Portugal Social em Mudança 2019 - Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
No âmbito interno, são igualmente diversos os fatores que condicionam, negativa ou positiva- mente, um avanço sustentado em direção às metas definidas. Os principais fatores negativos prendem-se, sem dúvida, com características estruturais da sociedade portuguesa (vulnerabili- dades associadas a problemas de pobreza, privação e exclusão social, envelhecimento, etc.) e das suas instituições (ineficiência, insuficiente transparência, etc.). No que se refere a fatores positivos, em diversos dos domínios analisados verificaram-se melhorias significativas, quer de políticas públicas quer de atitudes dos cidadãos, ante temas inovadores e princípios de susten- tabilidade, justiça e coesão. Mas as perceções e avaliações subjetivas, que sugerem uma maior aceitação de soluções convergentes com as preocupações da Agenda 2030, nem sempre têm tradução nos comportamentos e nas práticas ou confrontam-se com limitações quando implicam custos económicos ou diminuição de emprego, ou ainda com hábitos fortemente enraizados e com evidente valor simbólico, como é o uso do transporte individual privado. Mais informação e sensibilização, conhecimento mais acessível, condições socioeconómicas mais favoráveis, instituições mais eficientes, responsáveis e transparentes, e políticas mais proativas em domínios chave para atingir as diversas metas dos ODS são condições essenciais para combater a iliteracia, aumentar a consciencialização e promover uma cultura de desen- volvimento sustentável por cidadãos, instituições públicas e empresas. Como se refere num dos capítulos desta publicação, a ambição de cumprir os ODS nas próximas décadas é um enorme desafio, que vai implicar profundas mudanças na sociedade portuguesa. Temos, pois, um longo percurso a fazer. É por isso que são essenciais estudos deste tipo, que fornecem informação e análises rigorosas sobre a evolução em Portugal de indicadores relativos a várias metas de diversos ODS em planos comparativos e evolutivos. Uma monitorização próxima e permanente da evolução desses indicadores, e sobretudo daqueles em que o nosso país revela desempenhos menos positivos e trajetórias mais lentas, erráticas ou até regressivas quanto às metas definidas, é a única via para identificarmos, em tempo útil, situações críticas, obstáculos às mudanças desejadas e ineficiências das respostas políticas, institucionais e societais, e assim reconstruir soluções e estímulos que nos permitam caminhar com segurança em direção a um futuro mais inclusivo, justo e sustentável. 67
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