Mudanças Climáticas, Costeiras e Sociais - Erosões glocais, concepções de risco e soluções sustentáveis em Portugal

Mudanças Climáticas, Costeiras e Sociais - Erosões glocais, concepções de risco e soluções sustentáveis em Portugal

Este projecto pretende explorar as interacções entre alterações climáticas globais, práticas de risco locais e o seu impacto em processos de erosão costeira. O tema é da maior relevância para um país como Portugal, cujas dificuldades em lidar com a erosão se agravarão no quadro dos cenários climáticos que apontam para a elevação do nível do mar de 18-59 cm até 2100. O projecto desenvolverá 3 estudos de caso em zonas costeiras onde os processos de erosão já são críticos: Vagueira, Costa da Caparica, e Quarteira. Será adoptada uma estratégia de investigação focada nas comunidades, assumindo que qualquer mudança no sentido de uma "nova" configuração costeira requererá uma renovada confiança entre populações locais e decisores, num processo de co-produção de saber. A caracterização dessas áreas em termos sócio-económicos e urbanos, políticas públicas e projectos privados será o ponto de partida para esta pesquisa, cujos objectivos gerais são: (a) o estudo das percepções e práticas locais de risco com impacto na erosão, através de uma análise de focus groups, da observação directa de práticas de risco e de um inquérito presencial; (b) a integração combinada de dados científicos e sociais em cenários regionais de alterações climáticas. Os cenários combinados tornar-se-ão depois instrumentos de terreno, sendo apresentados e discutidos com a população, com vista à preparação de futuros processos participativos, mediados por cientistas sociais e naturais. Os resultados da investigação serão objecto de debate científico e de recomendações de política local e geral. Dado que a actual produção científica acerca das formas de lidar com os efeitos das alterações climáticas em áreas costeiras portuguesas provém exclusivamente das ciências naturais, este projecto é teórica e empiricamente inovador em diversos aspectos: (1) pratica uma interacção inovadora entre ciências sociais e naturais, que fornece, às primeiras, cenários de impacto local fidedignos e, às segundas, variáveis sociais relevantes para integração nos referidos cenários; (2) parte da hipótese de que não existe um risco costeiro geral, mas uma pluralidade de condições locais de risco, socialmente determinadas a ser geridas de acordo com essa diversidade e especificidades; (3) assume a construção social do risco a nível local como um processo integrado de percepção, cognição e prática, que constitui também uma reconfiguração activa da relação com a costa e a adaptação à erosão; (4) produzirá conhecimento inédito acerca das dinâmicas relacionais em localidades afectadas por erosão costeira, que poderá também servir de base a futuras políticas públicas de gestão costeira. O projecto conta com uma equipa interdisciplinar - Instituto de Ciências Sociais (ICS-UL) e Faculdade de Ciências (FC-UL) - composta por sociólogos, antropólogos, historiadores, climatologistas e geólogos, e tem como consultores investigadores internacionais e nacionais experientes, permitindo capitalizar conhecimentos de anteriores projectos desenvolvidos na Grã-Bretanha e Holanda.

 

Estatuto: 
Entidade proponente
Financiado: 
Não
Entidades: 
Fundação para a Ciência e Tecnologia
Keywords: 

Alterações climáticas, Comunidades costeiras, Práticas de risco, Dinâmicas locais

Este projecto pretende explorar as interacções entre alterações climáticas globais, práticas de risco locais e o seu impacto em processos de erosão costeira. O tema é da maior relevância para um país como Portugal, cujas dificuldades em lidar com a erosão se agravarão no quadro dos cenários climáticos que apontam para a elevação do nível do mar de 18-59 cm até 2100. O projecto desenvolverá 3 estudos de caso em zonas costeiras onde os processos de erosão já são críticos: Vagueira, Costa da Caparica, e Quarteira. Será adoptada uma estratégia de investigação focada nas comunidades, assumindo que qualquer mudança no sentido de uma "nova" configuração costeira requererá uma renovada confiança entre populações locais e decisores, num processo de co-produção de saber. A caracterização dessas áreas em termos sócio-económicos e urbanos, políticas públicas e projectos privados será o ponto de partida para esta pesquisa, cujos objectivos gerais são: (a) o estudo das percepções e práticas locais de risco com impacto na erosão, através de uma análise de focus groups, da observação directa de práticas de risco e de um inquérito presencial; (b) a integração combinada de dados científicos e sociais em cenários regionais de alterações climáticas. Os cenários combinados tornar-se-ão depois instrumentos de terreno, sendo apresentados e discutidos com a população, com vista à preparação de futuros processos participativos, mediados por cientistas sociais e naturais. Os resultados da investigação serão objecto de debate científico e de recomendações de política local e geral. Dado que a actual produção científica acerca das formas de lidar com os efeitos das alterações climáticas em áreas costeiras portuguesas provém exclusivamente das ciências naturais, este projecto é teórica e empiricamente inovador em diversos aspectos: (1) pratica uma interacção inovadora entre ciências sociais e naturais, que fornece, às primeiras, cenários de impacto local fidedignos e, às segundas, variáveis sociais relevantes para integração nos referidos cenários; (2) parte da hipótese de que não existe um risco costeiro geral, mas uma pluralidade de condições locais de risco, socialmente determinadas a ser geridas de acordo com essa diversidade e especificidades; (3) assume a construção social do risco a nível local como um processo integrado de percepção, cognição e prática, que constitui também uma reconfiguração activa da relação com a costa e a adaptação à erosão; (4) produzirá conhecimento inédito acerca das dinâmicas relacionais em localidades afectadas por erosão costeira, que poderá também servir de base a futuras políticas públicas de gestão costeira. O projecto conta com uma equipa interdisciplinar - Instituto de Ciências Sociais (ICS-UL) e Faculdade de Ciências (FC-UL) - composta por sociólogos, antropólogos, historiadores, climatologistas e geólogos, e tem como consultores investigadores internacionais e nacionais experientes, permitindo capitalizar conhecimentos de anteriores projectos desenvolvidos na Grã-Bretanha e Holanda.

 

Objectivos: 
Analisar impactos previsíveis da erosão e alterações climáticas sobre as populações; Confrontar cenários de evolução costeira com as interpretações por parte das populações, da administração e dos media sobre os actuais fenómenos de erosão; Analisar as práticas e avaliações de risco dos diversos agentes sociais envolvidos no uso e gestão da costa e os respectivos impactos positivos e negativos sobre a erosão; Analisar as possíveis dinâmicas de interacção entre essas práticas/avaliações e o impacto das alterações climáticas; Revelar as tensões entre os actuais modelos de planeamento de gestão costeira e os conceitos, práticas e expectativas a nível local; Fornecer recomendações para um planeamento e uso do território mais sustentáveis, num quadro de risco acrescido de erosão costeira.
State of the art: 
With the onset of global climate change impacts upon coasts, vulnerability to erosion has become a major subject of research worldwide. Portugal is no exception and the drives for erosion are well known: (a) sea level rise; (b) cut-off of the sediment nourishing to the littoral drift; (c) anthropogenic degradation of natural coastal defenses; and (d) hard engineering protection structures [8]. Vulnerability and potential responses have also been assessed at a pan-European scale by European projects [10] and throughout the years by Portuguese researchers [30]. Climate change impact on coastal areas was extensively assessed by current project members in what was, to our knowledge, the first ever attempt to use a scenario-based approach to these issues [2, 20, 21]. Nevertheless, all the evidence dealing with the effects of climate change on coastal areas in Portugal derives exclusively from the natural sciences. The only contribution from the social sciences is the incorporation of socio-economic projections, such as expected growth of population and GDP measures, into the frameworks used by natural scientists. Internationally, social scientists have played a much greater role in coastal zone impacts assessment following the guidelines developed by the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) [18]. But even here there is a consensus that too much attention has been given to physical impacts at the expense of examining social vulnerability, as well as community-based interpretations of coastal erosion risk and adaptation to changing coasts [7].</p><p>Such limitations are even more critical when dealing with a subject like coastal erosion for which the general global scope normally used in modeling processes is unsatisfactory. The coast is a special spot where the global and the local clash. The very same properties of the problem demand a glocal focus [29] with the capacity to project over decades. This requires efforts directed not only to reduce global green house gas emissions: it also demands a careful look at local adaptation issues to increase the current limited social capacity to deal with rising sea levels [17, 13]. The coarse spatial and temporal scales of physical models make most assessments blind to local social factors operating at the level of coastal communities. This constitutes a major flaw in current international literature that this project aims to repair. Only the social sciences may provide a scale downsizing able to grasp local and regional phenomena. This kind of information would be much more valuable to inform policy decisions than large scale studieswith scarce practical application [1]. Also, the common use of &quot;risk society&quot; theory [4] to such threats revealed limitations on the understanding of local communities' role in building specific risk concepts [6] and their adaptation potential [22]. Therefore, this project is distinguished by an integrative approach previously developed by our research group members [12]. When looking at risk concepts and practices, we assume the coexistence of different rational ways to deal with threats. We consider the interplay between different social actors, namely how risks are managed by policy-makers, assessed by scientists, portrayed by the media and perceived and disputed by the public [11]. It is important to take into consideration that the interactions between climate change and the coast are characterized by high levels of uncertainty, which leads locally to an undervaluation of the problem and to its perception as a psychologically, temporally and spatially distant risk [16]. It is thus predictable that any adaptation policy willing to increase its legitimacy by inclusive and participated procedures with intense involvement of local populations in the design of a sustainable coast will face strong oppositions[14]. The focus groups, exhibitions and workshops present in our methodology, will be designed having in mind both the opportunities and dangers present in participatory processes already identified in the literature [5, 19]. The lack of social knowledge on climate change related issues shouldn't be blamed on an experience of limited cooperation between natural and social scientists. We can advance three reasons for why mainstream sociology has been largely oblivious concerning climate change: the marginalization of environmental sociology from prominent sociology journals and training programs; the difficulty of sociologists in assessing future social behavior; the foundational suspicion of naturalistic explanations for social facts inherited from the writings of Durkheim [9, 15]. To overcome such limitations, this proposal, in contrast, builds on the challenge of thinking together with natural scientists in a true interdisciplinary project (see methodology). More, the research group at ICS has been the major source of social knowledge in Portugal on environmental issues. Our scholarship on environmental practices and representations of the Portuguese population will be a major asset when dealing with climate change and coastal erosion [27]. And although there is a gap in the social sciences research in Portugal involving climate change, we are responsible for the only survey of the Portuguese population on climate change [24]. We have been dealing with sustainable development themes for a long time, taking into special consideration its local dimensions. We have already identified how processes of Agenda 21 Local may assume a crucial role in mobilizing populations for more active forms of citizenship practices [25]. Also, in dealing with environmental education projects in Portugal, we pinpointed the overwhelming role of local power in such actions as well as the generalized neglect of coastal themes [26]. For many years we have been taking the environment as a key variable for understanding Portuguese social change [23, 28].
Parceria: 
Não Integrado
Filipe Duarte Santos
Pedro Prista
Tiago Lourenço

CHANGE

Coordenador 
Data Inicio: 
01/03/2010
Data Fim: 
28/02/2013
Duração: 
42 meses
Concluído