ICS Portugal Social em Mudança_2021
14 643 800 pessoas empregadas não estavam a trabalhar no em- prego principal durante o período de referência, 76,3% das quais devido à pandemia, 83% entre os trabalhadores menos qualificados e 91,6% entre os trabalhadores independentes. mercado de trabalho e na vida profissional e familiar da popula - ção empregada, aliado à enorme incerteza quanto à dimensão, temporalidade e efeitos da crise sanitária, social e económica provocada pela pandemia, que o Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e o ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa lançaram o inquérito online sobre os impactos sociais da pandemia, no âmbito do estudo ICS/ISCTE COVID-19. Entre 25 e 29 de março responderam ao inquérito 11 508 indivíduos maiores de 15 anos e residentes em Portugal. Neste capítulo analisam-se alguns dados estatísticos relativos à situação económica e do mercado de trabalho, assim como os resultados do referido inquérito, para uma subamostra de indivíduos em idade ativa (18-64 anos) que à data viviam em casal (N = 5575). Procura-se apreender o impacto diferenciado do primeiro estado de emergência na atividade profissional, nas condições do teletrabalho, na situação financeira e na capacidade de lidar com as restrições decretadas, tendo em conta o tipo de agregado doméstico (com ou sem filhos/menores), sexo, escalão etário e nível de ensino daquela população. A situação excecional que se vive e a proliferação de casos regis- tados de contágio de COVID-19 exigem a aplicação de medidas extraordinárias e de caráter urgente de restrição de direitos e liberdades, em especial no que respeita aos direitos de circulação e às liberdades económicas, em articulação com as autoridades europeias, com vista a prevenir a transmissão do vírus. Decreto n.º 2-A/2020, de 20 de março Em março de 2020, os principais indicadores macroeco- nómicos apontavam para uma situação económica em franca recuperação relativamente à crise financeira de 2010-2014, com o PIB em expansão, o emprego em crescimento desde finais de 2013 e uma taxa de desemprego que atingia o valor mais baixo desde 2002 (6,5%) (INE 2020a). Esta tendência sofreu um forte revés com a implementa- ção das medidas extraordinárias de resposta à pandemia da COVID-19 (Decreto n.º 2-A/2020, de 20 de março), como o confinamento de grande parte da população e o encerramento parcial, e nalguns casos total, da atividade económica, agravado por um clima económico de enorme incerteza, tanto a nível nacional como internacional. Logo no 2.º trimestre de 2020, o saldo orçamental, que se encontrava, pela primeira vez em democracia, positivo (+ 0,1% do PIB no final de 2019), caiu de forma abrupta (- 16,3% do PIB); e, desde então, tem per- manecido deficitário em termos homólogos (- 5,7% do PIB no 3.º trimestre de 2020) (Peralta et al. 2021), apesar da correção nos trimestres seguintes em resultado da implementação das medidas de proteção da economia (sucessivas vagas de lay-off simplificado, moratórias, etc.). Embora as medidas de proteção económica se tenham revelado essenciais para a prevenção de uma situação financeira desastrosa, tiveram, como consequência imediata, o aumento da despesa do Estado, que foi ainda sobrecarregada com a compra de equipamentos de combate à pandemia e de pro- teção individual (EPI) e o reforço dos recursos humanos no Sistema Nacional de Saúde. Com este aumento da despesa e a diminuição da receita do Estado, devido ao encerramento Os primeiros impactos socioeconómicos da pandemia da COVID-19: indicadores macroeconómicos e situação das famílias I
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