Portugal Social em Mudança 2019 - Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

I Satisfação dos cidadãos com a democracia A Figura 5.1 ilustra em que medida os cidadãos europeus estão satisfeitos com o funcionamento da democracia no seu país, com base numa escala em que 1 corresponde a «extremamente satisfeito(a)» e 5 a «extremamente insatisfeito(a)». Neste indicador, que capta o apoio específico ao regime democrático, os cidadãos residentes na Irlanda destacam-se por terem os níveis mais elevados de satisfação: 44,4% dos irlandeses revelam estar algo ou muito satisfeitos com a democracia no seu país, enquanto menos de um terço revela estar algo ou muito insatisfeito (os restantes dizem estar nem satisfeitos nem insatisfeitos). Também na Alemanha os cidadãos parecem estar relativamente satisfeitos com o funcionamento da democracia no seu país (35,3%). Na verdade, os mais críticos em relação ao funcionamento da democracia nos seus países são a Espanha (57,3%) e a Grécia (56,9%). Mais de metade dos cidadãos espanhóis e gregos revelam-se insatisfeitos com o funcionamento da democracia nos seus países. As perceções dos cidadãos sobre a democracia são o foco desta secção e alvo de análise numa perspetiva comparada com outros países europeus. 58 análise numa perspetiva comparada – com outros países europeus – olhando para vários indicadores no âmbito dos ODS das Nações Unidas. Em concreto, neste breve capítulo olhamos, ainda que sumariamente, para um conjunto de indicadores que fornecem uma ideia mais clara das avaliações e perceções subjetivas dos cidadãos quanto à qualidade da democracia nos seus países: a satisfação com o funcionamento dessa democracia, a confiança que os cidadãos depositam nas instituições políticas, a perceção da difusão da corrupção nas instituições políticas nacionais e supranacionais e ainda o que pensam dos governos constituídos por peritos. Estes indicadores vão dar-nos uma perspetiva sobre as metas dos ODS em Portugal e noutros países europeus. Ao longo dos últimos anos, vários estudos e projetos têm-se dedicado a elaborar diferentes tipos de indicadores com o objetivo de medir a qualidade das democracias (Coppedge e Reinicke, 1990; Vanhanen, 1997). Nesse âmbito, sabemos como as perceções da qualidade da democracia estão dependentes do desempenho económico (Diamond e Morlino, 2005), e desse ponto de vista é interessante olhar para esses indicadores comparando Portugal com países que passaram por circunstâncias semelhantes, como a Grécia ou a Irlanda, e contrastar com o caso da Alemanha, por exemplo, onde a crise pouco se fez sentir nos últimos anos. De facto, alguma pesquisa tem sugerido que a crise da zona euro teve um impacto negativo sobre as perceções do funcionamento da democracia, e esta é também uma forma de leitura dos indicadores que abaixo apresentamos (Ruiz-Rufino e Alonso, 2017). Em alguns casos, nomeadamente na Grécia ou em Itália, a crise levou mesmo à formação de governos tecnocráticos, que substituíram os governos eleitos (Bertsou e Pastorella, 2017). O que pensam os cidadãos sobre este governo formado «por peritos»? Embora no conjunto de países abordados tenhamos apenas a Grécia como exemplo de um país onde houve um governo de tecnocratas, abordamos esse tema, pois na União Europeia esta parece ser uma questão premente, tendo em conta a supranacionalização crescente das políticas. Os dados aqui apresentados foram recolhidos no âmbito do Projeto ERC MAPLE. Este projeto pretende averiguar as consequências da supranacionalização da política no funcionamento da democracia ao nível nacional. Com vista a esse estudo, foram realizados seis inquéritos online à opinião pública, em Fevereiro-Março de 2019, com uma amostra representativa da população em seis países europeus: Alemanha, Bélgica, Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha. A escolha destes países residiu no facto de terem tido percursos distintos ao longo dos últimos dez anos, em particular em relação à crise da zona euro: enquanto uns tiveram de pedir empréstimos ao FMI, à Comissão Europeia e ao Banco Central Europeu (Portugal, Espanha, Irlanda e Grécia), outros tiveram um desempenho económico razoável durante esse mesmo período (Alemanha e Bélgica).

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