ICS Policy Brief 2020 - Observatório Permanente da Juventude
10 de educação, formação e emprego tradicionais. Esta abordagem irá permitir, por um lado, ajustar as ofertas às necessidades e expectativas dos jovens e, por outro lado, contemplar também as necessidades e oportunidades dos sectores de atividade locais que possam ser inovadores e alternativos, consolidando verdadeiros clusters territoriais de competências. Transportes A mobilidade geográfica dos jovens que residem em áreas rurais é limitada pela escassa oferta, em termos de frequência e variedade, de transportes públicos. Esta (i)mobilidade é uma barreira no acesso às ofertas de educação, formação e emprego, geralmente disponibilizadas em áreas mais urbanas. O transporte individual não é opção devido aos elevados custos envolvidos. As propostas de formação e o trabalho de intervenção com jovens devem ter em conta esta limitação e procurar encontrar soluções alternativas. Programas de incentivo para permitir aos jovens obter a carta de condução pode também constituir uma medida relevante, porque amplia as suas competências e possibilidades de acesso ao mercado de trabalho. Tratando-se de zonas muitas vezes isoladas, a carta de condução torna-se um elemento valorizado nos processos de recrutamento. Paralelamente, é também importante intensificar esforços para assegurar meios de transporte público regulares, sustentáveis e a preços acessíveis, a fim de melhorar a ligação entre as zonas urbanas e as zonas rurais e remotas. Flexibilidade e diversidade formativa A oferta formativa em contextos rurais deve ser flexível e diversificada, permitindo aos jovens acumular um conjunto diversificado de competências e compor um percurso formativo diferenciado e mais adaptado aos seus interesses, disponibilidades pessoais e necessidades. As temáticas formativas devem explorar os conteúdos de uma forma participativa com base, sempre que possível, no modelo de educação não formal, procurando capacitar o indivíduo em competências pessoais, sociais e profissionais (não meramente técnicas) facilitadoras e promotoras da empregabilidade no quadro de um projeto de vida mais amplo. Inclusão digital Numa sociedade em que a comunicação é cada vez mais mediada pelas TIC’s, o acesso e domínio das mesmas por parte dos jovens assume cada vez maior importância, sobretudo em meios rurais e/ou isolados, na medida em que permitem encurtar distâncias e facilitam o acesso ao conhecimento. Promover a inclusão digital dos jovens em contextos rurais passa, em primeiro lugar, por políticas que promovam a democratização do acesso e uso de ferramentas digitais, por forma a ultrapassar um conjunto de barreiras, tais como: acessibilidade – o investimento na aquisição equipamentos eletrónicos, como um computador, por exemplo, que nem sempre é acessível às famílias; conetividade – muitas zonas rurais e remotas têm ainda uma fraca cobertura de internet; literacia – é necessário dotar os jovens de um conjunto de competências que lhes permita potenciar o uso das TIC’s e da internet; consciencialização – nem todos os jovens têm noção da importância e potencialidades do uso das TICs e do acesso à internet, para além do uso mais pessoal; relevância – os conteúdos (por exemplo, a existência de formações em modalidade e-learning) devem ser pertinentes e adequados por forma a motivar os jovens à formação ao longo da vida.
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