ICS Portugal Social em Mudança 2015
Famílias em risco de pobreza II 70 em 2013. Mas 2011 foi o ano em que o número de divórcios foi mais elevado, 74 em 100 casamen- tos, diminuindo desde então. O indicador segue a tendência da taxa bruta, sugerindo uma ligeira desaceleração dos níveis de divorcialidade. Em 2012, Portugal, Espanha, França, Dinamarca, Estónia, Lituânia, República Checa e Hungria constituíam o grupo de países com um elevado número de divórcios por 100 casamentos, entre 50 e 75 (Figura 3.10). Apenas a Letónia registava um valor superior, 77. No extremo oposto, com menos de 25 divórcios por 100 casamentos, apenas se encontravam a Grécia, com 23 divórcios, a Irlanda, com 14, e Malta, onde o divórcio só foi aprovado em 2011, com menos de 2 divórcios por 100 casamentos. O grupo mais numeroso de países, que reunia os restantes países da UE28, apresentava um rácio de 25 a 50 divórcios por 100 casamentos. Ao longo da última década o risco de pobreza – i.e., a situação de famílias com rendimentos inferiores a 60% do rendimento mediano em Portugal – tem vindo a aumentar entre as famílias portuguesas com crianças e a diminuir entre as famílias sem crianças (Figura 3.11). Nesse sentido, acentua-se a diferença no risco de exposição à pobreza entre esses tipos de agregados. Com efeito, se em 2003 o risco de pobreza era sensivelmente igual em agregados com e sem crianças (respetivamente, 20,6% e 20,0%), em 2012 tal diferença era de 7,2 pontos percentuais (respetivamente, 22,2% e 15,0%). Entre as famílias com crianças, o risco de pobreza é particularmente elevado nos agregados com dois adultos e três ou mais crianças (famílias numerosas) e nos agregados com um adulto e pelo menos uma criança, onde predominam as famílias monoparentais. Os cenários das famílias com crianças em geral, e das famílias nume- rosas e monoparentais em particular, agravaram-se especial- mente a partir de 2010 no contexto da atual crise económica. A deterioração das condições de vida, motivada pela degradação dos rendimentos e das condições laborais, pela redução dos apoios sociais do Estado e pelo aumento de impostos, atingiu fortemente as famílias com crianças (Wall et al. , 2015). A análise comparativa do contexto nacional face ao dos restantes países da União Europeia coloca Portugal numa posição pouco favorável, especialmente face aos países nórdicos – onde apenas cerca de 7 a 13% das famílias com crianças estão em risco de pobreza –, mas também em relação a países como o Reino Unido, a Alema- nha e a França, onde a incidência do risco varia entre 13 e 19% (Figura 3.12). Em situação idêntica a Portugal, mas ainda assim com valores inferiores a 20%, encontram-se países de Leste como a Hungria, a Polónia, a Letónia e a Lituânia. Por sua vez, a Roménia, a Espanha e a Grécia – estes dois últimos países, tal como Portugal, com programas de austeridade nos últimos anos – apresentam a maior percentagem de famílias com crianças em risco de pobreza da União Europeia (entre 25,9% e 28,9%). O divórcio é um acontecimento cada vez mais comum nas trajetórias dos casais. 37
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