ICS Portugal Social em Mudança 2017 - Retratos Municipais
V Conclusão A análise da distribuição dos jovens no espaço nacional revela o caráter esmagador da “desjuvenilização” do território: apenas 9 dos 308 municípios do país não perderam população jovem na última década e meia, demonstrando alguma vitalidade demográfica. É de assinalar que a maioria destes raros municípios está concentrada no Arco Metropolitano de Lisboa, o que reforça tendências de urbanização e litoralização da população jovem já identificadas noutros estudos. Esta evidência espelha-se no retrato da situação presente: a proporção de jovens por município relativamente à proporção de jovens na população total permite mapear duas grandes regiões no Continente – o Noroeste e o Arco Metropolitano de Lisboa –, onde se concentra, em alguns dos municípios, a maior percentagem de jovens. Os municípios das Regiões Autónomas replicam este retrato de forma acentuada. Importa evidenciar algumas bolsas de fixação de jovens em municípios incluídos em regiões mais improváveis, como o Centro e o Alentejo Interiores, cuja dinâmica interessará acompanhar. O retrato do associativismo juvenil, enquanto indicador de envolvimento cívico da população jovem, revela recortes transversais às habituais dicotomias Norte/Sul e Litoral/Interior. Todas as regiões do país incluem municípios com dinâmicas associativas, embora a população jovem dos municípios alentejanos evidencie menor adesão ao associativismo juvenil – pelo menos, o registado institucionalmente. Envolver a população jovem nas decisões sobre os recursos locais constitui aposta recente do poder local. O mapa dos municípios com experiências de Orçamento Participativo Jovem devolve-nos um panorama multifacetado: municípios a) predominantemente rurais ou com fortes marcas urbanas; b) situados em territórios de baixa densidade, de povoamento difuso ou densamente populosos; c) onde pontuam atividades agrícolas, industriais ou de serviços; d) geridos por diferentes cores partidárias. Esta diversidade demonstra como uma cultura de participação e cidadania é independente dos recursos dos municípios e decorre, essencialmente, de disposições propícias ao aprofundamento democrático por parte dos atores do poder local. Neste contexto, urge destacar municípios que conjugam menor população jovem com associativismo e participação: Miranda do Douro, Vila Nova de Cerveira e Vila Pouca de Aguiar (Região Norte), Lousã, Miranda do Corvo e Alcanena (Centro), Reguengos de Monsaraz (Alentejo) e Vila Franca do Campo (Açores). Pequenas bolsas de socialização para uma cultura de participação e cidadania? Apenas 9 dos 308 municípios do país não perderam população jovem na última década e meia. Envolver a população jovem nas decisões sobre os recursos locais constitui uma aposta recente do poder local. 52
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