PolicyBrief_MarianaLiz_25_Jan_2022
1. ENQUADRAMENTO Apesar da forte presença mediática de produ- tores, realizadores, atores e outros agentes do cinema e audiovisual em Portugal, a discussão sobre as políticas públicas nacionais para o sector é manifestamente insuficiente. A importância que a imagememmovimento tem nas sociedades contemporâneas e, sobretudo, na formação e desenvolvimento de crianças e jovens justifica a inversão desta tendência. Associada a esta importância, que infeliz- mente não se traduz ainda num financiamento adequado, vem uma forte necessidade de regulação. Que medidas devem ser adotadas de forma a garantir que o sector do cinema e audiovisual é não só dinâmico do ponto de vista económico, mas tem também um impacto positivo na vida de todos os cidadãos? Este policy report centra-se na educação para o cinema, uma área que tem crescido em importância a nível internacional. Em Portugal, o Plano Nacional de Cinema (PNC) foi criado em 2013 e o Plano Nacional das Artes (PNA) em 2019, tendo por base o enorme sucesso do Plano Nacional de Leitura (PNL), de 2006. Em 2022, um novo despacho lançou o PNC 2021-2030. Face às estruturas que já existem no terreno, e ao trabalho que os organismos do sector têm desenvolvido em Portugal, surge agora a oportunidade de, com medidas estratégicas, posicionar de forma mais central a educação para o cinema, dando-lhe o destaque que merece na sociedade contemporânea, e o suporte necessário para que chegue a cada vez mais crianças e jovens. Tendo em conta a realidade do cinema e audiovisual em Portugal e o que tem sido feito noutros países europeus, este documento contribui para o debate internacional e muito atual sobre o financiamento e a promoção de políticas públicas nesta área. D a literacia fílmica à educação para o cinema O conceito de “literacia fílmica” supõe uma abordagem aos filmes enquanto textos que crianças e jovens devem saber ler. Tem vindo a ser substituído pela expressão mais abrangente “educação para o cinema”, que assume que não se pode aprender a ler sem, ao mesmo tempo, se aprender a escrever – ou, no caso do cinema e audiovisual, que é tão importante ver como experimentar fazer filmes, bem como desenvolver os dois processos de forma reflexiva e colectiva. Para além disto, a expressão educação para o cinema sugere que a imagem em movimento integra múltiplas dimensões da vida quotidiana. O cinema integra hoje um universo de dispositivos, tecnologias e formas artísticas que combinam imagem e som e permitem um conhecimento e experimentação criativa do mundo semparalelo. Assim, onde se lê educação para o cinema deve ler-se educação para o cinema, audiovisual e imagem em movimento. Adota-se, ainda assim, a palavra cinema, porque ele pode ser visto como o ponto de partida das restantes formas que a imagem em movimento tomou ao longo da sua história. O cinema continua, por isso mesmo, a ocupar uma posição de primazia no que pode ser, não tanto uma abordagem à literacia mediática, mas sim à educação para as artes, cultura e criatividade e, portanto, a uma educação mais ajustada à sociedade contemporânea. 01
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