Associações voluntárias e desenvolvimento local: políticas públicas, capital social e cidadania

Associações voluntárias e desenvolvimento local: políticas públicas, capital social e cidadania

Este projecto pretende estudar as associações voluntárias que desenvolvem a sua actividade em contextos determinados (urbanos ou rurais) com o intuito de contribuírem para a elevação da qualidade de vida, nomeadamente através da dinamização e revitalização (social, cultural e económica) das localidades onde se inserem. O estudo caracterizará as diferentes escalas dos processos de desenvolvimento local compreendidas entre a formulação genérica das políticas públicas (programas europeus e/ou nacionais), as estratégias de implementação no terreno e, por último, as suas consequências ao nível da formação local de redes de capital social.

Estatuto: 
Entidade proponente
Financiado: 
Não
Keywords: 

Associativismo, capital social, coesão.

Este projecto pretende estudar as associações voluntárias que desenvolvem a sua actividade em contextos determinados (urbanos ou rurais) com o intuito de contribuírem para a elevação da qualidade de vida, nomeadamente através da dinamização e revitalização (social, cultural e económica) das localidades onde se inserem. O estudo caracterizará as diferentes escalas dos processos de desenvolvimento local compreendidas entre a formulação genérica das políticas públicas (programas europeus e/ou nacionais), as estratégias de implementação no terreno e, por último, as suas consequências ao nível da formação local de redes de capital social.

Objectivos: 
1) Reexaminar e problematizar o conceito de capital social mediante a sua operacionalização no âmbito das duas dimensões centrais do presente projecto, a saber, o associativismo voluntário e o desenvolvimento local. <br>2) Caracterizar os processos inerentes à concepção, programação e aplicação das políticas públicas tendo como referência as instituições e os diversos agentes de desenvolvimento. <br>3) Medir o impacto das repercussões dessas políticas nas populações tendo por base as diversas acções de intervenção sócio-espaciais. <br>4) Apreender e avaliar a relevância das políticas públicas na dinamização de sinergias locais traduzíveis na implementação de redes sustentáveis e no incremento de capital social, que se reflicta em novas formas de cidadania (locais e globais). <br>5) Analisar os processos de monitorização dos resultados alcançados, nomeadamente a sua importância na definição das acções e da sua eficácia. <br>
State of the art: 
Nos últimos tempos, o estudo do associativismo voluntário ganhou redobrada atenção e produção científica, o que se relaciona com um maior diálogo por parte dos Estados com as respectivas sociedades civis na elaboração e implementação de políticas públicas ligadas à sustentabilidade e a cidadania, especialmente no contexto da União Europeia. <br>A relevância social, económica e cultural destas associações está ainda presente na promoção de capital social, conceito actualmente no centro do estudo académico da sociedade civil (Bourdieu, 1979; Portes, 1998; Putnam, 2000; Van Deth, 2003). Paralelamente, foi introduzido e tem sido debatido o conceito de associative democracy, em que as organizações que intervêm na economia social se tornam um veículo crucial para a renovação da democracia representativa (Hirst, 1994). <br>O capital social é o valor resultante das relações de reciprocidade interpessoal assentes nas redes sociais e vocacionadas para a concretização de objectivos mútuos em prol dum conjunto de indivíduos. A ideia central da teoria do capital social é que as redes sociais têm valor, porquanto propiciam contactos que podem afectar o aumento da produtividade e do bem-estar dos indivíduos e dos grupos (Putnam, 2000). <br> Esta perspectiva permite, então, entender o contributo do terceiro sector segundo duas dimensões interdependentes, uma mais ligada ao desenvolvimento económico (profissionalização, empregabilidade, formação profissional, educativa, etc.) e outra mais ligada à coesão territorial e social. <br>As políticas de combate à pobreza e à exclusão assentam na noção de inserção social ? que é ?o processo que caracteriza a passagem das pessoas, famílias ou grupos das situações de exclusão para as de participação social e cidadania? (Capucha, 1998) ? e têm contado com o auxílio de parte do terceiro sector, designadamente do que está mais enraizado localmente. <br>A inserção social implica sempre um duplo movimento, daí o seu carácter dinâmico: por um lado, a vontade e a participação dos que têm escassos recursos e dos excluídos dos processos que permitem aceder aos direitos de cidadania; por outro, a criação de oportunidades e de possibilidades por parte de certos agentes sociais no sentido de serem construídos projectos de vida autónomos consonantes com os interesses dos sujeitos (Capucha, 1998). Há, assim, que reconsiderar os processos de transacção social existentes entre os excluídos e a sociedade: a inserção implica uma troca mútua nos níveis simbólico e material. Em síntese, a inserção social opera-se nos ?diferentes quadros sociais integradores? (Xiberras, 1996: 26), como sejam a família, os sistemas de protecção social, o mercado laboral, entre outros. <br>

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Coordenador 
Data Inicio: 
30/11/2007
Data Fim: 
30/11/2010
Duração: 
36 meses
Concluído