ICS Portugal Social em Mudança 2015
Inserções no mercado de trabalho: realidades e preocupações II Os dados em Portugal evidenciam a progressiva dificuldade de inserção laboral dos jovens ao longo da última década e meia. O indicador relativo às taxas de emprego de recém-diplomados refere-se às taxas de emprego de jovens entre os 20 e os 34 anos, empregados, que tenham atingido pelo menos o nível secundário de escolaridade (ISCED 3) e completado a sua formação há pelo menos três anos. Esta taxa permite apurar as dificuldades de inserção dos jovens no mercado de trabalho uma vez terminada a sua formação escolar (secundária ou superior). Os dados em Portugal evidenciam a progressiva dificuldade de inserção laboral dos jovens ao longo da última década e meia (Figura 4.5). De facto, em 2000 a taxa de emprego de recém-diplomados situava-se em valores em torno dos 90%, tendo baixado ao longo dos primeiros anos da década para estabilizar em torno dos 82%. No entanto, com a crise económica e o aumento do desemprego essa situação alterou-se, sofrendo uma acentuada quebra a partir de 2010 e apresentando o seu valor mais baixo em 2012 quando esta taxa se fixou nos 67,5%. Desde esse ano assistimos a uma ligeira melho- ria: em 2014 o valor ascende a 69,4%. Comparativamente com a evolução da média da União Europeia (apenas disponível a partir de 2006), constata-se que os valores em Portugal mantêm-se sempre relativamente próximos até 2012, ano em que a taxa de emprego dos recém-diplomados desce consideravelmente em Portugal, contrastando com a estabilidade demonstrada pela média da União Europeia. Esta média esconde, no entanto, uma grande pluralidade de situações (Figura 4.6). Grécia (43,2%), Itália (45,0%), Croácia (62,0%), Espanha (65,1%), Bulgária (65,4%), Roménia (66,2%) e República de Chipre (68,7%) têm taxas de emprego de recém-di- plomados mais baixas do que Portugal, sendo que os valores da Grécia e da Itália se destacam por evidenciarem a grave dificuldade que os jovens têm atualmente em inserir-se profissionalmente no mercado de trabalho nestes países. No espectro contrário verifica- mos que Suécia (85,0%), Áustria (87,2%), Holanda (86,2%), Alemanha (90,0%) e Malta (93,0%) são os países onde os jovens têm mais facilidade em encontrar emprego após terminada a sua formação escolar. Entre os estudantes da União Europeia com idades compreendidas entre os 15 e os 30 anos a principal preocupação em relação ao trabalho futuro prende-se com a natureza do vínculo do contrato (Figura 4.8). De facto, para 31,1% dos jovens «não conseguir um trabalho estável ou um contrato de longa duração» é o maior receio manifestado. Por ordem decrescente, as outras preocupações assinaladas pelos jovens são «ter de se deslocar para encontrar trabalho» (15,8%), «não ter as competências ou os conhecimentos adequados» (12,7%) e o «nível salarial» (12,7%). Por sua vez, 19,5% dos jovens estudantes declaram não ter preocupações em relação a encontrar trabalho. Em Portugal os valores estão próximos da média da UE28 em relação ao receio de não encontrar «trabalho estável ou contrato a longo termo» (32,2%) e um pouco mais baixos em relação a «ter de se deslocar para encon- trar trabalho» (11,2%) e a «não ter as competências ou os conhecimentos adequados» (8,4%). Portugal destaca-se, no entanto, por apresentar valores bastante mais elevados do que a média da União Europeia no que toca à preocupação com o «nível salarial» (21,7% vs. 12,7%), o que estará relacionado com os baixos salários praticados no país, sobretudo em início de carreira. No âmbito europeu, a principal preocupação dos jovens estudantes – «não encontrar trabalho estável ou contrato a longo termo» – assume proporções mais elevadas em Itália, onde mais de metade dos seus jovens estudantes indica ter esse receio (52,5%), seguida, com alguma distância, pela Espanha com 43,1% (Figura 4.7). Os países onde os jovens referem menos essa preocu- pação (face a outras) situam-se no Leste e do Norte da Europa, em particular Estónia (3,9%), Lituânia (15,6%), Bulgária (15,9%) e Letónia (15,9%). 50
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