ICS Research Biref 2021 - Observatório Permanente da Juventude
10 CONSIDERAÇÕES FINAIS E ste research brief apresenta o número de jovens que, ao longo da democracia portuguesa, ocuparam funções de deputados, ministros e secretários de Estado. Deste modo, avalia-se se esta condição geracional é uma “vantagem de grupo” ou uma “barreira” na seleção para titulares desses cargos políticos. Os resultados espelham a “lei da desproporção crescente” de Putnam: quanto mais elevado o cargo político, mais restrito é o seu acesso, aumentando a desproporção face à população geral (1976: 33-36). Apesar de o último relatório da União Interparlamentar (IPU, 2021) demonstrar que houve um crescimento generalizado da presença de jovens em instituições políticas, em Portugal a tendência é contrária. Há um aumento da idade dos dirigentes políticos. O ideal de representação política descritiva está ainda longe de ser alcançado. A juventude corresponde a cerca de 35% da sociedade portuguesa, mas, atualmente, não chega a 15% dos membros de qualquer instituição política. Adotamos este critério à semelhança de outros estudos (por exemplo, Sundström e Stockemer, 2019), dado que, apesar de a idade elegível ser apenas a partir dos 18 anos, são os jovens (aqui definidos como até aos 35 anos), nesta perspetiva, que mais partilham dos interesses e necessidades das gerações mais novas. Não obstante, mesmo tendo em conta apenas os cidadãos entre os 18 e os 35 anos para o cálculo do rácio, o número de eleitos jovens continuaria a não corresponder ao seu peso populacional. Ademais, a representação juvenil tem vindo a diminuir no parlamento e no governo, no qual há 26 anos que a inclusão de jovens está restringida a secretarias de Estado. Já no Parlamento Europeu, embora exista um ligeiro crescimento nas últimas duas décadas, continua a estar abaixo de valores anteriores. Ao nível partidário, não há uma tendência estável ao longo do tempo. Não obstante, analisando a totalidade dos mandatos, é possível inferir que os partidos ecologistas e de esquerda radical tendem a ter uma representação de jovens superior às restantes organizações partidárias. Todavia, nenhum dos partidos tem, no total, uma integração de jovens correspondente ao peso societal desta geração, o que demonstra que as estratégias para a designação de titulares de cargos políticos serão determinadas por outros incentivos que não a tentativa de espelhar as diversas tendências da sociedade portuguesa. Agradecimento: Os autores agradecem a colaboração de Thaís Brito e de Rui Pedro Gomes na recolha e tratamento de parte dos dados.
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