Não há alternativa? Perceções de escolha económica e o seu papel no apoio democrático e no comportamento de voto nos países intervencionados da zona Euro

Não há alternativa? Perceções de escolha económica e o seu papel no apoio democrático e no comportamento de voto nos países intervencionados da zona Euro

Nos últimos 10 anos, a crise europeia das dívidas públicas europeia limitou severamente a margem de manobra dos governos dos países sob resgate, obrigando-os a enveredar pela integração monetária em detrimento da legitimidade democrática e da soberania nacional. Como resultado, a satisfação com a democracia e o apoio ao governo foram rapidamente afetados nos países sob resgate, não tendo ainda recuperado para os níveis verificados anteriores à crise. O descontentamento profundo dos cidadãos com as políticas económicas também causou uma forte deslegitimação da elite política, e uma mudança no comportamento eleitoral. Explorando uma nova via de investigação, o TINA procura examinar se a perceção de ausência de escolha económica pode explicar os reduzidos níveis de apoio à democracia e a mudança de comportamento eleitoral nos países da zona Euro. Será que os cidadãos sentem que as eleições são cada vez mais insignificantes que não conduzem a mudanças na política económica? Esta questão remete para o próprio fundamento da democracia: os eleitores serem capazes de escolher entre diferentes alternativas políticas.

O projeto TINA possui três objetivos principais: (1) desenvolver um indicador compósito ao nível micro da perceção da escolha económica - definida como oferta de diferentes políticas económicas e cumprimento desse mesmo mandato - e aferi-la através de  uma bateria de itens e de uma experiência em inquérito por questionário, (2) realizar um inquérito e uma experiência representativa nos quatro países da zona Euro com programe de resgate (Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha), e (3) determinar empiricamente o efeito da perceção da escolha económica nas atitudes democráticas e no comportamento eleitoral, utilizando os diversos dados recolhidos pelo inquérito e aplicando posteriormente os métodos mais adequados de análise causal e regressão.

Ao centrar-se na forma como os cidadãos percecionam a escolha da política económica, o TINA aborda um novo conceito. Até ao momento, os estudos já realizados demonstram apenas diferenças nas atitudes e no comportamento eleitoral entre os períodos pré e pós-crise, sem indagar qual é a componente da experiência da crise que efetivamente explica a insatisfação dos cidadãos. Ao desenvolver uma medida ao nível micro da perceção da escolha económica, ao testar esta mesma medida entre países, e ao avaliar sistematicamente o impacto da perceção da escolha económica nas atitudes e no comportamento dos cidadãos, este projeto irá explorar uma nova via de investigação e contribuir substancialmente para os campos da política comparada, europeização e comportamento político. Como tal, o TINA é o primeiro estudo a empreender uma análise abrangente das perceções das escolhas económicas, que é um aspeto chave para compreender as pressões sobre as democracias modernas em tempos de crises económicas cíclicas.

Estatuto: 
Entidade proponente
Financiado: 
Sim
Entidades: 
Fundação para a Ciência e Tecnologia
Keywords: 

Escolha democrática, políticas económicas, apoio democrático, comportamento eleitoral

Nos últimos 10 anos, a crise europeia das dívidas públicas europeia limitou severamente a margem de manobra dos governos dos países sob resgate, obrigando-os a enveredar pela integração monetária em detrimento da legitimidade democrática e da soberania nacional. Como resultado, a satisfação com a democracia e o apoio ao governo foram rapidamente afetados nos países sob resgate, não tendo ainda recuperado para os níveis verificados anteriores à crise. O descontentamento profundo dos cidadãos com as políticas económicas também causou uma forte deslegitimação da elite política, e uma mudança no comportamento eleitoral. Explorando uma nova via de investigação, o TINA procura examinar se a perceção de ausência de escolha económica pode explicar os reduzidos níveis de apoio à democracia e a mudança de comportamento eleitoral nos países da zona Euro. Será que os cidadãos sentem que as eleições são cada vez mais insignificantes que não conduzem a mudanças na política económica? Esta questão remete para o próprio fundamento da democracia: os eleitores serem capazes de escolher entre diferentes alternativas políticas.

O projeto TINA possui três objetivos principais: (1) desenvolver um indicador compósito ao nível micro da perceção da escolha económica - definida como oferta de diferentes políticas económicas e cumprimento desse mesmo mandato - e aferi-la através de  uma bateria de itens e de uma experiência em inquérito por questionário, (2) realizar um inquérito e uma experiência representativa nos quatro países da zona Euro com programe de resgate (Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha), e (3) determinar empiricamente o efeito da perceção da escolha económica nas atitudes democráticas e no comportamento eleitoral, utilizando os diversos dados recolhidos pelo inquérito e aplicando posteriormente os métodos mais adequados de análise causal e regressão.

Ao centrar-se na forma como os cidadãos percecionam a escolha da política económica, o TINA aborda um novo conceito. Até ao momento, os estudos já realizados demonstram apenas diferenças nas atitudes e no comportamento eleitoral entre os períodos pré e pós-crise, sem indagar qual é a componente da experiência da crise que efetivamente explica a insatisfação dos cidadãos. Ao desenvolver uma medida ao nível micro da perceção da escolha económica, ao testar esta mesma medida entre países, e ao avaliar sistematicamente o impacto da perceção da escolha económica nas atitudes e no comportamento dos cidadãos, este projeto irá explorar uma nova via de investigação e contribuir substancialmente para os campos da política comparada, europeização e comportamento político. Como tal, o TINA é o primeiro estudo a empreender uma análise abrangente das perceções das escolhas económicas, que é um aspeto chave para compreender as pressões sobre as democracias modernas em tempos de crises económicas cíclicas.

Observações: 
TINA é financiado por fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do projeto “EXPL/CPO-CPO/0506/2021”
Parceria: 
Não Integrado

TINA

Coordenador ICS 
Referência externa 
EXPL/CPO-CPO/0506/2021
Data Inicio: 
17/05/2022
Data Fim: 
16/11/2023
Duração: 
18 meses
Em curso