação, isto é, de avaliação das condições que considerava ter para o seu desempenho. A primeira constatação é que a grande maioria dos indivíduos em idade ativa e a viver em casal considerava ter as condições adequadas para exercer a atividade profissional em teletrabalho (figura 1.6), seja em termos de equipamentos, internet e espaço (72%), seja em termos da situação familiar (64%), seja em termos da gestão do tempo (62,7%). Não ter as condições mínimas constituiu a realidade de uma ínfima proporção de indivíduos, com valores inferiores a 5%. Esta imagem, globalmente positiva, das condições para o desempenho do teletrabalho não deixa de ser surpreendente, tendo em conta que o inquérito foi aplicado logo no início do primeiro estado de emergência. Tal tem de ser lido, mais uma vez, à luz da especificidade da população inquiri - da, detentora de competências digitais e recursos tecnológicos, características que terão favorecido a rápida adaptação do espaço doméstico à situação do teletrabalho. Contudo, importa assinalar que, enquanto a esmagadora maioria dos agregados de casais sem filhos onde não residiam menores tinha condições adequadas para o teletrabalho, em especial no que toca à gestão do tempo (82,9%) e situação familiar (85,3%), os agregados de casais com filhos onde residiam menores foram os que mais dificuldade tiveram para reunir essas condições, pelo que reportaram mais vezes terem apenas as condições mínimas, ou mesmo (embora residualmente) não terem sequer essas condições. Sem surpresa, mais de metade dos inquiridos que viviam nestes agregados referiu que a gestão do tempo e da situação familiar foi mais difícil: 54,5% e 54,2%, respetivamente, tinha apenas condições mínimas ou nem isso. Os agregados de casais com filhos onde residiam menores foram os que mais dificuldade tiveram para reunir condições adequadas ao teletrabalho. 66,2 67,6 SEXO MULHERES HOMENS ESCOLARIDADE 37,9 71,4 SECUNDÁRIO OU BÁSICO SUPERIOR IDADE 30,2 63,1 69,1 70,9 63,9 18-24 25-34 35-44 45-54 55-64

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