ICS Policy Brief 2019 - Instituto do Envelhecimento

8 Procurando semelhanças e dissemelhanças, por um lado, dos municípios de Lisboa e do Porto com o cenário nacional e, por outro, entre eles, observa-se que, a nível da estrutura etá- ria dos seniores, entre 2001 e 2011, o Porto exibe um padrão de envelhecimento da população sénior, como observado no cenário nacional, contudo bastante mais acentuado (de 42,3%, comparativamente aos 23,7% em Portugal). Em contrapartida, em Lisboa o grupo dos 65-74 anos é o que mais cresce (15,8%), sendo que o grupo dos 75 e mais anos perde peso relativo (9,9%). Quer isto dizer que, entre os dois períodos censitários, no Porto acentua-se o envelhecimento, enquanto em Lisboa a tendência é de relativa renovação das gerações seniores. A dis- tribuição por sexo nos municípios de Lisboa e do Porto segue, em traços largos, a tendência nacional. No que concerne ao nível de escolaridade, entre 2001 e 2011, evidencia-se um processo convergente no sentido de um aumento dos capitais escolares, em Lisboa e no Porto, ou seja, uma proporção mais elevada de seniores com níveis de escola- ridade superiores ao 1.º ciclo do ensino básico em 2011 do que a que se registava em 2001 (19,7% no Porto e 10,2% em Lisboa). Esta é uma tendência que não é acompanhada a nível nacio- nal, revelando, por isso, a sua natureza mais urbana. Apesar disso, observa-se que, em ambos os períodos, a proporção de seniores com níveis de escolaridade acima do 1.º ciclo do ensi- no básico é mais alta em Lisboa (36,2% em 2001 e 39,9% em 2011) do que no Porto (28,9% e 34,6%, respetivamente). Os agregados domésticos em que residem os seniores repre- sentantes dos alojamentos nos dois grandes centros urbanos são semelhantes aos verificados a nível nacional, sendo as diferenças sobretudo na intensidade. Em ambos os períodos e nos dois municípios, a tipologia de agregado doméstico mais frequente entre os seniores em arrendamento é um casal sem filhos. Entre 2001 e 2011, apesar de a proporção de seniores nesta categoria ter crescido mais no Porto do que em Lis- boa, a proporção observada nos dois municípios é, em 2011, praticamente a mesma: 41,6% no primeiro caso, e 41,9% no segundo. Em linha com a tendência nacional, os agregados constituídos por pessoas sós representam a tipologia de agre- gados domésticos que mais cresceu em ambos os dois muni- cípios ao longo do período em causa. Porém, no Porto esse crescimento é bastante mais acentuado (35,3%) do que o de Lisboa (15,4%), encontrando-se este último mais próximo do crescimento verificado em termos nacionais (16,1%). Somando estas duas tipologias, pessoas sós e casais sem filhos, em 2011 observa-se que uma grande parte dos seniores residentes em arrendamento em contextos urbanos se confronta com um risco mais elevado de isolamento: 78,7% em Lisboa e 77,6% no Porto, valores acima da proporção já bastante alta a nível nacional (75,6%). Referindo a tendência para a sobreocupação dos alojamen- tos, verifica-se que o Porto segue, de uma maneira geral, a tendência nacional, com 1,9 quartos por pessoa em 2001, e 2,7 em 2011, ou seja, um aumento de 44,7%. Lisboa apresenta a mesma tendência, apesar de o aumento ser mais pequeno (27,7%), o que se justifica pela situação mais desajustada de partida, em 2001, de 2,2 quartos por pessoa. No entanto, em 2011, o número médio de quartos por pessoa nos alojamentos em arrendamento cujo representante tem 65 e mais anos é de 2,8. Por último, a proporção de seniores em arrendamento que residem em edifícios de construção anterior a 1970 nos cen- tros urbanos é mais elevada do que no cenário nacional, sem- pre superior a 80%. Neste aspeto, as tendências de Lisboa e do Porto divergem. Enquanto em Lisboa a proporção de seniores que residem em edifícios muito antigos (anteriores a 1970) aumenta entre 2001 e 2011, no Porto a tendência é de dimi- nuição, refletindo uma maior mobilidade residencial. TENDÊNCIAS E PERFIS DOS SENIORES EM ARRENDAMENTO PRIVADO, LISBOA E PORTO Entre os dois períodos censitários, no Porto acentua-se o envelhecimento, enquanto em Lisboa a tendência é de relativa renovação das gerações seniores.

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