ICS Policy Brief 2018 - Instituto do Envelhecimento

9 COMO O GRUPO DE 65 E MAIS ANOS SE COMPARA COM OS OUTROS GRUPOS ETÁRIOS? COMO SE COMPARAM, NO GRUPO DOS 65 OU MAIS ANOS, OS INDIVÍDUOS MAIS INSTRUÍDOS COM OS MENOS INSTRUÍDOS? A comparação das diferentes dimensões por grupos etários tende a revelar um padrão segundo a idade, que coloca o gru- po dos 65 e mais anos numa posição relativa mais desfavo- rável. No entanto, falamos de uma tendência geral que não exclui algumas exceções nas quais esse mesmo grupo surge mais bem colocado ou numa posição idêntica à dos outros grupos. Em todo o caso, existem cinco dimensões em que as posições do grupo mais velho contrastam: saúde, sentimento de segurança, vinculações sociais, sentimento de bem-estar e educação. No que respeita à saúde, os indivíduos com 65 e mais anos revelam posições mais desfavoráveis nos três indicadores usa- dos - no estado subjetivo da condição de saúde, na existência de doenças crónicas e na presença de incapacidades ou limita- ções nas atividades diárias. A relação entre estes indicadores e a idade é linear. À medida que esta sobe, a posição no indi- cador piora. Em termos do sentimento de segurança, os dois indicado- res usados comportam-se de modo oposto, embora de acordo com o que é previsível: os mais velhos têm um sentimento de insegurança mais elevado à noite, mas, em contrapartida, têm menos propensão a tornarem-se vítimas, acontecendo o oposto nos outos grupos, especialmente nos mais novos. Do ponto de vista dos vínculos sociais, os resultados diver- gem um pouco de acordo com os indicadores usados. Os mais velhos não têm necessariamente menos interações do que os outros dois grupos etários, mas parecem divergir na quali- dade ou pelo menos na intensidade das mesmas. Com efei- to, tendem a participar menos regularmente em atividades sociais e têm menos pessoas com quem possam interagir de modo mais pessoal. O sentimento de bem-estar, que reflete os indicadores da felicidade subjetiva e da satisfação com a vida, é muito mar- cado pela idade. Atinge os valores mais altos no grupo mais No âmbito da comparação entre o grupo mais instruído e o menos instruído, a escolaridade é vista não apenas como uma variável capaz de influenciar algumas das dimensões da qualidade de vida, envolvendo motivações, interesses e mes- mo comportamentos, mas também, devido à sua associação com outras variáveis de natureza socioeconómica, de refletir os aspetos mais diretamente relacionados com as condições materiais dos indivíduos. Atendendo a este duplo impacto, não surpreende verificar que os menos instruídos surjam em posições menos favoráveis na maior parte das dimensões. É assim que manifestam uma condição menos saudável, uma menor participação política, menos capacidade de suportar despesas, uma vida social e pessoal menos intensa, um sen- timento menos positivo, e ainda condições materiais menos favoráveis, designadamente em termos de rendimentos e de habitação. Tendem ainda a ser mais frequentemente vítimas de crime. Em contrapartida, os mais instruídos aparecem numa posição relativa menos favorável apenas em duas situações: sentem-se menos seguros quando saem após o anoitecer e têm uma perceção menos positiva da qualidade de vida dos refor- mados, o que pode não ter apenas a ver com a sua própria condição de vida. Em todo o caso, devido a combinar efeitos socioeconómicos e culturais, a educação, tendo em conta os indicadores ana- lisados, é bastante discriminante em relação à qualidade de vida das pessoas. novo e decresce a partir daí. Por último, a educação revela sem surpresa que o grupo mais velho é o menos instruído. Não se tratando de um efeito de idade mas sim de um efeito geracional, o grau de escola- ridade das pessoas mais velhas tenderá a melhorar à medida que as gerações mais novas e mais instruídas forem envelhe- cendo e substituindo as gerações que as precederam. No espa- ço de uma ou duas gerações, a educação deixará de sancionar o grupo das pessoas mais velhas. Se estas cinco dimensões penalizam em termos relativos a qualidade de vida das pessoas mais velhas, não se pode deduzir que nas restantes dimensões revelem uma posição bastante mais favorável. Na verdade, é apenas no indicador número médio de quartos que elas assumem uma vantagem relativamente aos demais grupos. Apesar de o indicador reve- lar habitações de maior dimensão, refletindo eventualmente situações de sobreocupação residencial, é omisso quanto às condições das mesmas, designadamente em termos de qua- lidade. Seja como for, é o único indicador em que as pessoas mais velhas surgem numa posição claramente mais favorável. Nas restantes dimensões, elas tendem a aproximar-se mais frequentemente do grupo em idade ativa, ainda que haja uma dimensão em que se aproximam do grupo jovem, e outra ain- da, a posição ambiental, em que não se registam diferenças entre os grupos etários, refletindo por conseguinte uma preo- cupação transversal. É relativamente aos rendimentos que o grupo mais novo e o mais velho convergem e se demarcam do grupo em idade ati- va, na medida em que este beneficia de níveis de rendimento mais favoráveis. No entanto, a aproximação entre estes dois grupos acontece apenas uma vez, ao passo que a convergência do grupo mais velho com o que está em idade ativa se verifica em duas dimensões: na participação política e na capacidade em suportar despesas, sejam elas correntes ou inesperadas.

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