ICS Research Biref 2021 - Observatório Permanente da Juventude
ÍNDICE 3 Jovens na Assembleia da República 5 Jovens no Governo 7 Jovens Portugueses no Parlamento Europeu 10 Considerações Finais 11 Referências Bibliográficas O aparente “divórcio” entre os jovens e a política tem sido ampla- mente discutido e, inclusive, dado como uma certeza nas últi- mas décadas. Mas existirá, efetivamente, um “divórcio” no que diz respeito à representação de jovens na política? E, a existir, quais são as causas? Quem cometeu “adultério”? Noutras palavras, se os jovens estão efetivamente distantes de cargos políticos, a quem podem ser assacadas responsabilidades? Por um lado, argumenta-se que a culpa deste “distanciamento” reside nas novas gerações, que deixaram de se interes- sar pela política. Por outro, que as oportunidades em cargos políticos lhes estão vedadas. Com efeito, as novas gerações apresentam um declínio da participação política, filiação partidária e confiança nas instituições políticas superior ao das restantes faixas etárias. Este processo de “individualização e desins- titucionalização” trouxe preocupações sobre o presente e o futuro das democracias (Bruter e Harrison, 2009). Em particular, com a parca reno- vação dos dirigentes políticos no quadro institucional e a sub-representa- ção jovem nas instituições políticas (Sundström e Stockemer, 2019; IPU, 2021). No entanto, à medida que as organizações partidárias se tornaram progressivamente mais profissionalizadas, deixaram de investir em canais de recrutamento, formação e socialização. Os jovens podem até desertar da participação política convencional, mas não só não deixam de o fazer através de outras formas, tais como associações (cívicas, estudantis, pro- fissionais, etc.), grupos de interesse e ONGs (Augusto, 2008), como não é certo que a sua representação nas principais instituições políticas tenha diminuído. Será este um sintoma da falta de capacidade das organizações políticas tradicionais em incluírem as novas gerações? Neste research brief , analisamos como tem evoluído a representação das novas gerações em instituições políticas fundamentais. Assim, explora- mos a presença da camada etária mais jovem na Assembleia da República, Governo de Portugal e Parlamento Europeu em perspetiva longitudinal. Recorre-se a dados secundários das biografias dos deputados à Assembleia da República de 1976 a 2015 (Freire 2009a, 2009b; Freire et al., 2012, 2016). Estes foram atualizados até à presente legislatura através da página oficial do parlamento e das páginas oficiais dos deputados. No que concerne ao Parlamento Europeu, fazemos referência a dados de todos os eurodepu- tados eleitos pelos diversos Estados-membros, recolhidos de Stockemer e Sundström (2019), para o período 1979-2014, e atualizados pelos autores O aparente “divórcio” entre os jovens e a política tem sido amplamente discutido e, inclusive, dado como uma certeza nas últimas décadas. Mas existirá, efetivamente, um “divórcio” no que diz respeito à representação de jovens na política? E, a existir, quais são as causas?
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