Portugal Social em Mudança 2019 - Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Figura 5.4 O governo funcionaria melhor se as decisões fossem deixadas para os especialistas não eleitos, ao invés de políticos (%) Fonte: MAPLE, 2019. IV Atitudes favoráveis à tecnocracia Por fim, quisemos saber qual a atitude dos portugueses (e europeus) perante a ideia de um governo tecnocrata, ou seja, um governo constituído por peritos nomeados, em detrimento de políticos eleitos. Mais uma vez, iremos analisar em perspetiva com os restantes países europeus. Consideramos que este último indicador está intimamente relacionado com todos os indicadores apresentados anteriormente e que também ele é indicativo da avaliação e perceção subjetivas que os cidadãos fazem da qualidade dos seus regimes. Vários estudos têm demonstrado que os cidadãos que confiam nas instituições políticas representativas (parlamento nacional, governo nacional) e na classe política (partidos políticos) preferem a tomada de decisões democrática em detrimento da tomada de decisões por especialistas (governo tecnocrata) (Bertsou e Pastorella, 2017). Sabemos também que a perceção de níveis elevados de corrupção sistémica parece tornar a tecnocracia numa alternativa mais atraente como sistema de governo. Assim, dado o quadro já demonstrado (Figura 5.3) relativamente a Portugal, em que os indicadores evidenciam uma desconfiança generalizada nas instituições políticas representativas e na classe política, e uma perceção generalizada de que a corrupção está instalada nestas mesmas instituições, não surpreende que os cidadãos portugueses tendam a ser favoráveis a um governo tecnocrata. A Figura 5.4 demonstra exatamente isso: Espanha (59,4%), Bélgica (47,9%) e Portugal (46,8%) são os países onde os cidadãos mais demonstram atitudes favoráveis a um governo constituído por peritos. Curiosamente, os cidadãos gregos, embora como vimos exibam baixos níveis de satisfação com a democracia, não se mostram muito favoráveis ao governo por peritos. Importa referir que este é o único país retratado onde houve de facto um governo tecnocrata nos últimos anos. Além disso, houve também três empréstimos que os governantes deste país realizaram à troika, uma comissão constituída por tecnocratas. Concorda / Concorda Totalmente Discorda / Discorda Totalmente 16,3 Bélgica 47,9 20,8 Alemanha 38,6 28 Grécia 32,8 24,9 Irlanda 43,7 23,4 Portugal 46,8 11,9 Espanha 59,4 62 2013, como os mais afetados por este fenómeno – 73% dos entrevistados portugueses, 83% dos entrevistados espanhóis e 90% dos entrevistados gregos apontaram a classe política como a instituição mais corrupta nos seus países. Por seu turno, a União Europeia é a instituição menos percecionada como corrupta entre os países da Europa do Sul. Ao contrário, na Alemanha e na Bélgica os cidadãos tendem a avaliar o governo e o parlamento nacionais como menos suscetíveis à difusão da corrupção.

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