Percepção de Ameaça, Normas Sociais e Discriminação de Imigrantes: Consequências da Discriminação Justificada

Percepção de Ameaça, Normas Sociais e Discriminação de Imigrantes: Consequências da Discriminação Justificada

Este projecto propõe uma série de investigações sobre o papel dos factores justificadores da discriminação na auto-estima do actor do comportamento discriminatório. Especificamente, tentaremos responder as seguintes questões: qual é a relação entre as justificações da discriminação e a auto-estima psicológica do actor do comportamento discriminatório? E qual é o papel da norma do anti-preconceito nesse processo? As nossas hipóteses são: ao tomarem consciência de que agiram de forma discriminatória, os participantes que não têm disponível alguma justificação para a discriminação apresentarão auto-estima mais negativa do que os participantes que puderem recorrer a alguma justificação não preconceituosa para explicar a discriminação; este efeito será moderado pela saliência das normas contextuais, i.e., deverá ocorrer apenas quando a norma do anti-preconceito estiver saliente.

Estatuto: 
Entidade proponente
Financiado: 
Não
Keywords: 

Preconceito, Disciminação, Normas Sociais, Legitimação

Este projecto propõe uma série de investigações sobre o papel dos factores justificadores da discriminação na auto-estima do actor do comportamento discriminatório. Especificamente, tentaremos responder as seguintes questões: qual é a relação entre as justificações da discriminação e a auto-estima psicológica do actor do comportamento discriminatório? E qual é o papel da norma do anti-preconceito nesse processo? As nossas hipóteses são: ao tomarem consciência de que agiram de forma discriminatória, os participantes que não têm disponível alguma justificação para a discriminação apresentarão auto-estima mais negativa do que os participantes que puderem recorrer a alguma justificação não preconceituosa para explicar a discriminação; este efeito será moderado pela saliência das normas contextuais, i.e., deverá ocorrer apenas quando a norma do anti-preconceito estiver saliente.

Objectivos: 
<p>O objectivo é analisar o impacto das justificações da discriminação na auto-estima do actor da acção discriminatória. Serão testadas as hipóteses em vários estudos experimentais e correlacionais. Seguidamente serão apresentados exemplos de como os estudos serão realizados. Em primeiro, será analisada a hipótese de que as pessoas que podem justificar a discriminação com base num argumento não preconceituoso apresentam auto-estima mais positiva do que as pessoas que não podem recorrer a este argumento. No segundo estudo, será testada a hipótese de que o efeito das justificações na auto-estima ocorre em contextos em que a norma do anti-preconceito está saliente. As justificações da discriminação serão operacionalizadas em termos de percepção de ameaça. A norma do anti-preconceito será operacionalizada a partir do valor da igualdade (e.g., Vala, Pereira, & Ramos, 2006), enquanto que a norma que facilita o preconceito será operacionalizada a partir do valor da meritocracia (e.g., Katz & Hass, 1988). O grupo-alvo da discriminação será os imigrantes africanos negros.</p>
State of the art: 
A an&aacute;lise das justifica&ccedil;&otilde;es da discrimina&ccedil;&atilde;o &eacute; necess&aacute;ria porque &quot;the institutional world requires legitimation, that is, ways by which can be &lsquo;explained' and justified&quot; (Berger &amp; Luckmann, 1967, p. 61). De forma similar, Jost (2001, p. 90) prop&ocirc;s: &quot;we need reasons and arguments to justify both action and inaction. If we behave in an inconsistent or counterattitudinal way, we must come up with rationalizations for the departure&quot;. A import&acirc;ncia da legitima&ccedil;&atilde;o tem sido destacada no pensamento filos&oacute;fico h&aacute; mais de 20 s&eacute;culos e a sua an&aacute;lise foi sempre um aspecto central na sociologia, na filosofia e nas ci&ecirc;ncias pol&iacute;ticas (ver Zelditch, 2001), mas s&oacute; recentemente come&ccedil;ou a ocupar um lugar de destaque nas teorias desenvolvidas pela Psicologia Social (e.g., Tyler, 1989). <p>Realmente, ainda que Allport (1954/1979) tenha destacado a import&acirc;ncia de factores justificadores, fundamentalmente dos estere&oacute;tipos, para a compreens&atilde;o da natureza do preconceito, e Tajfel (1984) tenha proposto que o comportamento &quot;intergrupal&quot; depende, sobretudo, dos processos de justifica&ccedil;&atilde;o, o estudo desses processos n&atilde;o tinha sido objecto dessa disciplina at&eacute; meados dos anos 90 do s&eacute;culo passado (ver Jost &amp; Major, 2001). De facto, o estudo dos processos de justifica&ccedil;&atilde;o e legitima&ccedil;&atilde;o da discrimina&ccedil;&atilde;o come&ccedil;a a ser feita de forma mais sistem&aacute;tica a partir da publica&ccedil;&atilde;o dos primeiros estudos analisados &agrave; luz das teorias da domin&acirc;ncia social (Sidanius &amp; Pratto, 1999) e da justifica&ccedil;&atilde;o do sistema (Jost, 2001).</p><p>Recentemente, a an&aacute;lise da legitima&ccedil;&atilde;o tem sido feita no &acirc;mbito dos estudos sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre o preconceito e a discrimina&ccedil;&atilde;o. Pereira, Vala e Leyens (2007) propuseram o modelo da discrimina&ccedil;&atilde;o justificada em que analisam, simultaneamente, o papel de factores justificadores e de factores normativos na din&acirc;mica da rela&ccedil;&atilde;o entre o preconceito e a discrimina&ccedil;&atilde;o. O modelo real&ccedil;a o recurso &agrave;s justifica&ccedil;&otilde;es como o mecanismo atrav&eacute;s do qual o preconceito leva &agrave; discrimina&ccedil;&atilde;o e especifica as condi&ccedil;&otilde;es normativas nas quais este processo ocorre. Especificamente, Pereira et al. (2005) mostraram que a rela&ccedil;&atilde;o entre o preconceito e a oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; imigra&ccedil;&atilde;o na Europa &eacute; mediada pela percep&ccedil;&atilde;o de amea&ccedil;a realista e que a rela&ccedil;&atilde;o entre o preconceito e a oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; naturaliza&ccedil;&atilde;o de imigrantes &eacute; mediada pela percep&ccedil;&atilde;o de amea&ccedil;a simb&oacute;lica. O princ&iacute;pio psicol&oacute;gico &eacute; o de que a percep&ccedil;&atilde;o de amea&ccedil;a &eacute; um factor justificador da express&atilde;o do preconceito (ver tamb&eacute;m Crandall &amp; Eshleman, 2003). </p>O papel da amea&ccedil;a na discrimina&ccedil;&atilde;o tem sido analisado quer na sua vertente realista (e.g., Sherif, Harvey, White, Hood, &amp; Sherif, 1961/1988) quer na sua vertente simb&oacute;lica (e.g., Sears &amp; Henry, 2003). Amea&ccedil;a realista &eacute; a percep&ccedil;&atilde;o de que os membros do exogrupo representam uma amea&ccedil;a &agrave; seguran&ccedil;a f&iacute;sica e econ&oacute;mica do endogrupo (Stephan &amp; Stephan, 2000). A amea&ccedil;a simb&oacute;lica &eacute; a percep&ccedil;&atilde;o de que os membros do exogrupo s&atilde;o uma amea&ccedil;a &agrave; cultura do endogrupo (Stephan &amp; Stephan, 2000). De acordo como o modelo da discrimina&ccedil;&atilde;o justificada, como a percep&ccedil;&atilde;o de amea&ccedil;a n&atilde;o evoca directamente a ideia de hierarquia racial, pode servir como justifica&ccedil;&atilde;o para a discrimina&ccedil;&atilde;o.
Parceria: 
Não Integrado
Coordenador 
Data Inicio: 
01/07/2008
Data Fim: 
01/06/2011
Duração: 
35 meses
Concluído