Portugal Social em Mudança 2019 - Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

lareiras) estão presentes em 63,8% das habitações (Figura 4.14). No entanto, dado o elevado custo de utilização dos aquecedores elétricos, muitas famílias não os usam ou usam-nos de forma muito limitada, apenas em dias particularmente frios ou em circunstâncias especiais, como quando há crianças de tenra idade em casa ou membros da família com problemas de saúde específicos (Horta et al. , 2019). A presença destes equipamentos em casa está diretamente relacionada com o rendimento das famílias, sendo entre as mais favorecidas que é mais frequente encontrá-los. No entanto, deve salientar-se que muitas das famílias mais favorecidas também não têm estes equipamentos em casa, o que sugere que isso não se deve apenas a dificuldades financeiras, mas a outros fatores, especialmente socioculturais, como a aceitação social do frio em casa e a normalização de práticas em que se privilegia o recurso a agasalhos. 11,3 18,7 10,0 21,8 60,5 68,2 4,7 6,9 55,2 11,9 15,3 64,4 31,1 26,6 70,4 Figura 4.14 Agregados familiares portugueses com sistemas de regulação de temperatura interior no alojamento por quintis do rendimento total equivalente, 2015/16 (%) Fonte: INE, 2017. Nota: 1º Quintil são os mais pobres; o 5º Quintil são os mais ricos. 17,8 29,7 10,8 24,2 30,6 15,7 16,2 63,8 22,6 Entre 2007 e 2017 Portugal esteve entre os quatro países da UE com mais população a viver em habitações com infiltrações, humidade ou apodrecimentos em janelas ou pavimentos. III Transportes e preços acessíveis Uma das metas do ODS 11 (Cidades) consiste em proporcionar transportes a preços acessíveis. De acordo com a Classificação do Consumo Individual por Objetivo (COICOP) das Nações Unidas, os dados existentes relativos à estrutura média das despesas dos agregados familiares mostram que as despesas dos portugueses com transporte estão entre as mais elevadas da UE. Em 2015, as despesas com a utilização de meios de transporte pessoal representaram 14,1% do total e, considerando os dez principais grupos de despesa anual média das famílias segundo a COICOP, constituíram a terceira maior, depois das despesas relativas à habitação e às dos produtos alimentares (INE, 2017). O elevado peso dos transportes nas despesas das famílias deve-se em grande medida à dependência do uso do automóvel, que em Portugal é mais acentuada do que no conjunto da UE, enquanto a utilização de autocarros e comboios é mais baixa (Figura 4.15). Além disso, considerando os níveis dos preços ao consumidor na UE, verifica-se que em 2017 os custos relativos à aquisição de automóveis em Portugal foram 10,8% mais altos do que a média comunitária (tornando-se o terceiro país mais caro). Já os preços relativos ao uso de transportes públicos foram 10,3% mais baixos do que a média europeia. Estes dados ainda não refletem a entrada em vigor, desde 1 de abril de 2019, do Programa de Apoio à Redução do Tarifário dos Transportes Públicos, que visa contribuir significativamente para promover a utilização dos transportes públicos no país, dado que o preço mensal dos novos passes se tornou bastante acessível. Além do elevado custo de aquisição dos automóveis, as despesas com combustíveis estão TOTAL 1ºQuintil 2ºQuintil 3ºQuintil 4ºQuintil 5ºQuintil Aparelho de ar condicionado Sistema de aquecimento central Outro aparelho de aquecimento de ar Desumidificador elétrico 54

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