ICS Policy Brief 2018 - Instituto do Envelhecimento
11 Conclusão Com base nos indicadores analisados, a qualidade de vida tende a diminuir com a idade. Há, no entanto, algumas exceções. Comparativamente aos mais novos, o grupo mais velho apresenta uma avaliação mais positiva da participação política e um nível de rendimento similar. A preocupação ambiental é transversal a todos os grupos. A qualidade de vida não é apenas afetada pelas condições materiais, como o rendimento ou a capacidade de suportar despesas, sejam elas correntes ou inesperadas, mas também por aspetos mais subjetivos, como o sentimento de felicidade e de satisfação com a vida. A perceção das circunstâncias de vida, como no caso da saúde ou da segurança, jogam também um papel importante. Confinado aos mais velhos, o grau de escolaridade revela-se muito discriminante. Em quase todos os indicadores, as pes- soas menos instruídas estão mais representadas nas respostas negativas, que refletem uma qualidade de vida menos positiva. A associação entre a educação e a qualidade de vida sugere que o aumento daquela pode impactar positivamente nesta última. Obviamente, não se ignora que a educação pode funcionar como um indicador da condição socioeconómica e mesmo, até certo ponto, da saúde, pelo que, pelo menos no curto prazo, a qualidade de vida estará possivelmente mais dependente do comportamento das condições mais «objetivas». Já as dimensões de natureza «subjetiva» tenderão a beneficiar do aumento da escolaridade da população. A qualidade de vida das pessoas encontra-se naturalmente dependente da economia do país, sendo de esperar que aquela acompanhe a evolução desta última. Apesar de a melhoria da qualidade de vida depender das condições económicas, as diferenças entre grupos revelam que há um campo de intervenção para as políticas públicas no sentido de proporcionar uma maior equidade entre eles, tanto no que diz respeito à redução das desigualdades socioeconómicas, quanto às condições de vida em sentido mais amplo que acompanham o processo de envelhecimento. O CONTRIBUTO DE CADA DIMENSÃO PARA A QUALIDADE DE VIDA Depois de se estabelecerem as diferenças, primeiro, entre os grupos etários, e, de seguida, entre os indivíduos mais ins- truídos e os menos instruídos com 65 e mais anos, impor- ta também comparar as dimensões entre si, de modo a fazer sobressair as dimensões que são por eles avaliadas mais positi- vamente e as que são, inversamente, mais penalizadas. Como essa comparação não pode ser feita diretamente, seja porque as dimensões não contemplam o mesmo número de indicado- res ou porque estes não usam a mesma escala, teve de se usar um processo de estandardização de modo a torná-la possível, proporcionando assim uma visão de conjunto entre a qualida- de de vida e o envelhecimento. O alinhamento circular das dimensões que representam a qualidade de vida deixa facilmente perceber a existência de contrastes significativos entre elas. Mais concretamente, entre as que contribuem mais positivamente para a qualida- de de vida, como o sentimento de bem-estar, a preocupação ambiental, a participação política e a habitação, e as restantes dimensões cuja contribuição é bastante mais limitada. Nestas últimas, destaca-se o rendimento, a escolaridade e o estado de saúde como constituindo as dimensões que mais penalizam a qualidade de vida. O facto de as dimensões com contribuições modestas suplantarem as que revelam impactos significati- vos sugere a existência de um vasto campo possível de inter- venção e de melhoramentos. Uns dependem de dinâmicas já em curso na sociedade, como é o caso da escolaridade, outros das que vierem a resultar das políticas públicas, como no caso emblemático da saúde ou da segurança pessoal. Observando a distribuição das dimensões tendo em conta a clivagem do grau de instrução, pode dizer-se que, de uma maneira geral, os menos instruídos tendem a assinalar con- tribuições inferiores em todas as dimensões, atribuindo, no entanto, a mesma importância relativa, excetuando três sig- nificativos casos. São eles: a educação, como seria de espe- rar, atendendo a que esta mesma variável constitui o critério de separação entre os dois grupos, o rendimento e o estado de saúde. Nestes casos, as diferenças pesam mais e alteram a ordem relativa das dimensões, sugerindo que a saúde e as condições materiais são áreas determinantes na melhoria da qualidade de vida, atendendo até ao peso demográfico das pessoas menos instruídas na sociedade, particularmente no grupo mais velho. Pode estranhar-se que a questão da habita- ção não apareça colada às condições materiais, o que poderá justificar-se pelo facto de esta dimensão estar representada por dois indicadores que podem não ser suficientemente dis- criminantes, como são o número médio de quartos (que em si mesmo pouco diz sobre a qualidade da habitação ou com a sua satisfação) e o acesso à propriedade habitacional. Seja como for, ressalta a conclusão, já assinalada acima, de que as diferenças socioeconómicas associadas à educação impactam significativamente na qualidade de vida da população mais velha.
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