O Fim dos Impérios Coloniais. A descolonização Britânica, Francesa e Portuguesa (1945-1975)

O Fim dos Impérios Coloniais. A descolonização Britânica, Francesa e Portuguesa (1945-1975)

A descolonização e o consequente fim do império como forma normal de organização política com milénios de história é um acontecimento de importância global fundamental. O imperialismo explícito e formal não é actualmente aceita na sociedade internacional contemporânea, esta rejeição tornou-se um dos pilares em que assenta actualmente a sociedade internacional, em que a guerras abertamente de conquista e a ocupação imperial duradoira e anexação de território já não são aceitáveis, pelo menos em termos de normas internacionais prevalecentes. No entanto, tal não se deveu a um colapso militar generalizado como no caso de outros poderes imperiais como foi o caso da queda do império Nazi em 1945. O estudo do porquê deste fenómeno parece-nos dever ser feito também ou até mesmo sobretudo de forma comparativa, visto que o fim dos impérios coloniais europeus na Ásia e na África tiveram lugar em processos genericamente paralelos nas poucas décadas entre 1945 e 1975. Muitas das publicações genericamente dedicadas ao estudo da descolonização abordam a questão do ponto de vista: ou de mudanças sistémica no equilíbrio internacional de poder (seja na modaliade Neo-Realista de Realpolitik seja na modalidade de Sistema Mundial hierarquizado da teoria da dependência); ou da mudança nas normas e instituições internacionais com um impacto na cultura política interna destes Estados. Neste projecto estas explicações mais tradicionais serão postas em questão em fundação da investigação bibliográfica e arquivística sobre a descolonização Britânica, Francesa e, sobretudo, Portuguesa, que assim poderá ser estudada de um ponto de vista comparativo.

Estatuto: 
Entidade proponente
Financiado: 
Não
Keywords: 

Descolonização; Império; História;  Política Comparativa/Relações Internacionais

A descolonização e o consequente fim do império como forma normal de organização política com milénios de história é um acontecimento de importância global fundamental. O imperialismo explícito e formal não é actualmente aceita na sociedade internacional contemporânea, esta rejeição tornou-se um dos pilares em que assenta actualmente a sociedade internacional, em que a guerras abertamente de conquista e a ocupação imperial duradoira e anexação de território já não são aceitáveis, pelo menos em termos de normas internacionais prevalecentes. No entanto, tal não se deveu a um colapso militar generalizado como no caso de outros poderes imperiais como foi o caso da queda do império Nazi em 1945. O estudo do porquê deste fenómeno parece-nos dever ser feito também ou até mesmo sobretudo de forma comparativa, visto que o fim dos impérios coloniais europeus na Ásia e na África tiveram lugar em processos genericamente paralelos nas poucas décadas entre 1945 e 1975. Muitas das publicações genericamente dedicadas ao estudo da descolonização abordam a questão do ponto de vista: ou de mudanças sistémica no equilíbrio internacional de poder (seja na modaliade Neo-Realista de Realpolitik seja na modalidade de Sistema Mundial hierarquizado da teoria da dependência); ou da mudança nas normas e instituições internacionais com um impacto na cultura política interna destes Estados. Neste projecto estas explicações mais tradicionais serão postas em questão em fundação da investigação bibliográfica e arquivística sobre a descolonização Britânica, Francesa e, sobretudo, Portuguesa, que assim poderá ser estudada de um ponto de vista comparativo.

Objectivos: 
Este projecto de investigação procura responder a quarto grandes questões: De que forma os principais impérios coloniais europeus chegaram abruptamente ao fim? Qual o porquê de isso acontecer? Teria a descolonização de seguir inevitavelmente a forma, cronologia, e localização que veio a assumir? Por fim, como comparar o caso da descolonização portuguesa com outras descolonizações, em particular as dos dois maiores impérios europeus (o Britânico e o Francês) que em boa medida estabeleceram os principais marcos nesse processo de descolonização. Na resposta a estas questões procuramos rever algumas das explicações mais consagradas adoptando uma abordagem trans-disciplinar fazendo uso da investigação histórica do processo de tomada de decisão, assim como dos modelos teóricos das Relações Internacionais que procuram explicar esta grande transformação da política mundial, contribuindo para o debate em curso em ambas as disciplinas sobre estes temas.<strong></strong>
State of the art: 
Decolonization is understood here as a change of international juridical status from one of dependant territory to that of sovereign State. There are significant disagreements about the actual meaning of this. Decolonization had more far-reaching implications than many in government in Paris or London had expected, but less so than many of the leaders of the newly independent nations expected. We do not ignore the debate on the actual nature and real impact of decolonization that gave rise to the notion of neo-colonialism and is the focus of much research in post-colonial studies. Yet even if decolonization resulted in little more than a formal change, indeed perhaps especially if that was the case, this process of imperial disengagement deserves further study. <p>Given the nature of the process a comparative study of the phenomenon seems of evident relevance, yet it presents significant challenges. Each colonial empire often included very different geographical areas and produced a great variety of archival and other sources. But every level of analysis presents specific difficulties and limitations, while offering specific insights. Furthermore there has been a growing trend to recognize the importance of macro-level comparative approach to imperial studies both in the field of international history and of international relations. Robert Holland, for instance, argues that &lsquo;thematic comparison' is crucial because what might appear unique in single case study of empire may actually not be original. Therefore, looking systematically at convergences and divergences will provide a better understanding of the actual workings of empires. A number of edited volumes has followed in this line, but very recently the same author reaffirmed that &lsquo;overviews' on the &lsquo;end of empire are much needed, but to make any mark in future they must surely have some special slant, such as a genuinely comparative reach'. Also, few books in the field of political science and more specifically of international relations have addressed in generic terms the question of imperial demise. One exception is Moytil's Imperial Endings that formulates a general theory of imperial decline; another, closer to our aims and level of analysis, is Spruyt's Ending Empires that looks at British, French, and Portuguese - but also, Dutch, Russian, Israeli - processes of territorial devolution in terms of the impact on them of domestic political structures. </p><p>Still, probably the most common explanation of decolonization is in terms of a major change in international systematic power variables. The Cold War system &lsquo;with the shift of power from Europe [...] to the US and the USSR', with their relative hostility to traditional colonialism, had led to the disappearance of &lsquo;the European collective security for colonial empire'. More recently there have been influential studies pointing to the importance of normative changes, namely the re-emergence of the principle of national self-determination out the crisis of racist ideas with the demise of Nazism, more or less mediated by internal and international institutions. Here two important lines of analysis have been underdeveloped: One is the normative change in the attitude towards colonized territories by the main Churches; The other is the complex issue of the apparently relatively weak Western solidarity - namely between Britain, France, and Portugal - in these matters despite mutual consultations. These are two specific issues that when looking into norms, and looking at power, geopolitics and alliances will be further pursued. </p><p>But to what degree and in what measure can these factors be shown to have impacted the historically documented elite decision-making process to disengage from empire in each of these three colonial powers? Moreover, the military dimension of decolonization tends to deserve much less attention, because to do otherwise would be seen as giving too much weight to resistance by the imperial periphery in a decision to withdraw that tends to be seen primarily as being taken by the metropole for altruistic/normative or neo-colonial reasons. The research proposed here will, in parallel with those factors, have a further look at the impact of the attritional logic of guerrilla warfare on the calculations of costs and benefits of imperial domination. </p><p>Darwin (1988), pp.6-7. </p><p>For a significant example of this discussion in the context of international relations see Jackson (1993). </p><p>Holland (1994), pp.ix-x. </p><p>Holland (2008), p. 137. </p><p>Motyl (2001); Spruyt (2005). </p><p>Robinson (1984). </p><p>E.g. Finnemore (2003). </p>
Parceria: 
Não Integrado
Coordenador 
Data Inicio: 
02/05/2010
Data Fim: 
02/05/2013
Duração: 
36 meses
Concluído