Grupos Empresariais em Portugal durante o Estado Novo
Grupos Empresariais em Portugal durante o Estado Novo
Este projecto tem dois objectivos principais. O primeiro é reconstituir o processo de criação e desenvolvimento dos chamados grupos económicos durante o período do Estado Novo. Nessa época o país adquiriu uma estrutura empresarial diferente daquela que existia antes e daquela que viria a existir depois. Importa saber porque se desenvolveu em Portugal entre os anos 30 e os anos 70 aquele tipo de solução empresarial, ultrapassando a pequena dimensão que é tradicional nas empresas portuguesas.
Uma das características essenciais destes grupos era a sua grande escala. Certas estimativas apontam para um volume de negócios dos sete maiores grupos empresariais do país em 1974 (o Grupo CUF, o Grupo Champallimaud, o Grupo Espírito Santo, o Banco Português do Atlântico, o Banco Borges & Irmão, o Banco Fonsecas & Burnay e o Banco Nacional Ultramarino) representando cerca de 75% do PIB. O grupo CUF, por exemplo, chegou a aparecer listado como um dos 200 maiores grupos europeus de inícios dos anos 70, sendo o maior da Península Ibérica.
O tópico tem ainda importantes implicações em termos de política económica. O Estado Novo é conhecido pelo seu elevado grau de intervenção na economia, e estes grupos cresceram, por isso, associados a essa intervenção. As políticas do Estado Novo, através do condicionamento industrial, não só restringiam a entrada de empresas nos diversos mercados como também favoreciam a criação de mercados oligopolísticos ou até monopolísticos.
O segundo objectivo do projecto é averiguar se a criação desta estrutura empresarial deu algum contributo específico para o crescimento económico verificado durante o período do Estado Novo. Como é sabido, este período (em particular entre os anos 50 e 1973) foi o de mais rápido crescimento da economia portuguesa em toda a sua história (v. Amaral, 2003). Para além disso, existe uma importante literatura internacional sobre a ligação entre o apoio do Estado, o desenvolvimento dos grupos e o crescimento económico, sobretudo baseada nos casos clássicos do Japão, dos países do Sudeste asiático, dos países da América Latina, dos regimes autoritários do período de entre¬guerras e das democracias de economia mista do período posterior à II Guerra Mundial.
A equipa reunida para a prossecução do projecto parece particularmente adequada para levar o esforço a bom termo. O Investigador Responsável, Álvaro Ferreira da Silva, é coorganizador de uma obra de referência na historiografia portuguesa (Lains e Silva, 2005) e tem vários estudos sobre história empresarial, alguns directamente relacionados com o tema deste projecto (como Silva, forthcoming). Jaime Reis é um autor de referência na moderna literatura portuguesa em história económica. Para além de obras sobre diversos tópicos, estão mais próximos dos temas relevantes para este projecto os seus trabalhos sobre empresas financeiras, como o Banco de Portugal (Reis, 1996) ou a Caixa Geral de Depósitos (Reis, 1997). Joaquim da Costa Leite tem¬se recentemente interessado por problemas tratados neste projecto, com atenção particular à perspectiva interdisciplinar, em especial na ligação entre a economia, a gestão e a história (Leite 2006). Luciano Amaral tem centrado a sua atenção no estudo comparado do crescimento económico português, como na sua tese de doutoramento (Amaral, 2003) e em outros textos sobre crescimento económico no período do pós¬guerra (Amaral, 2009a e 2009b). Pedro Neves tem dedicado a sua investigação à história empresarial dos séculos XIX e XX. Na sua tese de doutoramento (Neves, 2007) estudou as 50 maiores empresas industriais portuguesas entre 1880 e a 1ª Guerra Mundial.
Os promotores do projecto esperam poder apresentar as suas conclusões científicas tanto em conferências quanto em publicações relevantes, nacionais e internacionais. Esperam ainda oferecer à comunidade científica e ao grande público diversos objectos ou serviços de interesse: um banco de dados prosopográfico de empresários, gestores e decisores políticos do período do Estado Novo; uma base de dados bibliográfica sobre história empresarial em Portugal a ser disponibilizada em linha; uma base de dados de empresas portuguesas a ser disponibilizada em linha; um dicionário de gestores e empresários portugueses do século XX; e histórias de empresas e grupos portugueses.
O projecto trará um contributo muito importante para vários aspectos da história económica portuguesa em geral e do Estado Novo em especial. A enorme ignorância que existe sobre os grupos económicos é uma prova de que muito falta ainda fazer para compreender plenamente a economia portuguesa do século XX. Quem quiser estudar melhor as razões do notável crescimento económico do país no período do Estado Novo não pode deixar de considerar o tema principal deste projecto, o qual será, por conseguinte, um importante contributo para isso.
Projecto de Investigação PTDC/HISHIS/099683/2008, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (MCTES, Portugal)
Este projecto tem dois objectivos principais. O primeiro é reconstituir o processo de criação e desenvolvimento dos chamados grupos económicos durante o período do Estado Novo. Nessa época o país adquiriu uma estrutura empresarial diferente daquela que existia antes e daquela que viria a existir depois. Importa saber porque se desenvolveu em Portugal entre os anos 30 e os anos 70 aquele tipo de solução empresarial, ultrapassando a pequena dimensão que é tradicional nas empresas portuguesas.
Uma das características essenciais destes grupos era a sua grande escala. Certas estimativas apontam para um volume de negócios dos sete maiores grupos empresariais do país em 1974 (o Grupo CUF, o Grupo Champallimaud, o Grupo Espírito Santo, o Banco Português do Atlântico, o Banco Borges & Irmão, o Banco Fonsecas & Burnay e o Banco Nacional Ultramarino) representando cerca de 75% do PIB. O grupo CUF, por exemplo, chegou a aparecer listado como um dos 200 maiores grupos europeus de inícios dos anos 70, sendo o maior da Península Ibérica.
O tópico tem ainda importantes implicações em termos de política económica. O Estado Novo é conhecido pelo seu elevado grau de intervenção na economia, e estes grupos cresceram, por isso, associados a essa intervenção. As políticas do Estado Novo, através do condicionamento industrial, não só restringiam a entrada de empresas nos diversos mercados como também favoreciam a criação de mercados oligopolísticos ou até monopolísticos.
O segundo objectivo do projecto é averiguar se a criação desta estrutura empresarial deu algum contributo específico para o crescimento económico verificado durante o período do Estado Novo. Como é sabido, este período (em particular entre os anos 50 e 1973) foi o de mais rápido crescimento da economia portuguesa em toda a sua história (v. Amaral, 2003). Para além disso, existe uma importante literatura internacional sobre a ligação entre o apoio do Estado, o desenvolvimento dos grupos e o crescimento económico, sobretudo baseada nos casos clássicos do Japão, dos países do Sudeste asiático, dos países da América Latina, dos regimes autoritários do período de entre¬guerras e das democracias de economia mista do período posterior à II Guerra Mundial.
A equipa reunida para a prossecução do projecto parece particularmente adequada para levar o esforço a bom termo. O Investigador Responsável, Álvaro Ferreira da Silva, é coorganizador de uma obra de referência na historiografia portuguesa (Lains e Silva, 2005) e tem vários estudos sobre história empresarial, alguns directamente relacionados com o tema deste projecto (como Silva, forthcoming). Jaime Reis é um autor de referência na moderna literatura portuguesa em história económica. Para além de obras sobre diversos tópicos, estão mais próximos dos temas relevantes para este projecto os seus trabalhos sobre empresas financeiras, como o Banco de Portugal (Reis, 1996) ou a Caixa Geral de Depósitos (Reis, 1997). Joaquim da Costa Leite tem¬se recentemente interessado por problemas tratados neste projecto, com atenção particular à perspectiva interdisciplinar, em especial na ligação entre a economia, a gestão e a história (Leite 2006). Luciano Amaral tem centrado a sua atenção no estudo comparado do crescimento económico português, como na sua tese de doutoramento (Amaral, 2003) e em outros textos sobre crescimento económico no período do pós¬guerra (Amaral, 2009a e 2009b). Pedro Neves tem dedicado a sua investigação à história empresarial dos séculos XIX e XX. Na sua tese de doutoramento (Neves, 2007) estudou as 50 maiores empresas industriais portuguesas entre 1880 e a 1ª Guerra Mundial.
Os promotores do projecto esperam poder apresentar as suas conclusões científicas tanto em conferências quanto em publicações relevantes, nacionais e internacionais. Esperam ainda oferecer à comunidade científica e ao grande público diversos objectos ou serviços de interesse: um banco de dados prosopográfico de empresários, gestores e decisores políticos do período do Estado Novo; uma base de dados bibliográfica sobre história empresarial em Portugal a ser disponibilizada em linha; uma base de dados de empresas portuguesas a ser disponibilizada em linha; um dicionário de gestores e empresários portugueses do século XX; e histórias de empresas e grupos portugueses.
O projecto trará um contributo muito importante para vários aspectos da história económica portuguesa em geral e do Estado Novo em especial. A enorme ignorância que existe sobre os grupos económicos é uma prova de que muito falta ainda fazer para compreender plenamente a economia portuguesa do século XX. Quem quiser estudar melhor as razões do notável crescimento económico do país no período do Estado Novo não pode deixar de considerar o tema principal deste projecto, o qual será, por conseguinte, um importante contributo para isso.
Projecto de Investigação PTDC/HISHIS/099683/2008, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (MCTES, Portugal)




