A Migração de Talentos Futebolísticos da África e do Brasil para a Europa: O Caso Português

A Migração de Talentos Futebolísticos da África e do Brasil para a Europa: O Caso Português

A migração de futebolistas para a Europa Ocidental aumentou dramaticamente nas últimas duas décadas, sendo uma grande parte deste fluxo laboral proveniente de África e da América do Sul. Este processo foi extremamente significativo para a indústria futebolística, tanto nos continentes de origem como nos que receberam o influxo de jogadores, com repercussões que vão muito além do desporto e da cultura popular. A importância da migração de talentos futebolísticos foi recentemente reconhecida como um tema importante de investigação académica, não só ao nível internacional como abrangendo uma série de disciplinas académicas, o que resultou no aparecimento de um número crescente de publicações sobre estas questões (Darby 2000; McGovern 2002; Magee & Sugden, 2002; Bale, 2004; Poli, 2006; Darby 2007a, 2007b; Alvito 2007; Darby, Akindes e Kirwin, 2007; Tiesler e Coelho, 2007).

Este projecto pretende contribuir com uma análise original, comparativa e de forte base empírica para a área de investigação, actualmente em expansão, dos estudos sobre Migração Internacional e para o seu estado da arte. Nesse sentido, a migração de talentos futebolísticos, da força laboral e de jogadores menores de idade será comparada, respectivamente, com três tipos de migração internacional, nomeadamente: a fuga de cérebros (neste caso "fuga de músculos"), migração laboral e infantil (incluindo o tráfico).

Através de estudos no terreno examinaremos várias vias migratórias, nomeadamente: do Brasil para Portugal, Dinamarca e Alemanha; da África Lusófona para Portugal, da África Ocidental para a Dinamarca e Alemanha. Estamos perante rotas muito utilizadas na migração internacional de jogadores de futebol. Para melhorar a nossa compreensão dos factores "de repulsão" e de "atracção" que afectam as decisões dos jogadores de futebol migrantes, este projecto também examina o papel da África do Sul como um canal através do qual os jogadores africanos migram para os países Europeus. Assim, a pergunta que guia a investigação é a seguinte: Quais são as causas e as consequências da migração de futebolistas predominantemente oriundos de países africanos ou sul-americanos para países do Norte, Centro e Sul da Europa? Esta pergunta é sustentada por uma série de questões transversais mais específicas:

 Causas:

Quais são os factores de repulsão que encorajam a saída dos futebolistas migrantes de África e do Brasil à procura de uma carreira profissional na Europa e como é que este movimento é facilitado?

Quais são os factores de atracção que levam os futebolistas a migrar para os países europeus escolhidos como estudos de caso no presente projecto?

Qual o papel que desempenham as federações desportivas nacionais nos locais de origem dos futebolistas, tais como a federação internacional de futebol, a FIFA, e as confederações continentais de futebol em África, na América do Sul e na Europa, na regulação / governança da migração laboral de futebolistas.

 Consequências:

Quais são as consequências deste processo de migração laboral e de talentos futebolísticos para as indústrias do futebol e para o consumo de futebol, tanto no países de origem como nos países de acolhimento?

Como é que os futebolistas migrantes lidam com a transição da América do Sul ou de África para a Europa?

De que forma é que as experiências dos futebolistas migrantes variam entre as diferentes sociedades europeias e até que ponto a partilha de um passado colonial (em comparação com os casos em que é inexistente) molda as experiências subjectivas dos futebolistas migrantes?

A migração de jogadores de futebol é um tema de investigação importante, uma vez que o futebol é talvez o desporto mais internacional e o que possui a dinâmica económica e política mais poderosa. Por exemplo, os actores principais (os clubes e as federações) e a União Europeia discutiram recentemente se o futebol deveria ser considerado como um caso "especial" e se as regulações que regem questões como o movimentos dos trabalhadores no interior e para a União Europeia e as restrições comerciais deveriam ser aplicadas de forma mais liberal na indústria do futebol.

Uma análise da migração laboral de futebolistas provenientes de África e da América do Sul para um conjunto específico de países europeus pode ajudar-nos a compreender de uma forma mais geral as causas, as consequências e as dinâmicas da migração para a Europa. Em particular, pensamos que o projecto irá esclarecer as nossas noções cada vez em maior número e menos claras sobre o significado da emigração e imigração e ajudar-nos a compreender as razões do sucesso e falhanço da integração em diferentes contextos societais.

Estatuto: 
Entidade proponente
Financiado: 
Não
Rede: 
X
Keywords: 

Migração de Talento Futebolistico, Africa-Brasil-Europa-Portugal, 4 Equipas de Futebol, Análise Comparativa de 4 Estudos de Caso

A migração de futebolistas para a Europa Ocidental aumentou dramaticamente nas últimas duas décadas, sendo uma grande parte deste fluxo laboral proveniente de África e da América do Sul. Este processo foi extremamente significativo para a indústria futebolística, tanto nos continentes de origem como nos que receberam o influxo de jogadores, com repercussões que vão muito além do desporto e da cultura popular. A importância da migração de talentos futebolísticos foi recentemente reconhecida como um tema importante de investigação académica, não só ao nível internacional como abrangendo uma série de disciplinas académicas, o que resultou no aparecimento de um número crescente de publicações sobre estas questões (Darby 2000; McGovern 2002; Magee & Sugden, 2002; Bale, 2004; Poli, 2006; Darby 2007a, 2007b; Alvito 2007; Darby, Akindes e Kirwin, 2007; Tiesler e Coelho, 2007).

Este projecto pretende contribuir com uma análise original, comparativa e de forte base empírica para a área de investigação, actualmente em expansão, dos estudos sobre Migração Internacional e para o seu estado da arte. Nesse sentido, a migração de talentos futebolísticos, da força laboral e de jogadores menores de idade será comparada, respectivamente, com três tipos de migração internacional, nomeadamente: a fuga de cérebros (neste caso "fuga de músculos"), migração laboral e infantil (incluindo o tráfico).

Através de estudos no terreno examinaremos várias vias migratórias, nomeadamente: do Brasil para Portugal, Dinamarca e Alemanha; da África Lusófona para Portugal, da África Ocidental para a Dinamarca e Alemanha. Estamos perante rotas muito utilizadas na migração internacional de jogadores de futebol. Para melhorar a nossa compreensão dos factores "de repulsão" e de "atracção" que afectam as decisões dos jogadores de futebol migrantes, este projecto também examina o papel da África do Sul como um canal através do qual os jogadores africanos migram para os países Europeus. Assim, a pergunta que guia a investigação é a seguinte: Quais são as causas e as consequências da migração de futebolistas predominantemente oriundos de países africanos ou sul-americanos para países do Norte, Centro e Sul da Europa? Esta pergunta é sustentada por uma série de questões transversais mais específicas:

 Causas:

Quais são os factores de repulsão que encorajam a saída dos futebolistas migrantes de África e do Brasil à procura de uma carreira profissional na Europa e como é que este movimento é facilitado?

Quais são os factores de atracção que levam os futebolistas a migrar para os países europeus escolhidos como estudos de caso no presente projecto?

Qual o papel que desempenham as federações desportivas nacionais nos locais de origem dos futebolistas, tais como a federação internacional de futebol, a FIFA, e as confederações continentais de futebol em África, na América do Sul e na Europa, na regulação / governança da migração laboral de futebolistas.

 Consequências:

Quais são as consequências deste processo de migração laboral e de talentos futebolísticos para as indústrias do futebol e para o consumo de futebol, tanto no países de origem como nos países de acolhimento?

Como é que os futebolistas migrantes lidam com a transição da América do Sul ou de África para a Europa?

De que forma é que as experiências dos futebolistas migrantes variam entre as diferentes sociedades europeias e até que ponto a partilha de um passado colonial (em comparação com os casos em que é inexistente) molda as experiências subjectivas dos futebolistas migrantes?

A migração de jogadores de futebol é um tema de investigação importante, uma vez que o futebol é talvez o desporto mais internacional e o que possui a dinâmica económica e política mais poderosa. Por exemplo, os actores principais (os clubes e as federações) e a União Europeia discutiram recentemente se o futebol deveria ser considerado como um caso "especial" e se as regulações que regem questões como o movimentos dos trabalhadores no interior e para a União Europeia e as restrições comerciais deveriam ser aplicadas de forma mais liberal na indústria do futebol.

Uma análise da migração laboral de futebolistas provenientes de África e da América do Sul para um conjunto específico de países europeus pode ajudar-nos a compreender de uma forma mais geral as causas, as consequências e as dinâmicas da migração para a Europa. Em particular, pensamos que o projecto irá esclarecer as nossas noções cada vez em maior número e menos claras sobre o significado da emigração e imigração e ajudar-nos a compreender as razões do sucesso e falhanço da integração em diferentes contextos societais.

Objectivos: 
Este projecto tem como objectivo contribuir com uma análise original, comparativa e de forte base empírica para a área de investigação, actualmente em expansão, dos estudos da Migração Internacional e para o seu estado da arte. Nesse sentido, a migração de talentos futebolísticos, da força laboral e de jogadores menores de idade será comparada, respectivamente, com três tipos de migração internacional: a fuga de cérebros, migração laboral e infantil. <p>Através de estudos no terreno examinaremos várias vias migratórias, nomeadamente: do Brasil para Portugal, Dinamarca e Alemanha; da África Lusófona para Portugal, da África Ocidental para a Dinamarca e Alemanha. Para melhorar a nossa compreensão dos factores "de repulsão" e de "atracção" que afectam as decisões dos jogadores de futebol migrantes, este projecto também examina o papel da África do Sul como um canal através do qual os jogadores africanos migram para os países Europeus. </p><p>Assim, a pergunta que guia a investigação é a seguinte: Quais são as causas e as consequências da migração de futebolistas predominantemente oriundos de países africanos ou sul-americanos para países do Norte, Centro e Sul da Europa?</p><p> </p>
State of the art: 
&nbsp; <p>The significance of football talent migration has recently been recognised as an important focus of scholarly research, internationallyand across a range of academic disciplines. This has led to an emerging body of literature. </p><p>Much of the resultant scholarship has interpreted the migration of athletic labour (of different sports) as a process that both contributes to and is a consequence of modern globalization in the fields of sports and far beyond. As a result, there is a growing trend to conceptualise this phenomenon by drawing on a framework cognisant of theorectical approaches to globalisation (Darby 2000; McGovern 2002; Magee &amp; Sugden, 2002; Bale, 2004; Poli, 2006; Darby 2007a, 2007b; Alvito 2007; Darby, Akindes and Kirwin, 2007; Tiesler &amp; Coelho, 2007). </p><p>This project continues in this vein but combines perspectives from within social sciences of sports and with those of Studies in Migration, Ethnicity, Racism and Postcolonialism. The here proposed transcontinental, pan-European and interdisciplinary study on international migration and trade of athletic talent includes a strong focus on the subjective experience of players of different age from Brazil and Africa who's trajectories lead to (and across) different schools/academies, clubs,&nbsp; countries and professional contexts. </p><p>The economic, cultural and social causes and consequences of athletic talent migration in labour recipient and exporting countries resonate with much of the broader legal and political discourse on migration into Europe (IOM 2003; VanSelm/Tsolakis 2004; European Commission 2004; Goedings 2005; Penninx 2005). Athletes are interesting informants in migration studies since their temporary and relatively loose integration into the host societies show new forms and dynamics of migration of specialists </p><p>The causes and consequences of athletic talent migration reach beyond an particular impact in the sending- and receiving countries, and far beyond the areas of Sport and Popular Culture. The complex legal and the ambivalent public debates, as well as an increasingly lucrative and organised &quot;business&quot; in and around the movement and mobility of celebrities, trainee players and young (partly under age) football talents from South America and Africa to Europe must be seen as an integral part of international migration. And still, apart from single scholarly works, the subject as such and the subjective experience of these migrants in particular are still mostly overlooked in social research concerned with migration in the first place (and not with sports). </p><p>Consequently, it is high time to discuss the phenomen in a wider sophisticated theoretical framework of Migration Studies, Studies in Sport, Ethnicity and Racism, based on comparative transcontinental and pan-European ethnographic case studies. </p><p>At moving in a theoretical framework which includes broadly Marxist interpretations of global development (dependency paradigm, world systems theory and opportunities for resistance and counter hegemonic tendencies), it will discuss and contrast views of exploitation and neo-imperialist relations (macro and meso level) with those perspectives which highlight the social mobility of migrants and emancipated (and emancipatory) transnational practise (meso and micro level). </p><p>Alvito, M. (2007). &quot;Our piece ... Brazilian football and globalisation&quot;. Soccer and Society, 8 (4): 524-544. </p><p>Bale, J. (2004). &quot;Three Geographies of Africa Footballer Migration...&quot; in Armstrong, G. &amp; Giulianotti, R. (eds), Football in Africa:..., Palgrave Macmillan, Basingstoke/New York: 229-246. </p><p>Darby, P. (2000). &quot;The New Scramble for Africa: African Football Labour Migration to Europe&quot;. The European Sports History Review, 3: 217-244. </p><p>Darby, P. (2007a). &quot;Out of Africa: The Exodus of African Football Talent to Europe&quot;. WorkingUSA: The Journal of Labour and Society, 10 (4): 443-456. </p><p>Darby, P. (2007b). &quot;African Football Labour Migration to Portugal: Colonial and Neo-Colonial Resource&quot;. Soccer and Society, 8 (4): 495-509. </p><p>Darby, P, Akindes, G and Kirwin, M. (2007). &quot;Football Academies and the Migration of African Football Labour to Europe&quot;. Journal of Sport and Social Issues, 31 (2): 143-161. </p><p>European Commission (2004). Common Basic Principles for Integration. JHA Council. </p><p>Glaser, B. &amp; Strauss, A. (1967). The discovery of grounded theory. Chicago: Aldine. </p><p>Goedings, S.A.W. (2005). Labor Migration in an Integrating Europe.... The Hague: SDU. </p><p>Hammersley, M. (1989). The Dilemma of Qualitative Method. London: Routledge. </p><p>IOM (2003). World Migration. Managing Migration - challenges and responses for people on the move. Geneva: IOM World Migration Report Series. </p><p>Maguire, J. (2004). &quot;Sport Labour Migration Research Revisited&quot;. Journal of Sport and Social Issues, 28 (4): 477-482. </p><p>Magee, J. &amp; Sugden, J. (2002). &quot;`The World at their Feet&acute;: Professional Football and International Labor Migration&quot;. Journal of Sport &amp; Social Issues, 26: 421-437. </p><p>McGovern, P. (2002) &quot;Globalisation or Internationalisation? Foreign Footballers in the English League, 1946-95&quot;. Sociology, 36: 23-42. </p><p>Penninx, R. (2005). &quot;Integration of migrants: economic, social, cultural and political dimensions&quot;, in M. Macura et al. (eds.), The new demographic regime. Population challenges and policy responses. NY/Geneva: United Nations, 137-152. </p><p>Poli, R. (2006). &quot;Africans' Status in the European Football Players' Labour Market&quot;. Soccer and Society, 7 (2-3): 278-291. </p><p>Strauss, A. &amp; Corbin, J. (1990). Basics of qualitative research: Grounded theory procedures and techniques. Sage Publications. </p><p>Tiesler, N.C. &amp; Coelho, J.N. (2007). &quot;Globalized Football at a Lusocentric Glance: Struggles with Markets and Migration, Traditions and Modernities...&quot;. Soccer and Society, 8 (4): 419-439. </p><p>Van Selm, J. &amp; Tsolakis, E. (2004). EU Enlargement and the limits of freedom. Migration Policy Information Source, <u>http://www.migrationinformation.org/issue_oct04.cfm</u>. </p>
Parceria: 
Rede Internacional
Sine Agergaard
Paul Darby
Detlev Claussen
Marcos Alvito
Coordenador 
Data Inicio: 
01/01/2009
Data Fim: 
01/12/2012
Duração: 
47 meses
Concluído