Radicalidades juvenis: performatividades corporais nas culturas juvenis

Radicalidades juvenis: performatividades corporais nas culturas juvenis

O objectivo central deste projecto de investigação é analisar sociologicamente os traços de algumas formas actuais de cultura juvenil que se estruturam em torno de projectos de corporeidade 'radical', quer dizer, modalidades de utilização expressiva e/ou performativa do corpo que procuram exceder limites físicos e convenções culturais socialmente estabelecidos, isto na perspectiva de descobrir, em primeira instância, as lógicas simbólicas que estão subjacentes à sua utilização, sentidos pessoais e efeitos sociais. Privilegiaremos o caso da utilização das tatuagens e body piercing por parte dos jovens. Não obstante o «renascimento» e a recente visibilidade social que as modificações corporais tomaram nas sociedades ocidentais, nomeadamente na sociedade portuguesa, os jovens que cultivam o gosto pela tatuagem e o body piercing em larga extensão no corpo têm merecido, ao longo do tempo, mais atenção e interesse analítico por parte da psicologia ou da psiquiatria do que por parte da sociologia.

Estatuto: 
Entidade participante
Financiado: 
Não
Entidades: 
Secretaria de Estado da Juventude
Keywords: 

Corpo; juventude; tatuagens; bodypiercing

O objectivo central deste projecto de investigação é analisar sociologicamente os traços de algumas formas actuais de cultura juvenil que se estruturam em torno de projectos de corporeidade 'radical', quer dizer, modalidades de utilização expressiva e/ou performativa do corpo que procuram exceder limites físicos e convenções culturais socialmente estabelecidos, isto na perspectiva de descobrir, em primeira instância, as lógicas simbólicas que estão subjacentes à sua utilização, sentidos pessoais e efeitos sociais. Privilegiaremos o caso da utilização das tatuagens e body piercing por parte dos jovens. Não obstante o «renascimento» e a recente visibilidade social que as modificações corporais tomaram nas sociedades ocidentais, nomeadamente na sociedade portuguesa, os jovens que cultivam o gosto pela tatuagem e o body piercing em larga extensão no corpo têm merecido, ao longo do tempo, mais atenção e interesse analítico por parte da psicologia ou da psiquiatria do que por parte da sociologia.

Objectivos: 
<p>Este trabalho propõe-se descobrir os significados que os jovens investem nas suas marcas corporais, compreender e interpretar sociologicamente as lógicas simbólicas subjacentes à sua utilização, e examinar o papel da marcação corporal na produção e manutenção de identidades e sociabilidades. Simultaneamente, o trabalho propõe-se caracterizar as condições sociais de produção dos corpos extensivamente marcados, bem como analisar os efeitos sociais da sua assunção, numa sociedade que vive com alguma relutância e preconceito a modificação corporal mais perene, em particular a que revisita e evoca figuras corporais histórica e socialmente estigmatizadas, na medida em que exige um elevado grau de plasticidade identitária e de maleabilidade corporal dos seus actores. Em síntese, é objectivo genérico deste trabalho identificar os diferentes usos, reconstruir a pluralidade de sentidos e averiguar dos potenciais efeitos, relativos à prática de marcar extensivamente o corpo em contextos juvenis. </p>
State of the art: 
O tra&ccedil;o de 'radicalidade' atribu&iacute;do a algumas formas contempor&acirc;neas de cultura urbana juvenil, tem impl&iacute;cito a no&ccedil;&atilde;o de comportamento orientado por um princ&iacute;pio de exacerba&ccedil;&atilde;o, experimenta&ccedil;&atilde;o ou supera&ccedil;&atilde;o de normatividades, limites ou conven&ccedil;&otilde;es de ordem variada, em dom&iacute;nios sociais diversos, com recurso a diferentes estrat&eacute;gias e instrumentos, implicando sempre determinado tipo e grau de risco. <br />A assun&ccedil;&atilde;o social de comportamentos 'radicais' no contexto dessas formas culturais juvenis urbanas tem passado, em grande medida, pela mobiliza&ccedil;&atilde;o do corpo humano como instrumento expressivo e performativo central, um corpo que &eacute; socialmente percepcionado e vivido como recurso a explorar nas suas v&aacute;rias potencialidades pl&aacute;sticas, som&aacute;ticas e sensoriais, suscept&iacute;vel de ser moldado, experimentado, estendido ou escondido nos par&acirc;metros de um projecto individual (socialmente contextualizado) de constru&ccedil;&atilde;o e apresenta&ccedil;&atilde;o do self. <br />Os contornos operativos desse projecto remetem para pr&aacute;ticas que, sob modalidades diversas, pretendem a altera&ccedil;&atilde;o da apar&ecirc;ncia ou da forma do corpo, a supera&ccedil;&atilde;o das suas conven&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas, a experimenta&ccedil;&atilde;o das suas potencialidades sensoriais, a explora&ccedil;&atilde;o dos seus limites performativos, ou at&eacute; mesmo a extens&atilde;o para al&eacute;m dos seus limites propriamente fisiol&oacute;gicos. Deste modo, emergem novos modelos de corporeidade atravessados por uma ideia desnaturalizada do corpo, j&aacute; n&atilde;o como realidade pr&eacute;-definida, fixa e sagrada, mas como entidade vol&aacute;til, comp&oacute;sita, inacabada, at&eacute; imperfeita, suscept&iacute;vel de ser explorada sob diferentes modalidades, com sentidos culturais e efeitos sociais diferentes. <br />Actualmente esses modelos remetem, em algumas formas culturais juvenis, para vers&otilde;es exacerbadas da corporeidade, fora das normatividades (f&iacute;sicas e simb&oacute;licas) convencionais que regulam e disciplinam social e culturalmente os corpos, concedendo-lhes uma visibilidade marcada pela originalidade e pela diferen&ccedil;a, socialmente reconhecida como 'radical'.

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Coordenador 
Data Inicio: 
01/12/2001
Data Fim: 
01/12/2009
Duração: 
96 meses
Concluído