Portugal Social em Mudança 2019 - Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
O elevado nível dos custos da energia para a população portuguesa traduz-se igualmente no facto de no mais recente European Social Survey (2016) os inquiridos portugueses, a par dos espanhóis, terem sido os que, de entre os países da União Europeia que participaram, mais se mostraram preocupados com a possibilidade de a energia poder ser demasiado cara para muitas pessoas no país. Estes dados são corroborados pelo Eurobarómetro de 2018, onde a resposta «garantir preços da energia razoáveis para os consumidores» foi em Portugal a mais escolhida, relativamente à questão sobre os objetivos a que se deveria dar prioridade numa união europeia da energia (Figura 4.8). Enquanto a média dos inquiridos europeus a preferir esta resposta correspondeu a 36%, em Portugal foi selecionada por 56% dos inquiridos. Embora a produção de energia através de fontes renováveis tenha vindo a aumentar consideravelmente em Portugal, o acesso das famílias a equipamentos de produção de energia renovável é ainda bastante limitado. Em 2010, apenas 68 824 (1,8%) dos alojamentos familiares clássicos de residência principal dispunham de um sistema de aquecimento de águas baseado em energia solar térmica, o que correspondeu a um consumo de 19 105 toneladas equivalentes de petróleo (tep) (INE/DGEG, 2011). Em 2016, o consumo de solar térmico no sector residencial tinha aumentado para 40 639 tep, o que indica que apenas um número muito limitado de portugueses tinha acesso a esta fonte de energia nas suas habitações (DGEG, 2018). No que se refere a painéis solares térmicos, em comparação com os restantes países da UE Portugal surge em 10.º lugar, abaixo da média europeia (1,231105m 2 contra 2,080318m 2 ) (Eurostat, 2019). No que diz respeito à produção de eletricidade através de painéis solares fotovoltaicos, será ainda mais reduzido o número de famílias que beneficiam deste sistema. Ainda que nestes números estejam incluídas as centrais solares fotovoltaicas, Portugal fica em 12.º lugar no conjunto dos países da UE, bem abaixo da média (70,7 contra 323,1 tep) (Eurostat, 2019). O reduzido aproveitamento da energia solar em Portugal é paradoxal, dadas as condições climáticas e geográficas particularmente favoráveis do país, contrastando fortemente com o investimento neste sentido feito quer em países com menor exposição solar, quer noutros países do sul da Europa, como a Grécia, Itália e Espanha (Figura 4.9). Fonte: Eurobarómetro 89, 2018. Figura 4.8 Inquiridos que responderam que garantir preços da energia razoáveis para os consumidores deve ser uma prioridade numa união europeia da energia, UE, 2018 (%) Fonte: EUROSTAT, 2019. Figura 4.9 Superfície de painéis solares térmicos, UE, 2017 (Milhões de m 2 ) 51 PT ES CY FR BE LU NL DK FI IT DE CZ AT SI HR HU SK 0 400Km UK SE EE LV LT PL BG RO EL IE <=19 20 - 29 40 - 49 30 - 39 >=50 MT PT ES CY FR BE LU NL DK IT DE CZ AT SI HR HU SK 0 400Km UK SE PL BG RO EL IE 1,000 - 1,999 <0,999 2,000 - 2,999 4,000 - 4,999 3,000 - 3,999 5,000 - 9,999 >10,000 MT
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