Portugal Social em Mudança 2019 - Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

III Igualdade de género (ODS 5) Neste objetivo optou-se por considerar dois indicadores que parecem caraterizar bem as diferenças de género e as direções desejáveis que devem ser seguidas: a) a desigualdade de rendimentos; e b) a distribuição das responsabilidades familiares e/ou de cuidados. Ainda que o indicador diferenças de género no rendimento se baseie na diferença absoluta dos rendimentos entre homens e mulheres que vivem sós, as tendências que nele se observam podem ser em larga medida alargadas ao conjunto da população com 65 e mais anos atendendo à forte representação numérica desse grupo neste segmento populacional. Retirando os anos de 2012 e 2013, em que se verifica uma retração forte na desigualdade de rendimentos entre homens e mulheres em Portugal, a análise do conjunto dos dados aponta essencialmente para duas tendências: por um lado, a desigualdade de rendimentos está normalmente acima da média europeia e, por outro, há um movimento de diminuição da desigualdade em ambos os casos, embora mais acentuado em Portugal, particularmente evidente quando se comparam os anos de início da série com os mais recentes. Mesmo assim, em 2017 a diferença é em Portugal de 12 pontos percentuais enquanto no conjunto dos países europeus é de 8 pontos percentuais (Figura 2.3). O indicador população inativa de 50-64 anos que não procura emprego devido a responsabilidades familiares e/ou cuidados revela uma tendência de crescimento na Europa de 2,4 pontos percentuais entre os anos extremos da série (Quadro 2.4). Em Portugal, excetuando o valor algo anómalo relativo ao ano de 2010, a tendência é também de algum crescimento. Porém, a observação mais importante diz respeito à diferença muito considerável entre homens e mulheres. Com efeito, esta indica muito mais vezes o peso das responsabilidades familiares e/ou dos cuidados como justificação da inatividade na população entre 50 e 64 anos, seja em Portugal ou nos restantes países europeus. Embora os homens assinalem um pouco mais esta razão ao longo dos anos, esta tendência não tem qualquer força para assegurar uma convergência consistente, porque há também mais mulheres que a referem. Figura 2.3 Diferenças de género no rendimento relativo à população com 65 e mais anos que vive sozinha, Portugal e UE28, 2010-2017 Fonte: EUROSTAT. A incapacidade de manter o alojamento aquecido deixa transparecer uma situação penalizadora do bem-estar da população portuguesa com 65 e mais anos. PORTUGAL UE28 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 30 0,11 0,12 0,10 0,12 0,10 0,10 0,10 0,08 0,21 0,19 0,04 0,03 0,09 0,09 0,09 0,12

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